A anulação das condenações de Lula e a luta contra o bolsonarismo
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A anulação das condenações de Lula e a luta contra o bolsonarismo

Deputado David Miranda (PSOL-RJ) analisa a anulação das condenações de Lula, seus impactos na luta pelo “Fora, Bolsonaro” e seus efeitos para os debates na esquerda.

David Miranda 8 mar 2021, 17:51

A ação de Moro que impediu Lula de concorrer em 2018 foi ilegal e eminentemente política. O que ocorreu depois disso conhecemos bem. A anulação das condenações de Lula é uma reparação necessária, uma vitória democrática no atual estágio de enfrentamento a um presidente fascista e genocida.

Tal decisão reforça a necessidade de constituir a mais ampla unidade de ação contra Bolsonaro, lutar contra o bolsonarismo em todas as frentes e com todos os aliados reais possíveis. O #ForaBolsonaro segue como prioridade: derrubar o presidente antes de 2022 é uma tarefa de primeira ordem.

A reabilitação de Lula também reforça a necessidade de uma articulação de esquerda e centro-esquerda para derrotar o bolsonarismo em 2022. Tal unidade deve ser ampla e não fortalecer apenas um polo: não pode seguir a regra do hegemonismo e deve levar em conta as experiências feitas nos últimos anos.

O PSOL deve se inserir neste debate afirmando sua independência e apresentando um programa de emergência para o Brasil, cujo eixo não seja a conciliação de classes. Foi um “pacto” entre desiguais que pariu o que o Brasil tem de mais mórbido: o bolsonarismo. Não podemos simplesmente reeditar uma volta ao passado. Temos um grande debate pela frente.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.