Mariana Conti denuncia trend misógina do TikTok ao MP
Vereadora de Campinas pede a responsabilização da plataforma e dos criadores de vídeos que incitam a violência contra a mulher
Foto: Ascom Mariana Conti
Nos últimos dias, vídeos que demonstram homens se preparando para atacar mulheres caso elas recusem algum tipo de relação com eles inundaram as redes sociais. Os vídeos mostram homens — em geral, adolescentes e jovens — simulando golpes com socos, chutes, facas e armas e tornaram-se uma trend no TikTok, intitulada “treinando caso ela diga não”.
Em reação a esse conteúdo amplamente replicado, a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL) apresentou uma denúncia ao Ministério Público. O texto reforça o teor misógino dos vídeos, que se configuram como uma apologia coletiva e organizada ao feminicídio, e aponta a responsabilidade da plataforma pela circulação do conteúdo.
Além da retirada dos vídeos, já iniciada após a repercussão negativa da trend, a parlamentar cobra a responsabilização dos criadores e uma medida permanente por parte da rede social, a fim de impedir a circulação de conteúdos carregados de discurso de ódio e de apologia à violência. “Estamos diante de um aumento terrível de casos de feminicídio, e é inaceitável que as big techs sigam coniventes com esse tipo de conteúdo e, pior ainda, lucrando com eles”, afirma a vereadora.
Para evitar que as plataformas continuem abrigando esses discursos e garantir que haja uma fiscalização eficaz a longo prazo, Mariana ainda levanta como urgentes a regulamentação das plataformas e a criminalização da misoginia nas redes sociais. “Esses vídeos não são casos isolados ou individuais, porque são parte de uma comunidade red pill, de masculinidade tóxica, que confia na impunidade e na conivência das plataformas”, ela argumenta.
Nesse sentido, a vereadora defende a aprovação do Projeto de Lei nº 6075/2025, popularmente chamado de “PL Anti-Red Pill”, apresentado pela deputada federal Sâmia Bomfim, também do PSOL. O projeto propõe a criminalização do discurso misógino na internet, e Mariana afirma que esse é um passo fundamental contra a normalização do discurso de ódio às mulheres e, portanto, para o combate à violência. Uma petição pública foi aberta, no site da deputada, para a coleta de assinaturas em apoio à medida.