8 de Março: mais do que nunca nos queremos vivas!
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8 de Março: mais do que nunca nos queremos vivas!

Por Marielle e por todas as mulheres que lutaram e lutam em defesa das nossas vidas e por nem uma a menos, no 8 de março voltamos a gritar fora Bolsonaro!

Vivi Reis 9 mar 2021, 15:20

Este ano não tivemos os nossos tradicionais atos com centenas de feministas nas ruas, mas não deixamos de nos manifestar ocupando espaços públicos com faixas e colaços em todo o país sem aglomerações, como pedem esses tempos difíceis de pandemia. Foi um 8 de março diferente, com certeza e, mais do que nunca, foi um ato pela vida das mulheres!

Nossas pautas históricas são ainda mais necessárias nestes tempos de pandemia em que os ataques contra as mulheres se aprofundaram e toda a sociedade amarga o luto por mais 250 mil vidas perdidas no Brasil.

A síntese do que acreditamos está na nossa frase “A luta das mulheres muda o mundo”. A mobilização e auto-organização política das mulheres é instrumento capaz de destruir as estruturas de poder e da sociedade.

A pandemia tem sido especialmente cruel com as mulheres. A violência doméstica aumentou e tende a se agravar como reflexo da política de afrouxamento dos critérios para aquisição de armas de fogo promovida por Bolsonaro. No Pará, dados do Monitor da Violência apontaram 2.674 registros no primeiro semestre de 2020, um aumento de 46% em relação a 2019.

A degradação econômica da vida das mulheres também é uma infeliz consequência da pandemia: mais da metade da população feminina com 14 anos ou mais ficou de fora do mercado de trabalho em 2020, segundo dados do IBGE. Num país onde a maior parte das famílias é chefiada por mulheres, a exclusão do mercado de trabalho significa fome dentro de casa.

Nossa frase “A luta das mulheres muda o mundo”, sintetiza muito bem aquilo que acreditamos: a mobilização e auto-organização política das mulheres é capaz de destruir as estruturas de poder e da sociedade. Em 2015 a Primavera Feminista tomou as ruas de todo Brasil e, no mesmo ano, o movimento Ni Una Menos, liderado pelas mulheres argentinas, ganhou a América Latina e reacendeu a necessidade de um feminismo internacionalista.

Os frutos da Primavera Feminista começaram a ser colhidos a partir das eleições de 2018, negritando a potência e protagonismo das mulheres, elegemos nossas porta-vozes no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas estaduais e nas câmaras municipais.

Falar sobre a vida das mulheres é também defender condições de sustento às famílias que vivem em miséria, dar atenção Integral à saúde feminina e à situação das privadas de liberdade, promover o acolhimento lésbicas, bissexuais e travestis que não possuem um lar seguro para isolamento social, olhar para a realidade das indígenas, ribeirinhas, quilombolas e das mulheres do campo que sofrem com o avanço dos interesses de grandes empresas e detentores de poder econômico sobre seus territórios.

Neste mês de luta, queremos o retorno do auxílio emergencial, levando em conta a condição das mães solo, queremos vacina para todas e todos, especialmente para as profissionais de saúde e educação, para as quilombolas, as indígenas e ribeirinhas, que estão mais expostas à contaminação pelo vírus, queremos um Sistema Único de Saúde fortalecido. 

Precisamos de mais políticas públicas para mulheres, principalmente quanto ao combate e enfrentamento à violência de gênero, com implementação de Delegacias da Mulher nos municípios do Pará, aliado a métodos educativos e desconstrução de comportamentos reforçados pelo sistema patriarcal, que subjuga as mulheres.

Por Marielle e por todas as mulheres que lutaram e lutam em defesa das nossas vidas e por nem uma a menos, no 8 de março voltamos a gritar fora Bolsonaro!

Viva a luta das mulheres. Juntas somos mais fortes!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.