Greve dos professores do Estado do Rio Grande do Norte: o papel do sindicato na luta por valorização e direitos

Greve dos professores do Estado do Rio Grande do Norte: o papel do sindicato na luta por valorização e direitos

A greve da educação estadual e a necessidade de um sindicato à altura das lutas em defesa da educação

Bruno Lima 4 abr 2025, 15:11

A greve dos professores é um dos mais importantes instrumentos de luta da categoria, utilizada para reivindicar melhores condições de trabalho, salários justos e a valorização da profissão. Nesse cenário, o sindicato desempenha um papel essencial ao organizar e representar os profissionais da educação, assegurando que suas demandas sejam ouvidas e negociadas com as autoridades competentes. Além de coordenar as mobilizações, o sindicato atua na defesa dos direitos trabalhistas e no enfrentamento de políticas públicas que possam comprometer a qualidade do ensino. Assim, a greve transcende a simples paralisação, sendo uma forma legítima de exigir que a educação receba o respeito e a seriedade que merece. No entanto, quando o sindicato falha em cumprir sua função, os prejuízos para a categoria são inevitáveis.

No Rio Grande do Norte, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE-RN) é liderado pelo mesmo grupo há mais de 40 anos. Inicialmente, as eleições sindicais eram proporcionais, garantindo a participação de diversas correntes na gestão. Contudo, a corrente majoritária, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), alterou o estatuto, eliminando a cláusula de proporcionalidade e permitindo reeleições sucessivas, sem limites. O que deveria ser um processo democrático tornou-se, na prática, um instrumento que não reflete os interesses da categoria.

Atualmente, o estado é governado por Fátima Bezerra (PT), que iniciou sua trajetória como diretora do SINTE-RN. Durante sua trajetória política, conquistou a base eleitoral dos professores, elegendo-se deputada e senadora. Em sua atuação parlamentar, opunha-se aos governos de direita e afirmava: “A crise não é desculpa para não pagar o piso.” No entanto, ao assumir o Executivo, sua postura mudou. A governadora passou a negar o piso salarial nacional aos professores e a alinhar-se com diretrizes de um governo burguês, apoiando elites e oligarquias que antes criticava. Desde 2008, quando foi implementada a política salarial da categoria, nenhum governo havia parcelado tanto os reajustes. Atualmente, há 22 parcelas de retroativos em atraso, referentes aos anos de 2023, 2024 e 2025.

A atual direção sindical do SINTE, alinhada ao partido da governadora, atua como correia de transmissão dos interesses do governo. Essa postura enfraquece a greve, os atos e as negociações com o governo, visando preservar a imagem da gestão e perpetuar-se no poder. Apesar disso, os professores deliberaram pela aplicação integral do índice de 6,27%, sem abrir mão dos retroativos. Contudo, o sindicato negociou uma proposta rebaixada, que parcelou o piso e gerou ainda mais retroativos, sem garantia de pagamento, culminando no término do movimento paredista, que durou mais de 30 dias devido a morosidade do governo nas negociações. Para receber os valores atrasados, os professores precisarão recorrer à Justiça, arcando com honorários advocatícios entre 10% e 20%.

Diante desse cenário, é urgente promover mudanças. As oposições representam uma esperança de renovação. Unificados na luta, esses grupos têm mobilizado a base dos professores, elegendo representantes para a comissão de negociação e garantindo que as vozes dos educadores sejam ouvidas. Esse esforço foi crucial para a manutenção do piso salarial na carreira.

O SINTE-RN deve colocar a valorização dos professores e a defesa de uma educação de qualidade como prioridades absolutas. Para isso, é essencial promover um ambiente mais democrático, restabelecendo as eleições proporcionais e limitando a reeleição a um único mandato. O sindicato não pode se tornar um instrumento de um único partido ou submeter-se aos interesses de um governo, pois a experiência demonstra que, mesmo aqueles que afirmavam representar a categoria, ao assumirem o poder com o apoio dos professores, acabaram agindo como patrões. Essa postura resultou na negligência à educação e na exploração da categoria, negando-lhes direitos fundamentais e condições dignas de trabalho.


TV Movimento

Calor e Petróleo – Debate com Monica Seixas, Luiz Marques + convidadas

Debate sobre a emergência climática com a deputada estadual Monica Seixas ao lado do professor Luiz Marques e convidadas como Sâmia Bonfim, Luana Alves, Vivi Reis, Professor Josemar, Mariana Conti e Camila Valadão

Encruzilhadas da Esquerda: Lançamento da nova Revista Movimento em SP

Ao vivo do lançamento da nova Revista Movimento "Encruzilhadas da Esquerda: desafios e perspectivas" com Douglas Barros, professor e psicanalista, Pedro Serrano, sociólogo e da Executiva Nacional do MES-PSOL, e Camila Souza, socióloga e Editora da Revista Movimento

Balanço e perspectivas da esquerda após as eleições de 2024

A Fundação Lauro Campos e Marielle Franco debate o balanço e as perspectivas da esquerda após as eleições municipais, com a presidente da FLCMF, Luciana Genro, o professor de Filosofia da USP, Vladimir Safatle, e o professor de Relações Internacionais da UFABC, Gilberto Maringoni
Editorial
Israel Dutra | 02 abr 2025

O Breque dos Apps e a contexto político nacional

A mobilização dos entregadores, a luta contra a anistia aos golpistas e outros movimentos marcam o cenário nacional
O Breque dos Apps e a contexto político nacional
Edição Mensal
Capa da última edição da Revista Movimento
Revista Movimento nº 55-57
Nova edição da Revista Movimento debate as "Encruzilhadas da Esquerda: Desafios e Perspectivas"
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Nova edição da Revista Movimento debate as "Encruzilhadas da Esquerda: Desafios e Perspectivas"