Nova edição da Revista Movimento já está disponível
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Nova edição da Revista Movimento já está disponível

A edição de junho, “Transviando o Marxismo – O Socialismo e as LGBT+” já está disponível para assinantes em nossa loja virtual

Camila Menezes 13 jun 2024, 11:36

Abaixo disponibilizamos a apresentação da edição de junho da Revista Movimento, “Transviando o Marxismo – O Socialismo e as LGBT+”, disponível para assinantes em nossa loja virtual. Por apenas R$20 mensais você receberá as edições virtuais mensais e quatro revistas impressas por ano, além de todo acervo anterior da nossa revista e acesso livre ao curso Hegel e a Dialética, com duração de 12h. Assine a Revista Movimento e colabore com esse projeto de mídia independente e anticapitalista!


Apresentação

            A equipe editorial da Revista Movimento vem se esforçando para produzir mensalmente dossiês temáticos que permitam a exposição, formulação e debate de ideias úteis à práxis militante. Para o mês de junho, fomos procurados pela militância LGBTQIA+ do Movimento Esquerda Socialista (MES), organização política fundadora do PSOL. Como sabem, o mês de junho é conhecido como o Mês do Orgulho LGBTQIA+ em todo o mundo. Isso tem suas raízes nos eventos históricos que ocorreram em junho de 1969, especificamente na Revolta de Stonewall, uma série de manifestações fortes  e espontâneas iniciadas na madrugada do dia 28 daquele mês, que ocorreram em resposta a uma batida policial no Stonewall Inn, um bar gay localizado no bairro de Greenwich Village, em Nova York. O Mês do Orgulho serve, portanto, como um lembrete poderoso da importância da luta contínua por direitos e dignidade para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Esta edição começa com o texto Manifesto Marxista-Pajubá que se propõe  a imprimir uma perspectiva marxista à luta de travestis e demais pessoas trans e às formulações respectivas à transgeneridade. Organizado pelo Núcleo Pajubá do MES, este manifesto oferece um espaço de reflexão, resistência e articulação política, onde vozes diversas e potentes se encontram para desafiar o status quo opressor e explorador e construir lutas de emancipação. Antes de avançar, creio que cabe aprofundar no significado do pajubá.

O pajubá (ou bajubá) é um socioleto comum entre a comunidade LGBTQIA+, especialmente pela influência da travestilidade, identidade que guarda profunda relação com grupos étnicos da África Ocidental, de onde foram sequestradas a maioria das pessoas escravizadas no Brasil. Pelo candomblé, várias palavras oriundas de idiomas daquelas nações foram preservadas e fundidas com o português. Pajubá significa “fofoca”, “novidade”, “notícia”. Na cultura LGBTQIA+, é uma forma debochada de falar sobre a vida cotidiana. Com a perseguição social e institucional à comunidade LGBTQIA+, tornou-se também uma ferramenta de resistência, uma forma de falar entre si. Pajubá se torna, então, subversão das normas, identidade coletiva, reconhecimento do protagonismo travesti e negro na própria constituição da comunidade das LGBTQIA+ brasileiras.

A publicação segue com uma entrevista inspiradora com Fábio Felix, intitulada Nossa auto-organização deve continuar, conduzida por Higor Andrade e Tamires Arantes. Fábio Felix é militante e carrega o feito de ser o deputado distrital mais votado da história do DF. Ele compartilha sua visão sobre a importância da auto-organização dentro do movimento LGBTQIA+, destacando os desafios e as conquistas dessa conjuntura de enfrentamento à extrema direita.

Felipe Maiello, em A diferença entre os diferentes: a relação da classe social na população homossexual masculina, investiga as dinâmicas de classe que permeiam a comunidade homossexual masculina, oferecendo uma análise crítica sobre como a posição socioeconômica influencia as experiências individuais e coletivas.

Em Direito à educação: o alfabeto LGBTQIA+, a Professora Sara Azevedo discute as barreiras e os avanços no acesso à educação para a população LGBTQIA+, enfatizando a necessidade de políticas inclusivas e a valorização da diversidade dentro do sistema educacional.

A vereadora do PSOL de São Paulo Luana Alves e a ex-deputada federal do PSOL do Pará  Vivi Reis, em A demarcação racial e de gênero no movimento LGBTQIA+, exploram como as questões raciais e de gênero se entrelaçam dentro do movimento LGBTQIA+, apontando para a importância de uma abordagem interseccional na luta por direitos.

Fervo também é luta: Bloco Maria Sapatão organizado para fazer revolução, escrito por Isabella Netto, Lilian Bonfim e Dani Rocha, celebra a resistência cultural e política encarnada pelo Bloco Maria Sapatão em Guarulhos, no estado de São Paulo. O texto mostra como a organização do bloco também podem ser instrumentos poderosos de trabalho de base na luta pela transformação social.

A edição se encerra com uma resenha de Lucci Laporta sobre o filme Pride, uma história real de Orgulho e Esperança, que narra a aliança histórica entre a comunidade LGBTQIA+ e os mineiros em greve na Inglaterra dos anos 1980. Antes de concluir, nossa capa, feita por Vittorio Audi, é uma releitura da obra Convite para o Dia do Orgulho Gay/Lésbico no New York Palladium, de Keith Haring e contamos ainda com uma charge de Vittorio e Pedro Micussi.

Esta edição é mais do que um conjunto de textos, é um chamado à ação e à reflexão, uma plataforma para o fortalecimento das lutas LGBTQIA+ sob uma perspectiva marxista, e um convite para todes que acreditam em um mundo mais justo e igualitário.


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