Manifestações de 19 de junho aumentam a pressão sobre o governo: ampliar a mobilização pelo Fora, Bolsonaro!
Foto: Movimento Juntos!

Manifestações de 19 de junho aumentam a pressão sobre o governo: ampliar a mobilização pelo Fora, Bolsonaro!

O Brasil precisa de uma saída! As manifestações pelo Fora, Bolsonaro devem prosseguir. Derrubar este governo genocida, que condena nosso povo à miséria, deve ser a prioridade dos partidos de oposição, movimentos sociais, sindicais e estudantis.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 21 jun 2021, 21:16

No último sábado (19), novamente centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se em todo o país para enfrentar a política genocida do governo, exigir a saída de Bolsonaro, vacinação imediata, emprego e renda. Na mesma data em que o Brasil alcançou a trágica marca de 500 mil mortes pela Covid-19, as manifestações dialogaram com os sentimentos de milhões de brasileiras e brasileiros que perderam seus entes queridos.

Muitos cartazes e faixas homenagearam, nas ruas, as vítimas da pandemia e da política criminosa do governo. Enquanto Bolsonaro silenciava sobre a terrível marca de meio milhão de vidas perdidas e seu ministro Fábio Faria ironizava as manifestações de indignação e dor com as dramáticas perdas, as manifestações foram uma resposta contundente.

A mobilização aumenta

Inegavelmente, as manifestações de 19 de junho revelaram uma ampliação da mobilização contra Bolsonaro. As grandes marchas nas capitais foram visivelmente maiores do que as de 29 de maio. Com a ampliação, o que se viu foram manifestações de uma vanguarda ampliada, que reuniu cerca de 750 mil pessoas em todo o país, com destaque para a presença da juventude. Uma importante novidade ficou por conta da interiorização das manifestações, que alcançaram mais de 400 cidades brasileiras.

A força da mobilização também levou a uma mudança na cobertura dos principais veículos de imprensa. Diferentemente de 29 de maio, quando a maior parte das empresas de comunicação ignorou ou deu pouco destaque às manifestações, dessa vez as mobilizações em todo o país impuseram-se como realidade. A Globo, em particular, teve de dar destaque em seu noticiário, ampliando o alcance das demandas levadas às ruas.

O fato inegável é que os atos pelo Fora, Bolsonaro e suas reivindicações alcançaram milhões em todo o país. Além do maior destaque na mídia, ampliou-se o leque de participantes: dessa vez, houve participação de centrais sindicais e partidos políticos que não haviam convocado as manifestações de 29 de maio, com destaque para o PT. Trata-se de um avanço importante, mas também de um risco de limitação, caso a continuidade da luta contra o governo Bolsonaro seja condicionada ao calendário e às expetativas eleitorais do lulismo.

Parar a sanha golpista do bolsonarismo!

O dia 19 de junho também sinalizou a ampliação do rechaço ao golpismo de Bolsonaro, que diariamente ameaça o país com o fechamento do regime. Hoje (21), novamente, Bolsonaro insinuou que sem votos em papel haverá fraudes e que ele não aceitará o resultado da eleição de 2022, caso não saia vitorioso. Suas declarações em entrevista em Guaratinguetá (SP), completamente descontrolado, mostram como as manifestações de sábado incomodaram o governo.

O governo, abalado pelas revelações da CPI da Covid-19 no Senado, pela queda de sua avaliação nas pesquisas de opinião e pelas manifestações, busca recuperar terreno com a proposta de um novo Bolsa Família enquanto mantém um ambiente de tensão permanente, com riscos de mais violência. Por isso, é fundamental seguir a luta contra a política criminosa do governo e pelo Fora, Bolsonaro!

A semana passada mostrou uma nova rodada de tentativas de partidos burgueses encontrarem uma candidatura que os unifique, após o anúncio da desistência de Luciano Huck e a definição sobre o modelo de prévias do PSDB. Mas a burguesia está dividida. Um setor aponta que deve aderir ao lulismo. Para consolidar seu apoio, Lula sinaliza sua busca pela direita. Em nova rodada de viagens, desta vez ao Nordeste, Lula pretende aproximar-se de caciques locais de partidos como o MDB, de Eunício Oliveira e Renan Calheiros, e o PSB da família Campos. Outro setor da burguesia deve apoiar Bolsonaro e aproveita, desde já, para “passar a boiada”, como se viu nas negociatas para a privatização da Eletrobrás.

É preciso seguir a luta pelo Fora, Bolsonaro! Por uma saída para o Brasil com um PSOL independente e anticapitalista!

Enquanto a burguesia especula composições para 2022, o país sangra e o povo sofre com a pobreza e o desemprego crescentes. O Brasil precisa de uma saída! As manifestações pelo Fora, Bolsonaro devem prosseguir. Derrubar este governo genocida, que condena nosso povo à miséria, deve ser a prioridade dos partidos de oposição, movimentos sociais, sindicais e estudantis.

Por isso, vamos seguir batalhando pela continuidade da mobilização, apoiando as ruas, e trabalhando para que a mobilização alcance camadas mais amplas do povo. É preciso um calendário de lutas que organize a indignação contra o golpismo de Bolsonaro e a política genocida do governo! Com um PSOL independente e anticapitalista, seguiremos gritando bem alto: Fora, Bolsonaro!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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