Unir a luta antifascista e antirracista para derrotar Trump e Bolsonaro
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Unir a luta antifascista e antirracista para derrotar Trump e Bolsonaro

Estaremos somados às lutas para unificar as duas grandes bandeiras que a juventude e o povo brasileiro levam às ruas neste domingo: a de que vidas negras importam e a da luta antifascista.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 5 jun 2020, 20:50

Enquanto o mundo discute a suposta volta à normalidade, uma rebelião da negritude comove o mundo. São 10 dias de intensos protestos, pelas principais cidades dos Estados Unidos, pela memória e justiça para George Floyd e com a bandeira “Vidas Negras Importam”.

A denúncia da violência policial, com a cena do brutal assassinato de Floyd sendo registrada, capturando suas últimas palavras, de “não consigo respirar”, frase comum no verdadeiro genocídio que a juventude negra sofre nos Estados Unidos e no mundo, abriu uma nova conjuntura. Pela revolta da negritude, denunciaram-se também as condições desiguais nas periferias dos Estados Unidos, um dos epicentros de contágios e mortes pela Covid-19, onde morrem muito mais negros e pobres.

Há uma nova situação em meio à pandemia, na qual o principal representante da extrema-direita no mundo é confrontado por milhões. Esse cenário impacta diretamente o Brasil, também epicentro da pandemia, governado por Bolsonaro. Nesse breve editorial, queremos afirmar a importância histórica dos eventos que ocorrem nos Estados Unidos e inspiram jornadas mundiais.

Em memória de George Floyd: viva a rebelião negra nos Estados Unidos!

Há um antes e um depois do levante popular da negritude nos Estados Unidos. Como bem escreveu Josemar Carvalho em artigo na Revista Movimento:

“O movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) foi o principal organizador de uma onda de protesto que espalharam pelo mundo. O governo da extrema direita de Donald Trump fez seu papel de lacaio do racismo e vem reprimindo duramente as manifestações. Numa delas, a polícia agrediu e prendeu um jornalista negro da emissora de TV CNN, enquanto com seu com colega jornalista branco nada acontecia. É a face do racismo estrutural que ocupa as instituições e os aparatos repressivos.

Mas o nosso povo negro, que significa 13% da população dos EUA, não se intimidou. O perfil autoritário o chefe de Estado da principal potência do planeta, Donald Trump, não impediu que ele tivesse que se proteger no bunker subterrâneo da Casa Branca contra as mobilizações. Um fato inédito na história norte americana”.

Trump dobrou a aposta, propondo colocar a Guarda Nacional na rua para “atirar” contra os manifestantes. Isso gerou ainda mais revolta, massificada em diversas figuras da sociedade. Policiais se somaram aos protestos, figuras do esporte entraram na campanha e boa parte dos políticos democratas tiveram que declarar apoio às diversas concentrações. A filha do prefeito Bill de Blasio, de Nova York, foi detida num protesto. O próprio Partido Republicano dividiu-se, com parte do setor mais duro, como o ex-secretário de Defesa James Mattis rompendo publicamente com Trump. A vitória das ruas, com a negritude à frente, já fez Trump e a extrema-direita dar um passo atrás. Desafiando o toque de recolher, ninguém se intimidou pelas ameaças de Trump.

O movimento “Vidas Negras Importam” espalhou-se pelo mundo: Paris, Londres e outras capitais em todo o mundo registraram protestos com força. Uma pequena ilustração da força das manifestações foi a decisão, da prefeitura de Washington D.C., de renomear uma das principais ruas de acesso à Casa Branca de “Black Lives Matter Plaza”.

No Brasil, os desdobramentos ainda estão iniciando-se. Motivos não faltam para a revolta expandir-se. O governo genocida de Bolsonaro promove uma linha que leva à morte. Nas periferias, as PMs seguem matando jovens e negros, como se viu no assassinato do menino João Pedro, em São Gonçalo (RJ).

Nossas tarefas

Trump, mesmo debilitado, critica Bolsonaro. O governo segue aferrado à linha de atacar os manifestantes e, na última semana, a temperatura política esquentou. Sem gestão coerente do Ministério da Saúde, o Brasil já se tornou, com todas as subnotificações, o terceiro país em mortes, mesmo com as manobras do governo, que decidiu mudar critérios e horário da divulgação dos boletins numa tentativa de confundir e sabotar o trabalho da imprensa.

As manifestações do último domingo, 31 de maio, levaram a polarização de volta às ruas, com as torcidas organizadas somando forças numa manifestação na Avenida Paulista, que, apesar das provocações, acabou sendo um contundente pronunciamento antifascista. Na esteira dos protestos estadunidenses, Curitiba e Manaus foram às ruas, com respectivamente três e duas mil pessoas nas caminhadas. No Recife, a brutal morte do menino Miguel, na casa da patroa de sua mãe, revoltou o país, com protestos acontecendo na orla da cidade contra mais esta face do genocídio da negritude.

Diante dessa situação polarizada e na qual Bolsonaro se radicaliza e se isola, as lutas começam a ganhar terreno. Deputados bolsonaristas ameaçam ativistas, intimidam e buscam fazer a oposição recuar. Protestos de pequenos comerciantes em Pelotas (RS), lutas de professores no norte do país, entregadores do Rappi em São Paulo: vários são os exemplos de lutas de trabalhadores essenciais. Os problemas da questão sanitária são reais. Os atos devem ter cuidado e levar em conta os problemas de contágio, com as garantias e recomendações da OMS. Um setor da oposição tem levantado dúvidas e atuado para desmontar a organização das manifestações.

Nós defendemos a organização e atuação nos atos, para enfrentar, no terreno das ruas, os fascistas e seguidores do governo. Para disputar as ruas, atuaremos com disciplina e organização para evitar provocações e infiltrados, estaremos somados às lutas para unificar as duas grandes bandeiras que a juventude e o povo brasileiro levam às ruas neste domingo: a de que vidas negras importam e a da luta antifascista. Assim, podemos acumular forças para derrotar Bolsonaro, o responsável pelo genocídio em curso no Brasil.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.