Governo avança para pôr fim à escala 6×1
escala_6x1

Governo avança para pôr fim à escala 6×1

Proposta de jornada 5×2 com 40 horas semanais, sem corte de salário, ganha força no Congresso e responde ao desgaste histórico imposto aos trabalhadores

Redação da Revista Movimento 6 abr 2026, 16:12

Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu avançar com uma das pautas mais sensíveis para a classe trabalhadora: o fim da escala 6×1. Um projeto de lei com urgência constitucional deve ser enviado ao Congresso Nacional ainda neste mês, propondo a adoção da escala 5×2 – cinco dias de trabalho para dois de descanso – e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

A iniciativa representa uma resposta direta a uma demanda histórica dos trabalhadores brasileiros e do movimento sindical, que há décadas reivindicam melhores condições de trabalho e mais tempo para a vida fora do emprego. Nos últimos anos, o tema ganhou novo fôlego com a mobilização de parlamentares como Erika Hilton e Rick Azevedo, além da pressão crescente nas redes sociais.

A proposta do governo será enxuta, focada nos pontos centrais, como forma de evitar alterações que desidratem seu conteúdo no Congresso. A estratégia também busca garantir que o Executivo tenha poder de veto sobre eventuais mudanças que prejudiquem os trabalhadores – algo que não ocorreria no caso de uma proposta de emenda constitucional.

O apoio popular à medida é expressivo. Segundo pesquisa do Datafolha, 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1, índice que chega a 83% entre jovens. O tema, inclusive, atravessa divisões políticas, mostrando que o desgaste causado por jornadas extensas é uma realidade compartilhada por grande parte da população.

O peso da 6 x 1

A escala 6×1 – que prevê apenas um dia de descanso semanal – é amplamente criticada por especialistas em saúde do trabalho. Estudos da Organização Internacional do Trabalho indicam que jornadas prolongadas estão associadas ao aumento de doenças físicas e mentais, como estresse crônico, ansiedade e síndrome de burnout. Além disso, a falta de tempo para descanso e convivência familiar impacta diretamente a qualidade de vida, dificultando o cuidado com os filhos, o acesso à educação e até a participação social e política.

No Brasil, essa realidade é ainda mais dura para trabalhadores de setores como comércio e serviços, onde a escala 6×1 é comum. Longas jornadas, baixos salários e deslocamentos exaustivos agravam a sobrecarga, especialmente para mulheres, que acumulam trabalho doméstico e de cuidado. O resultado é um ciclo de desgaste que afeta não apenas o indivíduo, mas toda a estrutura familiar.

A mudança para a escala 5×2 e a redução da jornada para 40 horas semanais seguem uma tendência internacional. Países europeus e experiências recentes em empresas ao redor do mundo apontam que jornadas menores podem aumentar a produtividade, reduzir o absenteísmo e melhorar o bem-estar dos trabalhadores, sem prejuízo econômico. Relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que países com jornadas mais curtas tendem a ter maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Ao apostar na urgência constitucional, o governo tenta acelerar a tramitação e evitar que a proposta seja esvaziada por pressões de setores empresariais contrários à mudança. A intenção é que ao informar a população da existência dessa medida, ela se mobilize a favor da medida para pressionar a sua aprovação”.

Mais do que uma disputa legislativa, o fim da escala 6×1 se consolida como uma pauta de disputa social. Ao colocar no centro do debate o direito ao descanso, à convivência familiar e à dignidade no trabalho, a proposta recoloca a necessidade de reorganizar o tempo de vida da classe trabalhadora – historicamente subordinado à lógica do lucro.


TV Movimento

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo

Global Sumud Flotilla: Por que tentamos chegar a Gaza

Importante mensagem de três integrantes brasileiros da Global Sumud Flotilla! Mariana Conti é vereadora de Campinas, uma das maiores cidades do Brasil. Gabi Tolotti é presidente do PSOL no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete da deputada estadual Luciana Genro. E Nicolas Calabrese é professor de Educação Física e militante da Rede Emancipa. Estamos unindo esforços no mundo inteiro para abrir um corredor humanitário e furar o cerco a Gaza!
Editorial
Israel Dutra | 01 abr 2026

1ª Conferência Antifascista: uma vitória política

Reunindo milhares de pessoas e delegações de mais de 40 países para debater a luta antifascista e anti-imperialista, posicionando mais uma vez Porto Alegre na vanguarda da luta internacional
1ª Conferência Antifascista: uma vitória política
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores