Os Estados Unidos em tensão máxima

Os Estados Unidos em tensão máxima

Os Estados Unidos atravessam um momento de intensificação dos conflitos internos, na esteira dos acontecimentos em Minneapolis

Estados Unidos Hoje da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco

            Entre a sexta-feira (23) e agora, enquanto uma frente fria atingia o país, houve uma sucessão de fatos políticos.

            Em 23 de janeiro, foram convocadas manifestações em rechaço ao assassinato de Renee Good e ao terrorismo praticado pelo ICE em Minneapolis. O dia apresentou diferenças qualitativas em relação a outras datas de mobilização. Primeiramente, os protestos ocorreram em um dia de semana, a sexta-feira. Também se concentraram nas pautas específicas de justiça para Renee Good, saída do ICE de Minneapolis e abolição do órgão, que hoje atua como polícia política de Trump. Finalmente, o evento trouxe à tona a ideia de “greve geral” como resposta ao avanço autoritário no país.

            A convocação do dia 23 de janeiro partiu de sindicatos, líderes comunitários e movimentos de Minneapolis. A palavra de ordem para mobilização era “No work, no school, no shopping” [“Sem trabalho, sem escola, sem compras”], ou seja, um amplo dia de paralisações, boicotes e protestos. Em outras palavras, uma greve geral, uma experiência que os Estados Unidos não têm desde os anos 1930.  

            Relatos apontam que a adesão foi massiva. Cerca de 100 mil pessoas marcharam na cidade sob um frio de -23 graus Celsius. 700 pequenos negócios não abriram as portas. Protestos se espalharam ao longo do dia por locais estratégicos de transporte e comércio, denunciando grandes corporações que colaboram financeiramente com o ICE.100 líderes religiosos foram presos enquanto praticavam desobediência civil no aeroporto da cidade.

            A data se nacionalizou, com 250 protestos no país. Em Nova York, as ruas foram tomadas por mais de dez mil manifestantes, com forte presença de sindicatos e trabalhadores organizados, como professores de ensino escolar e universitário, trabalhadores do setor de serviços, logística e saúde, além da juventude.

            Portanto, a greve geral de Minneapolis, com solidariedade nacional, marcou a conjuntura. Mas um novo fato político ocorreria no dia seguinte (24), logo de manhã.

            Indiferentes aos protestos e à fúria social, agentes do ICE assassinaram outro ativista nas ruas de Minneapolis. Seu nome era Alex Pretti, cidadão americano de 37 anos, enfermeiro em uma unidade de atendimento a veteranos das forças armadas dos Estados Unidos. O novo assassinato seguiu roteiro semelhante ao de Renee Good. Pretti, assim como Good, era um ativista anti-ICE que agia pacificamente para defender as comunidades atingidas pela repressão e para denunciar as práticas da polícia política de Trump. O assassinato aconteceu de forma covarde. E mais uma vez, contrariando os vídeos do crime que circulavam nas redes sociais e na grande mídia, autoridades federais e Trump se apressaram para caluniar a vítima e absolver os assassinos. Outra vez, impediram acesso das autoridades locais (municipais e estaduais) às investigações.

            No próprio dia 24, protestos de emergência aconteceram em Minneapolis e nacionalmente. Já no domingo (25), a maior nevasca dos últimos 10 anos atingiu 2/3 do país e dificultou a continuidade das mobilizações. Mas o escândalo gerado pelo assassinato de Pretti pautou a mídia tanto quanto o evento climático. Diferentemente do momento após o assassinato de Good, agora uma maior mobilização na superestrutura parece querer parar a barbárie, temendo que ela se torne incontrolável. Nisso, incluem-se alguns políticos republicanos, pesos-pesados democratas, como o ex-presidente Barack Obama, a mídia e alas do setor privado assustadas pela experiência da greve geral e pela expansão das campanhas de boicote.

Na justiça federal, corre uma ação para obrigar Trump a retirar o ICE da cidade, assim como, semanas atrás, o governo federal foi obrigado a retirar a Guarda Nacional de Chicago. Por outro lado, Trump não sinaliza recuo. Além de continuar caluniando as vítimas e impedindo investigações, na segunda-feira (26), ele anunciou o envio de Tom Homan, conhecido como o “czar das fronteiras”, para Minneapolis. A Casa Branca segue confrontando e determinando investigações contra o prefeito, o governador e outras autoridades locais do município.  

As reações na superestrutura nada mais são do que um reflexo da força demonstrada pela sociedade a partir de baixo. O nível de organização social em Minneapolis, combinando mobilizações amplas com ações diretas nas localidades, é um exemplo para todo o país. O dia 23 de janeiro deu materialidade à ideia de “greve geral”, antes apenas uma agitação abstrata. Ao mesmo tempo, as saídas negociadas e o apelo ao bom-senso têm cada vez menos espaço na política estadunidense.

Por essas razões, mais lutas e ações serão necessárias e devem ocorrer nos próximos dias.   


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