A atualidade do instrumento da greve e a paralisação do setor financeiro na Índia

A greve da Índia comprova que os trabalhadores do sistema financeiro quando são ganhos para greve tem condição de parar o setor. A greve continua sendo a maior arma dos trabalhadores.

Um milhão de bancários paralisam o setor bancário da Índia

Mais de um milhão de bancários na Índia estão em greve porque o governo pretende privatizar os bancos públicos. Todos os serviços foram afetados, desde saques em dinheiro até depósitos, transações comerciais, atualização de caderneta, processamento de empréstimos, compensação de cheques e abertura de contas. A greve foi convocada pelo Fórum Unido de Sindicatos Bancários, um órgão que reúne nove sindicatos do setor.

Na Índia 2/3 do setor bancário é controlado pelo setor estatal, o governo já privatizou o Banco de Desenvolvimento Industrial da Índia e fundiu 14 bancos do setor público nos últimos quatro anos.

A atualidade das greves no setor financeiro

Como sabemos o setor financeiro é chave no funcionamento da economia uma greve massiva nesse setor consegue paralisar a economia.  No Brasil na década de 80 aconteceram greve que nacionais bancarias que pararam a economia. Na década de 90, houve um grande refluxo na luta dos trabalhadores e as greves bancarias saíram do cenário nacional. Vários “sábios “ afirmavam que as mudanças tecnológicas impediriam a realização greves nos bancos. Em 2003 e 2004 contra a direções sindicais explodiram grandes greves bancarias, foram verdadeiras rebeliões de base. Até o ano de 2016 tivemos greves bancarias anuais. Agora novamente aparece “sábios”, inclusive dentro do movimento sindical que afirma que as mudanças tecnológicas impedem grandes greves bancarias. A greve massiva da India novamente desmente essa tese.

A redução da categoria impede as greves

As mudanças do setor bancário têm reduzido a categoria e deixado ela mais heterogênea. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia aponta uma extinção de 78.155 postos de trabalho entre janeiro de 2013 a outubro de 2020. No período, foram registradas 303,7 mil demissões e 225,5 mil contratações. A queda no número de vagas é acompanhada na redução do número de pontos de atendimento oferecidos pela instituição houve uma redução de quase 6 mil pontos de atendimentos nos últimos cinco anos, segundo a Febraban.

A diminuição do tamanho da categoria bancaria não é uma novidade, o caso mais conhecido é a da década de 90.  O exemplo que vamos dar é a redução do número de bancários no período de 1989-1996, cerca de 40%, passando de 821.424 para 497.109; apenas no período de julho a dezembro de 1996, foram eliminadas 147.833 vagas no setor financeiro. Essa redução não impediu o impacto das greves durante os anos 2000.

As atuais mudanças tecnológicas está diminuindo em muito as agências e os bancários que atendem de forma presencial o público. Por outro lado, concentra cada vez mais bancários em grandes centros de processamento, centrais de atendimentos e escritórios digitais. Nesse sentindo inclusive facilita a organização das greves. A análise de credito, o processamento de operações, a programação do sistema continua sendo feita por bancários então a greve bancaria tem potencial de parar o sistema financeiro.

A greve da Índia comprova que os trabalhadores do sistema financeiro quando são ganhos para greve tem condição de parar o setor. A greve continua sendo a maior arma dos trabalhadores.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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