Popularidade de Lula continua caindo apesar da defensiva de Bolsonaro
Resultado de pesquisa confirma crise de popularidade no governo mesmo com Bolsonaro no banco dos réus
Foto: Presidente Lula. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (02/04) confirmou outros dados sobre a grande queda de popularidade do governo Lula nos últimos meses. Segundo a pesquisa, a avaliação negativa do governo saiu de 37% em janeiro para 41% agora, enquanto a positiva teve queda de 31% para 27% no mesmo período. É o pior resultado da série histórica iniciada em 2023 e, segundo outras pesquisas, os patamares são os piores para Lula na comparação com todos os seus governos.
Isso acontece em um momento onde Jair Bolsonaro – principal liderança da extrema direita – vira réu no STF por atos golpistas e seu filho Eduardo literalmente foge para os EUA. Dividido sobre sua fórmula eleitoral em 2026, o bolsonarismo também demonstrou um fraco poder de convocatória na manifestação de março em Copacabana e não se encontra em momento de ofensiva contra Lula.
Ainda que muitos insistam que o problema da popularidade esteja somente na comunicação do governo ou na capilaridade do bolsonarismo, sua queda profunda está diretamente ligada à percepção cotidiana da população, que vê os preços dos alimentos explodirem ao mesmo tempo que os níveis da exploração do trabalho aumentam drasticamente. Quando o governo aumenta os juros, corta benefícios sociais e recusa qualquer tipo de planejamento público na distribuição de alimentos de primeira necessidade, os mais pobres são aqueles que sofrem diretamente suas consequências.
Mesmo em um momento difícil, a extrema direita se aproveita da crise de popularidade para preparar sua volta ao poder a partir dos alicerces bolsonaristas. Ao mesmo tempo, setores da direita conservadora se aproximam do governo de conciliação para manter as políticas de austeridade enquanto espoliam o Estado através da partilha do orçamento público, enquanto Lula continua sem garantias de seu apoio eleitoral.
Do lado dos trabalhadores, recentes lutas como o Breque dos Apps (a greve dos entregadores e entregadoras de aplicativos) ou o movimento contra a escala 6×1 se desenvolvem nessa mesma conjuntura e representam pautas que podem dar exemplos efetivos contra a extrema direita para uma grande maioria. Mas, ao que parece, Lula não está disposto a se comprometer com temas tão radicais e continua confiando seu futuro no mercado e no Centrão, algo que já deu errado antes.