A alternativa ao ódio e ao neoliberalismo é um programa que devolva dignidade ao povo
Em discurso no encontro estadual do PT gaúcho, Luciana Genro faz um chamado à unidade, coragem e programa para derrotar a extrema direita e o neoliberalismo no RS
Fotos: Bruna Porciúncula
Boa tarde a todos e todas, Olívio Dutra, [Paulo] Pimenta, Edegar [Pretto], em nome de vocês, saúdo a todos os petistas, militantes, que estão aqui hoje. Estou muito feliz aqui, acompanhada da nossa deputada federal Fernanda Melchionna, do Pedro Ruas, do nosso deputado líder da bancada, companheiro, combativo e lutador Matheus Gomes; Roberto Robaina, nosso vereador, líder e presidente do partido aqui em Porto Alegre. E, especialmente, a nossa mais nova e futura afiliada, e futura senadora do Rio Grande, Manuela D’Ávila. É uma alegria enorme. Eu sei que vocês estão com inveja que a Manuela veio para o PSOL, tem que estar mesmo. Nós estamos muito orgulhosos dessa escolha que ela fez.
Quero dizer para vocês que nós temos a convicção de que essas eleições a nível nacional e estadual serão um enorme desafio. Enfrentar a extrema direita, que segue resiliente mesmo com todas as falcatruas, e com as derrotas que eles sofreram nos últimos meses. Mesmo com a prisão do Bolsonaro, mesmo com a prisão dos militares golpistas, que é um momento histórico desse país que não fez justiça de transição – onde os generais golpistas e os agentes públicos que mataram e torturaram durante a ditadura civil e militar em 64 não responderam pelos seus crimes. Nós avançamos graças às forças vivas da defesa da democracia que existem no Brasil.
Mas a gente sabe que o fascismo é filho direto do capitalismo. Enquanto houver capitalismo, o fascismo continuará sendo uma presença latente, e as possibilidades de ele se desenvolver estão diretamente relacionadas a falta de respostas às demandas do povo, a falta de respostas ao problema do desemprego, da violência contra as mulheres, da falta de políticas públicas que, efetivamente, deem ao povo a força e a possibilidade de sobreviver dignamente. Por isso, nós precisamos dessa grande aliança para enfrentar a extrema direita, mas nós também precisamos debater um programa que possa fazer avançar a dignidade do nosso povo no Brasil.
Tivemos importantes vitórias nesse primeiro mandato do presidente Lula, mas vamos precisar avançar muito mais no próximo. E eu estou com muita esperança que a gente possa colocar a pauta da Tarifa Zero no centro do debate nacional. Que a gente possa colocar de forma ainda mais forte a pauta da tributação das grandes fortunas, dos bilionários pagarem pela crise, de mudanças em políticas econômicas que sacrificam a saúde, a educação, a assistência social, como o arcabouço fiscal.
E, aqui, no Rio Grande do Sul, nós não podemos repetir o erro da eleição passada, que foi a falta de confiança de que nós poderíamos vencer. Nós podemos vencer, nós vamos vencer, não só chegar ao segundo turno com o Edgar, mas nós podemos vencer a extrema direita e vencer os neoliberais representados pelo sucessor de Eduardo Leite. Porque eles não têm o discurso de ódio, mas têm as políticas neoliberais que fortalecem o discurso de ódio, que empobrecem o nosso povo e que fazem com que a extrema direita capitalize o descontentamento e a frustração com a situação econômica do país e do Estado.
Eduardo Leite levou o Rio Grande do Sul à bancarrota com os servidores vivendo em petição de miséria, com a saúde sem receber o que manda a Constituição, com policiais militares, da nossa Brigada Militar, vivendo constantemente assédio moral, e com uma Brigada dividida entre oficiais e soldados – com aqueles que carregam o piano sendo humilhados constantemente dentro dessa estrutura terrível que é a estrutura militarizada.
Nós precisamos dar respostas a isso, nós precisamos falar também com essa base social que é base ainda da extrema direita, mas que está sentindo, no dia a dia da sua vida, que o projeto neoliberal e da extrema direita não estão dando as respostas necessárias para a mudança na vida das pessoas.
E nós precisamos fortalecer a luta das mulheres. Não é pouca coisa que nós estamos vendo com o aumento dos feminicídios e da violência contra a mulher, com a política dos Red Pills, que incentivam o ódio e a violência contra as mulheres. Tivemos um, aí, agora preso, enquanto duas mulheres foram assassinadas por um adepto desse movimento lá no Rio de Janeiro, e constantemente as mulheres vivenciando essa terrível misoginia que perpassa – e que é resultado também desse modelo capitalista cruel que ensinou os homens que eles têm de ser provedores, que eles têm de ser os donos do campinho, que têm de ser os que comandam tudo. E as mulheres estão cada vez mais convencidas de que não vão deixar essa violência se perpetuar.
E é por isso que nós precisamos da Manuela no Senado, ao lado do Pimenta. Porque se Manuela já é bom, Manuela com Pimenta é melhor ainda! E nós precisamos dos dois lá, e precisamos dessa campanha casada, porque nós vamos garantir que o Rio Grande do Sul se vingue do que ocorreu na eleição passada, com a eleição desse general que nada fez para o Rio Grande do Sul, e que deixou a Olívio Dutra aqui na sua luta diária, sem a cadeira do Senado.
Então, companheirada, nós temos que avançar nessa construção. Como disse o companheiro do PCdoB, com muita responsabilidade e com muita discussão programática. Porque se nós podemos vencer, vão se apresentando propostas concretas que possam mostrar que nós temos uma alternativa para o Rio Grande do Sul – que não é nem a extrema direita e nem a continuidade do projeto neoliberal, mas uma alternativa que contemple os interesses da classe trabalhadora, das mulheres, das LGBTs, da negritude. Que é antirracista, que é anti-LGBTfóbica, que é antimachista, que é feminista e que é, pricipalmente, uma alternativa de classe que possa realmente resgatar os interesses do nosso povo e colocar as propostas que possam, efetivamente, fazer a diferença nesse momento tão importante da nossa luta contra a extrema direita em defesa dos direitos do nosso povo. Muito obrigada! O PSOL é parceiro nessa construção!