Caso Master: oposição pede impeachment de Ibaneis
O PSOL lidera ofensiva política para responder à atuação temerária do governo do DF, defendendo transparência, probidade e proteção do patrimônio público diante de graves suspeitas no BRB
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A oposição no Distrito Federal formalizou, no dia 23 de janeiro, dois pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) por crimes de responsabilidade supostamente cometidos em negociações entre o banco público BRB e o Banco Master — uma instituição que entrou em liquidação após graves irregularidades financeiras. Os pedidos foram apresentados por PSB, Cidadania e PSOL-DF, sendo que a sigla de esquerda protocolou sua representação com assinaturas da presidenta regional Giulia Tadini e dos deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.
O documento do PSOL aponta indícios de improbidade administrativa e mau uso de recursos públicos, ao acusar Ibaneis de impulsionar e defender publicamente uma operação de risco elevada envolvendo uma instituição privada sob forte suspeita, o que poderia deslocar riscos indevidos para a esfera pública e comprometer o patrimônio do BRB e do Distrito Federal.
Paralelamente, o gabinete do deputado Fábio Félix pediu ao Ministério Público Federal (MPF) a abertura de investigação contra o governador, solicitando também o bloqueio de seus bens, alegando que o avanço da transação ocorreu mesmo diante de alertas regulatórios e de rejeição do Banco Central.
O escândalo Master: o que está em jogo
O caso envolve o Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, foi citado em depoimento à Polícia Federal ao afirmar que tratou “algumas vezes” com Ibaneis Rocha sobre a possível venda do Master ao BRB, o banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.
Investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que o BRB teria adquirido carteiras de crédito do Master sem lastro, com suspeita de ativos que não tinham garantias reais de pagamento — o chamado “papel podre” — envolvendo até cerca de **R$ 12 bilhões em irregularidades financeiras.
Após a tentativa de compra ser barrada pelo Banco Central, a instituição financeira foi colocada em liquidação extrajudicial, e ex-executivos, incluindo o então presidente do BRB, foram afastados e investigados.
Ibaneis nega ter tratado da operação com Vorcaro e afirma que as negociações foram conduzidas pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ele admitiu encontros sociais com o banqueiro, inclusive um almoço em sua casa, mas alegou que não discutiu operações relacionadas ao banco.
O que dizem as investigações
Não há, até o momento, provas públicas finalizadas de laços escusos jurídicos entre Ibaneis e operadores do Banco Master, mas as investigações em curso levantam sérias questões de governança e transparência quanto à atuação política do governador apoiando uma operação de elevado risco com recursos públicos.
Relatórios de órgãos reguladores e de fiscalização relataram falhas de governança, compra de ativos de baixa qualidade e origens questionáveis, além de transferências ao Master que são alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta.
Diante disso, além do pedido de impeachment, a oposição também articula uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar integralmente o escândalo do Master e do BRB – embora a CPI esteja mais avançada na Câmara dos Deputados por meio de iniciativas como a do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), que recolheu assinaturas para instalação de uma CPI federal.
Como deve tramitar o impeachment na CLDF
O processo de impeachment tem um rito definido pela legislação distrital e federal. Primeiramente, o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) – atualmente o distrital Wellington Luiz (MDB), aliado político de Ibaneis – precisa aceitar formalmente os pedidos e submetê-los à leitura em plenário após o fim do recesso, previsto para 2 de fevereiro.
Se a denúncia for aceita, será criada Comissão Especial com representação proporcional de partidos, que tem até 48 horas para se instalar e até dez dias para emitir um parecer. Esse parecer será votado em plenário, com períodos de discussão definidos e direito de defesa para o acusado. A continuidade do processo depende da aprovação por 2/3 dos deputados distritais.
Resposta popular e política
Para partidos de esquerda, entidades de controle social e movimentos em defesa da transparência, o pedido de impeachment expressa a necessidade de conter a ambição desmedida, a arrogância política e a postura prepotente com que Ibaneis Rocha tem conduzido o governo do Distrito Federal. Ao tratar o patrimônio público como instrumento de projetos pessoais e alianças privadas, o governador teria ultrapassado limites institucionais elementares, colocando em risco recursos que pertencem à população.
O PSOL sustenta que a operação envolvendo o Banco Master revela “omissão dolosa e conivência” com uma lógica de gestão temerária, na qual alertas técnicos e regulatórios foram ignorados em nome de decisões políticas autoritárias e irresponsáveis. Para o partido, punir gestores que operam o Estado como balcão de negócios é condição indispensável para preservar o erário, restaurar a confiança pública e afirmar que cargos de poder não conferem licença para a imprudência nem para o desprezo às normas da administração pública.