Luiz Fernando Souza Santos: presente!
Luiz Fernando Souza Santos

Luiz Fernando Souza Santos: presente!

A Covid-19 e o caos assassino dos governos levaram a vida de um grande professor, pai e militante socialista. Não nos esqueceremos de seu legado.

Executiva Nacional do MES/PSOL 12 mar 2021, 01:04

Na noite desta quinta-feira (11), recebemos a triste notícia do falecimento, em Manaus, de nosso camarada Luiz Fernando Souza Santos. Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFAM, dirigente da Adua, do PSOL e do MES no Amazonas, Luiz foi uma das mais de 270 mil vidas perdidas, no Brasil, para a Covid-19 e para o caos promovido por governos assassinos e pela sanha negacionista de empresários, arrivistas políticos e religiosos.

O Prof. Luiz Fernando foi um sociólogo, intelectual marxista brilhante, engajado na reflexão e produção acadêmica sobre a teoria sociológica, a Amazônia e o Brasil. Em seu livro O Panóptico Verde (2014), resultado de seu mestrado em Ciências Sociais na UFAM (2002), realizou uma apropriação crítica do conceito de biopolítica para refletir sobre o que chamou de a “ambientalização da natureza amazônica” por meio de pesquisa sobre a criação do Parque Nacional do Jaú. Em seu doutorado, na Unicamp (2018), Luiz refletiu sobre o lugar da Amazônia no pensamento marxista brasileiro: podem-se ler algumas de suas conclusões em “Lógica Marxista e Amazônia em tempos de Bolsonaro”, artigo para a Revista Movimento n. 16. Nele, fica nítida a marca do seu pensamento: o rigor e a capacidade crítica de mãos dadas com seu compromisso com as lutas de nosso povo. Além de dirigente sindical e político, em 2018, Luiz foi candidato a senador do Amazonas pelo PSOL, quando obteve 27,5 mil votos com uma campanha militante.

“Passamos em Manaus por dias de turbilhão. Fomos lançados no olho do furacão das consequências mais letais da pandemia pelo Sars-Cov-2. Minha escrita mesma é construída agora sob o sopro da morte, que atingiu minha família e atinge os lares da cidade. Mas, onde estão as determinações das condições em que nos encontramos?”.

Com estas palavras, Luiz iniciava um artigo recente de sua coluna no site de nossa revista, apenas uma semana antes de descobrir-se contaminado pela segunda vez e após já ter perdido a cunhada e a sogra para a doença. Luiz denunciava, no artigo, os governos David Almeida, Wilson Lima e Bolsonaro pelo colapso da saúde amazonense e pelas mortes. Nosso camarada infelizmente não sabia que denunciava o descaso criminoso que também retiraria sua própria vida.

Aos 56 anos, Luiz Fernando deixa sua esposa Houry Karla, o filho Lucas e as filhas Larissa Fernanda e Rebecca, a quem mandamos nosso abraço, nossos sentimentos e nosso pesar. Guardaremos de nosso camarada as melhores lembranças de sua inteligência e camaradagem. Quando Luiz cursava doutorado na Unicamp, sua filha Larissa, nossa companheira, começou a militar no Juntos. Pensador inquieto, ele quis saber melhor quem eram aqueles jovens e sua elaboração teórica. Luiz, um trotskista que ainda via com desconfiança as organizações, encontrou-se com o MES, tornou-se convicto de que conosco iria militar e assim o fez até o final da vida. Sua perda não será em vão. Combateremos os responsáveis pelas mortes de nosso povo e lutaremos para honrar seu legado teórico, seu compromisso com os trabalhadores, o movimento indígena e os demais movimentos que atuam em defesa dos povos da Amazônia. Luiz Fernando Souza Santos: presente! Até o socialismo sempre, camarada!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.