Educação Popular para derrotar o fascismo: a Rede Emancipa na 1º Conferência Internacional Antifascista
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Educação Popular para derrotar o fascismo: a Rede Emancipa na 1º Conferência Internacional Antifascista

A militância do movimento social de educação popular esteve esteve presente no encontro antifascista em Porto Alegre.

A 1ª Conferência Internacional Antifascista, ocorrida em Porto Alegre/RS entre os dias 26 e 29 de março de 2026, foi um espaço muito importante de debates, formulação e agitação, um marco fundamental para a organização de uma resposta ao avanço do fascismo em nível mundial. Dada a crise internacional do capitalismo tardio, em que a classe trabalhadora é empurrada para piores condições de vida e de trabalho, como a escala 6×1, as estruturas políticas burguesas recorrem ao fascismo como solução para os problemas por elas mesmas criados.

A todo momento, somos bombardeados com informações sobre guerras e genocídios em uma escala internacional. São recorrentes as notícias sobre o autoritarismo de Trump na América Latina, como o ataque à Venezuela em busca de petróleo e o aprofundamento do embargo econômico à Cuba que já dura mais de seis décadas. Além disso, a política imperialista dos EUA, principal financiador do genocídio palestino em Gaza, também foi responsável por bombardear uma escola de meninas iranianas, resultando em quase 200 mortes. Hoje, Trump se consagra como o maior ditador da década, responsável por ataques direcionados tanto internacional quanto nacionalmente, dada a criação do ICE, política de violência sistemática contra negros e latinos nos EUA.

Os governos autoritários de extrema-direita estão espalhados pelo mundo todo, a exemplo dos nossos vizinhos argentinos, que enfrentam uma grande crise econômica, política e social em meio ao governo Milei, que cada vez mais adota políticas de austeridade e que aprovou, recentemente, a contrarreforma trabalhista, que extingue direitos históricos do povo argentino. São muitos os exemplos do avanço do fascismo no mundo todo, como Giorgia Meloni na Itália, Viktor Orbán na Hungria, Narendra Modi na Índia, e até o bolsonarismo no Brasil, derrotado eleitoralmente na última eleição mas que segue como uma ameaça real.

A verdade é que não existe receita de bolo para derrotar o fascismo; cada país tem suas especificidades. A 1º Conferência Internacional Antifascista serviu como espaço de troca de experiências internacionais, na qual se buscou formular, organizar e pôr em prática nossa tarefa central. É a partir de espaços como a Conferência Antifascista que teremos melhores condições de construir uma estratégia que enterre, de vez, os governos autoritários.

Mas é verdade também que não se derrota o fascismo com voto: a derrota acontecerá nas ruas e nos territórios, com o povo organizado e ocupando um lugar que é historicamente nosso. Ao mesmo tempo em que existe opressão, existe resistência, a exemplo dos trabalhadores estadunidenses que estão construindo um movimento histórico de massas com a campanha “No Kings”, marchando de norte a sul do país contra as políticas imperialistas de Trump. Na Argentina, a greve geral contra o projeto fascista de Milei registrou uma paralisação de 90% das atividades econômicas.

Em todo o mundo, há levantes por uma Palestina Livre Já e contra o genocídio de Israel. É por esses e outros exemplos mundo afora que voltamos, pós-conferência, mais fortes para nossos territórios, conscientes de que a tarefa central da nossa geração é a derrota do fascismo.Para nós, a Conferência Antifascista foi um momento de encontro nacional e internacional, materializado na atividade auto-organizada que realizamos no sábado pela manhã, dia 28/03. A atividade, que teve como mote a problematização de como transformar as salas de aula e os territórios em espaços antifascistas, contou com mais de cem pessoas, militantes da Rede Emancipa e interessados na educação popular.

Socializamos as nossas experiências locais e internacionais, colocamos a necessidade de afirmar a nossa identidade latinoamericana e a solidariedade internacional frente ao imperialismo e compartilhamos diversas histórias de vida com as quais o nosso movimento pode contribuir.

No domingo, dia 29/03, realizamos uma roda de conversa no nosso espaço que fica no Centro de Porto Alegre, animada por um café da manhã. A partir das falas, reafirmamos o papel estratégico da nossa educação popular e encaminhamos questões a serem desenvolvidas pelo conjunto do movimento, como a construção dos 20 anos da Rede Emancipa que acontecerá no Rio de Janeiro.

Dentre todas as ferramentas necessárias de luta contra a extrema-direita mundial, a educação é um dos alicerces fundamentais capaz de construir um mundo novo a partir da compreensão coletiva dos problemas que vivemos no dia a dia – como a violência policial contra a juventude negra e os casos de violência contra as mulheres que crescem liderados pelo movimento Red Pill – e a necessária superação das estruturas que os alimentam.

A Rede Emancipa faz parte das trincheiras de luta que buscam, a partir da educação popular, construir coragem coletiva para enfrentar os grandes e poderosos comandantes do fim do mundo. Assim, a valorização da educação como espaço de trocas e humanização das relações permite fugir à lógica de ranking de aprendizagem vendida pelas fundações e pelos institutos empresariais. Ao contrário, nosso horizonte é afirmado no direito ao acesso à educação, com suas singularidades de norte à sul de um país diverso e profundo, permeado pela tarefa geracional de derrota do fascismo. Nesse sentido, somos construtores de cursinhos populares a partir da pedagogia freireana e visamos ajudar na trajetória de centenas de estudantes das periferias brasileiras rumo ao ensino superior, pois acreditamos que as universidades públicas devam ser pintadas de povo e a ciência brasileira deve ser guiada por ele, driblando uma história de objetificação da base social brasileira por parte de uma elite intelectual branca.

Entretanto, nossa estratégia é revolucionária: existimos com a garra de que um dia não seja mais necessário ter o funil dos vestibulares para o acesso ao ensino superior, para que o Ministério da Educação não seja tomado pela rifa da educação em um balcão de negócios de empresários que visam lucros milionários, e, dentre tantas outras batalhas, para que o capitalismo deixe de existir e de pautar a vida pela miséria do possível com empregos precarizados e catástrofes climáticas.

Se o fim do mundo está sendo agitado por aqueles que contam quantos dias faltam para que não haja mais vida na Terra, fazemos parte dos que não aceitam o cronômetro de que há mais nada a ser feito. Ousamos enfrentar as batalhas para a construção de um mundo novo, longe das opressões e das amarras do capitalismo, fazendo da educação popular nossa arma revolucionária.


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