Odiar o termo “povos indígenas” é apagar a cultura e história de nossos povos

Ministro odeia o termo porque somos guardiões da natureza.

Heloise Rocha 24 maio 2020, 15:20

O ministro da educação Abraham Weintraub declarou, durante a reunião ministerial cujo vídeo foi divulgado nesta sexta-feira dia 22/05/2020, que odeia o “termo povos indígenas”. De uma forma bastante racista, o que ele demonstra infelizmente não é surpresa para ninguém que conhece sua índole neofascista; porém, faz nos atentarmos para o que de fato ele reconhece como “povo brasileiro” ao dizer em alto e bom som que odeia termo “povos indígenas”.

A tentativa de homogeneização do “povo brasileiro” não é recente, ela tem base num processo histórico de tentar embranquecer a população brasileira e promover o apagamento étnico e racial. Uma tendência que tem raízes profundas na eugenia, teoria bastante difundida em projetos fascistas. Ao não reconhecer os “povos indígenas” e demais grupos identitários, se nega o reconhecimento desses povos como seres humanos, com diferentes saberes, histórias, culturas e, principalmente, direitos.
Direitos estes que são negados por esse governo neofascista mesmo antes das eleições. O governo Bolsonaro odeia os povos indígenas porque fomos os primeiros a nos levantar contra esse governo, no Janeiro Vermelho, com a Campanha “Sangue Indígena Nenhuma Gota a Mais”, que foi uma grande mobilização por nossos direitos; nesta Campanha também foi organizada pela Articulação dos povos Indígenas do Brasil – APIB uma grande caravana pela Europa para denunciar a grande “cruzada” neofacista que estava sendo travada contra os povos originários no Brasil. Depois disso, seguimos sendo atacados, mas também resistindo aos ataques e denunciando nacional e internacionalmente a violação de direitos que povos indígenas vêm sofrendo nesse desgoverno Bolsonaro.

O que o ministro odeia nos povos indígenas é a sua diversidade, ele odeia reconhecer que os povos indígenas têm direitos naturais sobre suas terras e que nós somos os verdadeiros protetores delas; ele odeia 305 etnias que falam mais 274 línguas diferentes e ele odeia a pluralidade das culturas indígenas, que produzem ciências, arte, literatura, música, religião e saberes repassados principalmente pela oralidade. Ele odeia os povos indígenas porque resistimos a 520 anos de extermínio, ele odeia a nossa (r)existência contra o colonizador. A colonização não acabou, estamos aí defendendo nossa cultura, nossa terra, o nosso modo de viver e de nos relacionar com a mãe terra.

Precisamos entender que o Brasil é formado por uma diversidade de povos e que é preciso sim afirmar POVOS INDÍGENAS e, quando Weintraub e Bolsonaro negam a diversidade, o que verdadeiramente eles querem é impor um único projeto econômico capitalista, predatório, voraz que despreza qualquer tipo de projeto que seja diferente desse!

Ele odeia o termo POVOS INDÍGENAS porque somos guardiões da natureza e, por isso, nós seguiremos ainda mais vivos e na luta contra os predadores da terra mãe! Surara!

#BrasilTodoéTerraIndígena

#NossoDireitoéOriginário


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!