Críticas a Trump por democratas e republicanos aumentam enquanto seu apoio cai
Em todo o país, comunidades estão se organizando e voltarão a se manifestar em 28 de março
Foto: Protesto No Kings em Nova York. (Kamil Krzaczynski/GI)
Durante o primeiro ano de seu segundo mandato, o presidente Donald Trump teve controle praticamente absoluto sobre o Partido Republicano. Ninguém o criticava, seja porque concordava com suas políticas autoritárias e de extrema direita, seja porque temia que, ao levantar a voz, veria sua carreira ser destruída.
Agora as coisas mudaram. Republicanos passaram a criticar suas políticas de deportação de imigrantes, suas postagens racistas e sua ameaça de assumir o controle do processo eleitoral. Ao mesmo tempo, o apoio a Trump está em queda, como mostram as pesquisas. Trump e os republicanos temem — e muitos democratas acreditam — que eles possam perder a próxima eleição de meio de mandato, em 3 de novembro de 2026.
O ponto de inflexão foi o assassinato, em Minneapolis, da enfermeira Alex Pretti pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), visível para todo o país em vídeos do ocorrido filmados por transeuntes. O assassinato de Pretti obrigou Trump a afastar o pretensioso e sádico Gregory Bovino, que estava à frente da operação de deportação do ICE na cidade, substituindo-o pelo “czar da fronteira” Tom Homan, além de retirar 700 dos 3.000 agentes federais que atuavam ali. Ainda assim, o ICE continua suas operações em Minneapolis e em outras cidades do país, enfrentando resistência em todos os lugares.
A opinião pública norte-americana ficou horrorizada e indignada com o ICE e seus ataques violentos tanto contra imigrantes quanto contra cidadãos dos EUA. Hoje, de acordo com pesquisas recentes, 65% dos americanos dizem que o ICE foi longe demais. Essa visão é compartilhada por 95% dos democratas, 71% dos independentes e 27% dos republicanos. Além disso, 50% dos entrevistados afirmam que o ICE os faz se sentir menos seguros, enquanto apenas 22% acreditam que ele aumenta a segurança. Vale destacar que cerca de 57% das mulheres, um segmento crucial do eleitorado, sentem-se muito menos seguras. O apoio a Trump permanece em 39%, sua taxa habitual, mas agora — e isso é algo novo — 51% o desaprovam fortemente.
Recentemente, Trump publicou um vídeo na internet, baseado em “O Rei Leão”, que o mostrava como o rei da selva, mas retratava tanto o ex-presidente Barack Obama quanto a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A representação de pessoas negras como macacos é um antigo estereótipo racista que remonta aos tempos da escravidão e ao período das leis Jim Crow de privação de direitos, segregação e linchamentos, e que serviu para desumanizar os afro-americanos. Tanto democratas quanto republicanos condenaram duramente a postagem. O senador Tim Scott, o único senador negro do Partido Republicano, geralmente um seguidor leal de Trump, disse que esperava que a postagem fosse falsa, “porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”. Mas não era falsa: Trump ou um de seus assessores realmente a publicou. Após as críticas, ele foi forçado a removê-la — mas se recusou a pedir desculpas.
Gerando ainda mais críticas, Trump declarou recentemente: “Nós [o Partido Republicano] deveríamos assumir o controle da votação, da votação em pelo menos muitos — 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação”. Trump afirma que, em estados e cidades governados pelo Partido Democrata, como Filadélfia, Atlanta e Detroit, as eleições são corruptas. Em outros momentos, ele reclama que, com o apoio do Partido Democrata, imigrantes que não são cidadãos estariam votando. Na realidade, há pouquíssima fraude eleitoral nos Estados Unidos e o voto de não cidadãos não é um problema. Pela Constituição dos EUA, os estados administram as eleições, e o presidente dos Estados Unidos não tem absolutamente nenhum papel nisso. Alguns republicanos também criticaram Trump por dizer que o governo federal deveria administrar as eleições. Há o temor de que Trump possa declarar um estado de emergência nacional no momento da eleição, embora a lei determine que nenhum “soldado ou homem armado” possa estar presente nos locais de votação.
Trump está pressionando — e nós também. Em todo o país, as pessoas estão se organizando contra o ICE em suas comunidades, planejando defender suas eleições e voltarão a se manifestar em 28 de março, proclamando: Stop ICE! e No Kings!