Denúncia de Prof. Josemar pressiona retomada de obras em hospital
Paralisada há mais de uma década, obra do Hospital da Mãe de São Gonçalo vira alvo de ação de parlamentar do PSOL para apurar desperdício de recursos públicos
Foto: Divulgação
Abandonado há mais de dez anos, o Hospital Estadual da Mãe, no bairro Colubandê, em São Gonçalo (RJ), voltou ao centro do debate público após iniciativa do deputado estadual Professor Josemar (PSOL), que acionou o Ministério Público para investigar a paralisação das obras e o uso de recursos públicos. Idealizada em 2013 para ampliar o atendimento à saúde da mulher no município, a unidade jamais foi concluída e hoje se encontra em estado de deterioração, com denúncias de insegurança e riscos sanitários no entorno.
O projeto previa uma estrutura capaz de realizar mais de 10 mil consultas e cerca de 800 partos por mês, com leitos de enfermaria, centro cirúrgico e UTI neonatal. A proposta buscava desafogar a rede municipal, especialmente a maternidade de Alcântara, historicamente sobrecarregada. Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), mais de R$ 10 milhões já foram investidos na obra, que nunca foi entregue à população.
Na ação protocolada junto ao Ministério Público, Josemar solicita a abertura de inquérito para apurar não apenas a interrupção do projeto, mas também possíveis irregularidades, como o pagamento de multas, juros e serviços sem efetiva execução. Para o parlamentar, o caso evidencia o descaso com a saúde pública e a má gestão de recursos em um município que enfrenta déficits crônicos no atendimento materno-infantil.
A situação de São Gonçalo reflete um problema mais amplo no estado do Rio de Janeiro, onde, segundo relatórios do próprio TCE e de órgãos de controle, diversas obras públicas na área da saúde permanecem inacabadas ou paralisadas. Especialistas apontam que a falta de investimentos contínuos e de planejamento impacta diretamente indicadores como mortalidade materna e neonatal, que seguem acima do recomendado em várias regiões do estado.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informou que o projeto está em fase de revisão técnica e que pretende retomar o processo de licitação para concluir a maternidade. No entanto, não há prazo definido para o reinício das obras.
Diante da ausência de respostas concretas, a iniciativa de Professor Josemar busca não apenas responsabilizar eventuais irregularidades, mas também pressionar o poder público a garantir a conclusão de um equipamento essencial para milhares de mulheres que dependem do sistema público de saúde em São Gonçalo.