Parem Trump no Irã! Contra a guerra imperialista!
Guerra Imperialista, Crise Global e a necessidade de unidade internacional Antifascista e Anti-Imperialista
A guerra contra o Irã não é um incidente isolado. Faz parte da estratégia imperialista liderada por Donald Trump para reconstruir a hegemonia dos EUA por meio do militarismo, do autoritarismo e da guerra perpétua. Em um mundo marcado por crise econômica, emergência climática e caos geopolítico, essa ofensiva há inaugurado a era mais perigosa para a humanidade, caso não a detenhamos.
Em um contexto de declínio do imperialismo estadunidense, sua estratégia para recuperar o poder global combina autoritarismo interno, militarismo externo e uma ofensiva política cada vez mais neofascista. Y a aliança com o governo de extrema-direita de Israel demonstra claramente a natureza dessa política. Trump e Netanyahu formaram um eixo que pretende seguiur remodelando e o equilíbrio de poder no Oriente Médio por meio da força militar. Seu objetivo não é apenas enfraquecer o Irã, mas também consolidar a hegemonia regional do Estado de Israel e garantir o controle de recursos estratégicos como o petróleo.
A consequência imediata tem sido uma guerra que se espalha por toda a região. As mortes já ultrapassaram mil y dos centos, e os bombardeios atingiram altos índices de destruição.
Trump lançou essa ofensiva, rompendo até mesmo com as regras que a própria ordem imperial havia estabelecido para a gestão de conflitos internacionais y guerras. Agindo como se fosse o senhor do império, lançou ataques sem consultar o Congresso dos EUA, sem respeitar os mecanismos das organizações internacionais e sem sequer coordenar com seus aliados da OTAN.
A guerra contra o Irã revela, portanto, a profunda conexão entre a ofensiva imperialista e a estratégia neofascista. Trump está tentando impor uma nova ordem mundial baseada na guerra permanente, no poder dos bilionários, na supremacia branca e na hegemonia das grandes corporações de tecnologia. Trump também é fossilista, que manter o mundo baixo o domínio dos combustíveis fósseis como centro junto as big tech de acumulação do capital para impedir ol uso da energia limpa, tecnologia em que a China domina amplamente.
Esta é uma ameaça concreta que precisa ser contida para evitar o fim do planeta.
O narcisista Trump está agindo como um bombeiro descontrolado tentando apagar um incêndio com gasolina. Os resultados são devastadores: as mortes continuam, o número de cidades destruídas aumenta e os ataques chegam até mesmo a alvos civis. Entre eles, uma escola para meninas onde 168 estudantes foram mortas, mas as contradições que cria esta política e resistência também crescem.
Enquanto isso, Israel mantém sua ofensiva contra Gaza e continua bloqueando a entrada de ajuda humanitária. Na Cisjordânia, colonos e soldados intensificaram os ataques contra aldeias palestinas, agredindo e até matando moradores e ativistas, enquanto o governo israelense tenta aprovar novas medidas para legitimar a anexação dos territórios ocupados.
Israel também intensificou suas operações militares contra o Líbano. Bombardeios e ordens de evacuação no sul do país já resultaram em centenas de mortes e no deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Tudo indica que o governo israelense busca explorar a guerra regional para consolidar seu projeto estratégico de um “Grande Israel”.
As Ilusões de uma Guerra Rápida
A guerra não se desenrolou como Trump esperava.
Sob o pretexto de que o Irã estava perto de desenvolver armas nucleares, a Casa Branca acreditava que poderia impor uma intervenção rápida, uma operação militar limitada que levaria ao colapso do regime iraniano. A estratégia se assemelha a postura de Washington quanta à mudança de regime na Venezuela por meio de pressão externa, isolamento internacional e operações secretas.
O Irã não se tornou uma “nova Venezuela”. A conquista de Teerã e a mudança de regime não se materializaram. Pelo contrário, Washington encontrou uma capacidade de resistência militar maior do que a prevista. O Irã usou drones e mísseis para atacar bases militares, aeroportos e infraestrutura estratégica na região, prolongando a guerra e demonstrando que a operação militar dos EUA estava longe de ser uma intervenção cirúrgica.
O conflito ameaça até mesmo o equilíbrio energético global. Em meio à guerra, o Irã restringiu em 90% toda a capacidade de transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e já falou sobre a possibilidade de fechá-lo, uma passagem fundamental para o comércio global de petróleo. Isso já afetou uma parcela significativa das exportações de petróleo da Península Arábica.
Apesar de sua inferioridade militar em relação aos Estados Unidos e a Israel, a resistência iraniana demonstrou coordenação e capacidade de projeção regional. Ataques foram realizados contra bases americanas em diversas partes do Oriente Médio e contra alvos estratégicos em território israelense.
Trump também esperava que a guerra provocasse uma revolta interna contra o regime iraniano. Mas essa expectativa também não se concretizou. Como explicou a ativista feminista e acadêmica iraniana Mansoureh Shojaee, exilada devido à perseguição pelo regime islâmico, em entrevista à Folha de São Paulo:
“Como nação, não precisamos que o Sr. Trump nos imponha a democracia com bombas e mísseis. Não aceitaremos esse presente.” “Como alguém pode pensar que a intervenção militar pode trazer a democracia?” “A democracia não vem das mãos do inimigo: ele e seu exército estão atacando nossa nação.” Um manifesto com 500 exilados iranianos na Europa expressou essa linha de uma importante parcela da oposição democrática no exilio.
Shojaee também lembrou que o Irã tem uma longa tradição de luta contra o totalitarismo e a ditadura, especialmente dentro do movimento feminista.
Enquanto isso, a política dos EUA em relação ao Irã mostra sinais de crescente improvisação. Trump afirma que não aceitará o filho do aiatolá Khamenei como seu sucessor, enquanto o regime iraniano responde endurecendo sua posição política e elegendo-o.
Da mesma forma, a Casa Branca tem oscilado entre anunciar a possibilidade de enviar tropas terrestres e afirmar que a guerra poderia terminar rapidamente. Um dia, as manchetes falam do fim do conflito; no dia seguinte, de sua expansão.
As Contradições da Guerra
Essas oscilações refletem as contradições que a estratégia de Trump enfrenta.
A resistência iraniana já desencadeou efeitos econômicos globais. O preço do petróleo disparou, alimentando temores de uma nova crise econômica internacional em um mundo que ainda luta contra a fragilidade estrutural desencadeada pela crise financeira de 2008.
Em 9 de março, o preço do barril ultrapassou US$ 100, gerando preocupação com um possível ciclo inflacionário global. Para amplos setores da burguesia internacional, a prolongação do conflito representa um fator adicional de instabilidade em uma economia global já profundamente fragilizada.
A essas tensões econômicas somam-se as contradições políticas internas nos Estados Unidos.
Setores dentro do próprio movimento republicano MAGA expressaram críticas à guerra, enquanto o Partido Democrata também manifesta oposição. A principal voz dissidente do MAGA é o comunicador Tucker Carlson.
Além disso, emerge um fato ainda mais significativo: a maioria da população americana rejeita a intervenção militar. Menos de um terço apoia a política de Trump. Isso representa um nível incomum de oposição em comparação com outras guerras instigadas por Washington no passado. As contradições mais profundas, portanto, estão se desenrolando dentro do próprio país imperialista. Trump enfrenta uma queda em sua popularidade e um cenário interno cada vez mais conflituoso.
As revelações e os efeitos do caso Epstein seguem como fantasmas pairando sobre Trump e a Casa Branca.
Nesse contexto, o movimento “No King” está crescendo, os protestos contra o aparato repressivo do ICE estão se multiplicando e eleições legislativas se aproximam, podendo alterar o equilíbrio político no Congresso.
Um dos fatores centrais será a capacidade do Irã de manter sua resistência militar. Nesse sentido, é necessário distinguir claramente entre a oposição à agressão imperialista e o apoio ao regime iraniano. De uma perspectiva democrática e emancipadora, é possível posicionar-se dentro da resistência militar contra a agressão imperialista sem apoiar a natureza repressiva e reacionária do regime teocrático iraniano, cujas políticas incluem a opressão sistemática das mulheres e a perseguição e matanza à dissidência.
Outro fator crucial será o impacto econômico global da guerra. A alta dos preços do petróleo e a incerteza geopolítica podem acelerar as tendências de crise existentes na economia global.
Por fim, a crescente rejeição a Trump nos Estados Unidos pode se tornar o elemento decisivo.
A interação entre esses três fatores — resistência militar iraniana, tensões econômicas globais e oposição política interna nos Estados Unidos — cria um cenário extremamente instável.
Ao mesmo tempo, Trump continua sua ofensiva sobre América Latina e o Caribe. O cerco a Cuba, a política de declarar al PCC y CV como terroristas, e reunião com doce presidentes da direita Latinoamericana, indicam que o injerencismo e a ameaça de intervenção militar continuam. e
Um cessar-fogo sem que os Estados Unidos consigam obter seus objetivos seria um importante derrota do imperialismo, para tanto a luta contra a guerra e por uma paz justa se torna imperativa.
Pressionar os governos para que se posicionem, como fez o governo espanhol, que desautorizou o uso de suas bases militares, é uma outra tarefa. Lula, que hesitou diante do Conselho colonizador de Trump para gerir Gaza está tendo uma postura bastante aquém do que espera da diplomacia brasileira. Ele deve cancelar sua visita a Trump enquanto durar a agressão e instar a ONU e um bloco de países a pedirem o fim imediato da guerra imperialista. É hora de promover a mobilização popular para defender os países como faz o presidente Petro e não de procurar negociar com o senhor da guerra.
A necessidade da unidade internacional Antifascista e Anti-Imperialista
Diante dessa situação, é urgente construir um projeto unificado para combater o neofascismo e o neocolonialismo. A luta contra a guerra promovida por Trump está intrinsecamente ligada à luta contra seu projeto político autoritário. Ambas fazem parte da mesma estratégia.
Respostas já começam a surgir em diversos países. Um primeiro exemplo foi a Flotilha Global Sumud e as mobilizações internacionais de solidariedade com a Palestina.
Contudo, também é necessário reconhecer que as mobilizações internacionais têm sido desiguais. Em casos como o da Venezuela ou do Irã, a solidariedade tem sido mais limitada, em parte porque envolve a defesa de países cujos governos sofreram uma significativa perda de legitimidade entre amplos setores do movimento de massas.
Apesar dessas dificuldades, a rejeição ao imperialismo continua a crescer. Três iniciativas com impacto internacional ocorrerão no final de março.
• No dia 28 de março, o movimento Não a King realizará mais um dia de mobilização nos Estados Unidos, após a última manifestação que reuniu quase oito milhões de pessoas.
• No mesmo dia, a classe trabalhadora e a esquerda britânicas voltarão às ruas em uma grande manifestação antifascista.
• E entre os dias 26 e 29 de março, será realizada a primeira Conferência Internacional Antifascista em Porto Alegre — cidade onde tiveram origem os Fóruns Sociais Mundiais.
Essas mobilizações demonstram que a realidade colocou a necessidade de construir uma unidade de ação antifascista e anti-imperialista em escala global no centro da agenda política.
No caso do movimento Não a King, a mobilização inclui setores próximos ao Partido Democrático, que continua sendo um partido burguês e imperialista. É uma unidade de ação porque inclui organizações ligadas a um partido burguês, notoriamente imperialista. No entanto, esse amplo apelo tem sido fundamental para mobilizar milhões de pessoas.
Mas a luta contra o neofascismo e o imperialismo precisa avançar em direção a pontos programáticos e tarefas comuns, buscando uma coordenação política internacional mais estável. Redes de encontros ocasionais são insuficientes. É necessário construir uma frente internacional antifascista e anti-imperialista capaz de unir as forças sociais dos trabalhadores e suas organizações políticas e sindicais em um movimento que permita a continuidade da luta. E a Conferência Antifascista de Porto Alegre pode ser um primeiro passo nessa direção.
Nós, como militantes internacionalistas organizados na Quarta Internacional, estamos comprometidos com essa tarefa. As diferenças estratégicas que temos com outras organizações não nos impedem de participar dela tarefa. Pelo contrário, nos dedicaremos a ela, mantendo o respeito por outras organizações que não compartilham conosco a necessidade da luta pelo programa ecosocialista, que exige a defesa da independência política da burguesia e a necessidade da revolução social.