Um brilho raro no céu manauara

Israel Dutra relembra a memória de Luiz Fernando Souza Santos, uma semana após sua perda para a Covid-19.

Israel Dutra 19 mar 2021, 21:24

Hoje, completam-se sete longos dias da partida de Luiz.

Era o final da noite de quinta-feira (11) quando soube da trágica notícia: Luiz Fernando Souza Santos tinha nos deixado, vitima da Covid-19 e do descaso dos governos com a saúde pública e a vida humana. Um golpe duríssimo para todos nós que convivemos com Luiz, que foi um grande professor, um intelectual singular, um homem simples e, sobretudo, uma figura que fazia com a que a vida valesse a pena.

A máxima de que “nada que é humano nos estranha” poderia definir Luiz. Um homem repleto de humanidade. Luiz tinha diferentes dimensões. Todas elas entrelaçadas e articuladas com a profunda dimensão humana, de quem não busca a fragmentação e sim a luta pela totalidade. E, a partir da totalidade, a ação nas diversas esferas da vida humana. Luiz encontrou no marxismo uma ferramenta, não uma vestimenta de ocasião. Assim, pôde recuperar a dimensão do particular, respeitando e acolhendo as características do específico, sem perder a visão geral, do universal.

Assim conheci Luiz, como militante, sóbrio, modesto, sempre disposto a ensinar e aprender, conhecedor da cultura, esforçado em compreender o diferente; apaixonado pela vida e pelo meio-ambiente. Um homem que estudava a cultura Yanomami com a mesma intensidade que gostava de rock and roll.

O Luiz educador, rigoroso, pesquisador de alto nível, cursou doutorado na Unicamp, foi professor da rede pública no interior de seu estado, Amazonas, e ingressou na UFAM. Foi um dos principais responsáveis pelos projetos de docência entre os povos indígenas, sendo atuante como professor entre diversas aldeias e distintos povos.

Foi também um ativista de primeira linha: atuou no meio docente, organizou os trabalhadores de diferentes categorias, nunca escondeu que era um socialista e revolucionário. Buscava denunciar os pactos entre as elites de Manaus e foi um candidato socialista ao Senado em 2018.

Buscava significar a cosmovisão indígena, sem perder as bagagens teóricas do marxismo revolucionário. Escreveu “O Panóptico Verde”, obra seminal para pensar a Amazônia. Nas várias mensagens de homenagem a ele, espalhadas por gente que o conheceu em diferentes momentos, podemos perceber o gigante que foi para a Sociologia brasileira.

Foi um parceiro de seus filhos, de sua família. Destaco uma menção especial a Larissa, sua filha e amiga, militante querida por todos nós, com a qual nos solidarizamos do fundo da alma. Luiz deixa um brilho raro no céu manauara. Ficam a saudade, o legado e a herança de um socialista que nos inspira.


TV Movimento

Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista na Conferência Antifascista

Atividade de Lançamento do Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, organizada pela IV Internacional durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março de 2026

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo
Editorial
Israel Dutra | 24 abr 2026

Lula e Trump: um debate inevitável

Não há nenhuma possibilidade de vitória real contra a extrema direita sem levantar a bandeira da soberania e parar a mão de Trump
Lula e Trump: um debate inevitável
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores