Caso Master: a mala entregou o esquema
Caso Master

Caso Master: a mala entregou o esquema

Nova fase da Operação Barco de Papel apura desvio de recursos de fundos previdenciários e tentativa de esconder dinheiro em espécie. Na ação, mala com dinheiro foi jogada pela janela, diz PF

Redação da Revista Movimento 11 fev 2026, 11:29

Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (11) uma nova fase da Operação Barco de Papel, aprofundando as investigações sobre a fraude envolvendo o Banco Master e o uso de recursos bilionários de fundos públicos de previdência. A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, autorizados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

O episódio mais emblemático da operação ocorreu quando agentes da PF chegaram a um dos endereços alvos da investigação: uma mala contendo dinheiro em espécie foi jogada pela janela do apartamento, numa tentativa explícita de ocultar provas. Segundo a corporação, além do montante em dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois smartphones.

As buscas têm como foco Deivis Marcon Antunes, ex-chefe da Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. Antunes foi preso na semana passada, inicialmente de forma temporária, por suspeita de obstrução de Justiça e ocultação de provas. Posteriormente, sua prisão foi convertida em preventiva. Também foi decretada a prisão preventiva de Rodrigo Schmitz, enquanto Rafael Schmitz, irmão dele, foi colocado em liberdade.

Segundo a PF, os irmãos Schmitz teriam participado da retirada de bens e veículos de luxo de um imóvel ligado a Antunes logo após o avanço das investigações, numa tentativa de esvaziar o patrimônio que poderia ser apreendido pela Justiça.

O que é o Caso Master

O chamado Caso Master envolve a aplicação de recursos públicos de fundos de previdência estaduais em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central. Apenas a Rioprevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões entre novembro de 2023 e julho de 2024. Já a Amprev, fundo previdenciário do Amapá, aportou aproximadamente R$ 400 milhões.

Para a PF, há indícios de gestão temerária, favorecimento indevido e crimes contra o sistema financeiro nacional, além de possível articulação política para viabilizar os aportes em um banco que já apresentava sinais de fragilidade.

Um dado central do inquérito é que, tanto na Rioprevidência quanto na Amprev, os dirigentes eram indicações políticas do União Brasil. No Rio de Janeiro, Deivis Antunes foi indicado por Antônio Rueda, presidente nacional do partido. No Amapá, a indicação teria partido do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal.

Prisões e desdobramentos

Até o momento, além de Antunes e Rodrigo Schmitz, outras pessoas próximas aos investigados foram alvo de medidas cautelares. A PF afirma que esta terceira fase da operação tem como objetivo recuperar bens, valores e objetos retirados de imóveis já alvos de buscas anteriores, evidenciando uma tentativa sistemática de dificultar o trabalho investigativo.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que os mandados foram expedidos “com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas”.

A defesa de Deivis Antunes informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a nova fase da operação.

Toffoli e Ibaneis no entorno do escândalo

O avanço do Caso Master também lança sombras sobre figuras centrais da República. O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli aparece em situação delicada após vir à tona que seus irmãos teriam sido sócios de um resort de luxo financiado com recursos vinculados ao Banco Master, além de sua relação com advogados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição.

Já o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta questionamentos sobre relações políticas e institucionais com personagens centrais do banco e do sistema financeiro investigado, num contexto em que Brasília se consolida como ponto de articulação entre interesses privados e decisões de alto impacto estatal.

Embora nenhum dos dois seja alvo formal da Operação Barco de Papel até o momento, observadores avaliam que o caso expõe a promiscuidade estrutural entre o sistema financeiro, fundos públicos e o poder político, um padrão recorrente de socialização dos prejuízos e privatização dos lucros.


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