Petição contra discurso ‘red pill’ ultrapassa 120 mil assinaturas
Projeto da deputada Sâmia Bomfim criminaliza a promoção e incitação de conteúdo misógino na internet; proposta aguarda análise final na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara
Foto: Getty Images/BBC
O abaixo-assinado em apoio ao Projeto de Lei 6075/2025 – conhecido como “PL Anti Red Pill” -, de autoria da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), ultrapassou a marca de 100 mil assinaturas. A mobilização foi lançada pelo mandato da parlamentar para pressionar pela aprovação da proposta, que tipifica como crime a promoção e a incitação de conteúdo misógino nas redes sociais.
O projeto foi apresentado em meio ao crescimento de conteúdos que disseminam discursos de ódio contra mulheres na internet, frequentemente associados à chamada cultura “red pill”. Esses conteúdos propagam ideias de inferiorização feminina, normalizam a violência de gênero e têm alcançado especialmente jovens e adolescentes nas plataformas digitais.
Para Sâmia, o número de assinaturas demonstra a preocupação da sociedade com a escalada da misoginia online e a necessidade de enfrentar o problema também no campo legislativo. “Precisamos definitivamente dar um basta nisso e coibir esse tipo de prática nas redes sociais. As plataformas viraram território livre para a misoginia, as comunidades red pill crescem, se organizam e há pessoas que lucram com esse tipo de discurso de ódio”, afirmou a deputada.
Segundo ela, além de uma transformação cultural mais ampla “que passa pelas escolas, pelas famílias e pela sociedade”, é necessário estabelecer responsabilização para conteúdos que estimulam violência e discriminação. O debate voltou a ganhar força nas últimas semanas após episódios de violência contra mulheres que chocaram o país, incluindo o caso de uma adolescente vítima de estupro coletivo praticado por outros cinco jovens no Rio de Janeiro, quatro deles maiores de idade.
O que diz o PL
O Projeto de Lei 6075/2025 propõe tipificar como crime a promoção e a incitação de conteúdos misóginos na internet, com o objetivo de enfrentar a disseminação de discursos que incentivam violência física, psicológica ou moral contra mulheres.
A iniciativa também busca responsabilizar conteúdos que desumanizam mulheres e incentivam práticas de violência ou discriminação, frequentemente difundidos por influenciadores que lucram com a propagação dessas ideias nas redes.
Sâmia afirma que o abaixo-assinado é uma forma de demonstrar apoio popular à proposta e pressionar pela sua votação no Congresso. “Apresentei esse projeto no ano passado e ele já está na última comissão da Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça. A gente quer muito fazer esse projeto avançar”, afirmou. Na CCJ, a proposta tem como relatora a deputada Lídice da Mata (PSB-BA).
A petição pode ser acessada em: https://samiabomfim.com.br/plredpill/