CARTA DE ENTRADA NO MOVIMENTO ESQUERDA SOCIALISTA
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CARTA DE ENTRADA NO MOVIMENTO ESQUERDA SOCIALISTA

Por um PSOL independente e anticapitalista: carta de adesão ao MES

Estamos vivendo uma pandemia jamais vista anteriormente, aumentada significativamente diante do desastroso governo Bolsonaro, que se negou a comprar vacina e só começou a comprá-la a partir do momento que pôde garantir que seus aliados ganhariam em cima disso.

A população sofre diante da política econômica ultraliberal de Paulo Guedes, chamado de “posto Ipiranga” como se fosse a solução para todos os problemas do Brasil. Observamos que nada disso aconteceu. Mesmo antes da pandemia, já estávamos vivendo uma crise financeira, influenciada pela inflação juntamente com a alta do dólar.

E, anterior ao governo Bolsonaro, sofremos um duro golpe que atrapalhou o processo democrático brasileiro, interrompendo um governo legítimo, eleito pelo povo. Esse golpe foi articulado pelos próprios aliados de Dilma e do PT. Naqueles tempos, vivíamos um governo de conciliação de classes, onde se fazia mais pelos ricos com alguma melhoria para os pobres. Esse processo democrático, justamente encerrado por um golpe execrado por Cunha e Temer e todo o Centrão tece como consequência a eleição de 2018, marcada por fakenews, onde Bolsonaro foi eleito de maneira ilegítima, porque se elegeu em cima de mentiras e promessas que jamais conseguiria cumprir.

Hoje, em 2021, o país está devastado pela fome, com muitas pessoas morrendo por não terem um gás de cozinha, sendo obrigados a prepararem os escassos alimentos com álcool e muitas vezes, por isso, perdendo a vida incendiados. O desemprego também assola a população, batendo índices recordes. O auxílio emergencial não atendeu às necessidades. O governo também rompeu com todas as políticas de moradia, obrigando as pessoas a gastarem muito com aluguel. No fim do mês, as contas não fecham e têm que escolher entre ter onde morar ou ter o que comer. Ou, pior ainda, nenhum dos dois.

Nesse contexto, com vários crimes de responsabilidade e omissão, num governo genocida, é imprescindível que coloquemos na ordem do dia o impeachment de Bolsonaro e não seguir a política proposta por Lula/PT, fazendo-o se esgotar ao ponto de chegar ao final do mandato sem conseguir voltar ao poder. A tática de fazer Bolsonaro “sangrar” fará com que a população seja ainda mais castigada, jogada ao subemprego e com preços recordes de itens de consumo primordiais à sobrevivência.

Esperar que o bolsonarismo se esgote favorece a quem?

Acreditamos que precisamos, desde já, apostar no impeachment, sendo propulsores deste.
Derrubemos esse genocida o quanto antes nas ruas e nas redes!

Tendo essa compreensão, nós, que vínhamos de uma militância como independentes, mas que nos últimos tempos vendo a necessidade de nos organizarmos pelo impeachment e para que o PSOL tenha candidatura própria para a presidência da República, levando nosso programa, nossos ideais e nossa bandeira para as ruas e as lutas decidimos nos organizar enquanto corrente, compreendendo também que não dá para aceitarmos uma chapa já proposta por Lula com a direita desde o primeiro turno, nos fazendo deixar tudo o que nos norteou desde a fundação do PSOL se afundar na ilusão de mais um governo de conciliação de classes. Esse tipo de governo já foi testado e uma parte do partido parece não ter aprendido com o processo que vivemos em 13 anos de governos do PT.

Por isso, nós, no contexto atual, há alguns meses viemos nos aproximando do Movimento Esquerda Socialista (MES), corrente fundadora do PSOL que, desde o início, vem lutando para que tenhamos um partido independente e anticapitalista.

Especialmente no que diz respeito ao estado de Goiás, compreendemos que há aqui uma necessidade de maior organização partidária, entendendo o PSOL como um partido de correntes. Nossa aproximação se deu, sobretudo, durante as etapas do Congresso Estadual e Nacional, onde observamos o comprometimento que militantes do MES tinham com esse processo democrático e importante do partido, fiscalizando as urnas e, principalmente, travando os principais debates que nos tangem, mesmo que a corrente sequer existisse ainda no estado.

Vivemos aqui sob égide de uma economia majoritariamente agrária, com grandes latifúndios, conflitos de terra e violações ao meio-ambiente. Essa perspectiva econômica manifesta-se também na política, tendo Ronaldo Caiado como governador, representante de uma das grandes oligarquias que existem no estado há séculos. Nas cidades do interior o mesmo se manifesta em seus prefeitos também ligados, em sua maioria, ao agronegócio. Na capital, Goiânia, um prefeito fundamentalista e conservador, do mesmo partido de Crivela. Nessa correlação de forças do bloco no poder, a esquerda goiana apresenta-se de maneira débil, pouco organizada e com disputas fraticidas que não conduzem à apresentação concreta de perspectivas revolucionárias. Soma-se a isso o próprio PSOL que, aqui, é hegemonizado há anos por um mesmo grupo político que tem dificuldades até mesmo na circulação de informações e filiação de novas pessoas.

Enxergamos Goiás, no centro do país, tendo a capital federal, Brasília, ao lado, herdeiro, sim, das lutas camponesas de Trombas e Formoso e acreditamos que há potencialidade para lutarmos organizadamente contra um dos maiores números de feminicídio do país, LGBTfobia latente, intolerância religiosa e racismo que assolam grande parte da população de indígenas, negros e negras, quilombolas e ciganos perseguidos e em constante tentativa de extermínio pelas estruturas latifundiárias neste estado já que Goiás abriga boa parte dessa população no Brasil.

Nos propomos às lutas e disputas internas do partido, mas focamos, primordialmente, no crescimento do PSOL para fora, conquistando mentes e corações e construindo um projeto coletivo de sociedade socialista e com liberdade.

Pedimos aos companheiros e companheiras respeito para com essa nossa decisão, esclarecemos que ela se deu somente após o Congresso o que, portanto, não configura de nossa parte nenhum tipo de maquiagem quando encampamos a Tese 2 enquanto independentes e nos colocamos à disposição para diálogos construtivos por um PSOL independente e anticapitalista.

Saudações Revolucionárias,

20 de outubro de 2021


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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Capa da última edição da Revista Movimento
Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!