Projeto obriga agressor a custear apoio psicológico da vítima
Violêmcia contra a mulher

Projeto obriga agressor a custear apoio psicológico da vítima

Relatada por Sâmia Bomfim, proposta altera a Lei Maria da Penha, antecipa a responsabilização do agressor e fortalece o direito ao cuidado pós-violência

Redação da Revista Movimento 30 dez 2025, 07:00

Foto: Fotos Públicas

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que representa um avanço concreto no enfrentamento à violência doméstica no Brasil: a obrigação de que o agressor arque com os custos de atendimento psicológico e apoio psicossocial da vítima e de seus dependentes. A proposta, que segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), altera a Lei Maria da Penha e amplia o alcance da proteção às mulheres em situação de violência.

O projeto estabelece que essas despesas passem a integrar o conceito de “alimentos” previsto na legislação. Na prática, isso permite que o juiz determine o pagamento de forma imediata, ainda na fase de medidas protetivas, sem que a mulher precise aguardar o fim do processo criminal ou uma condenação definitiva. Trata-se de uma mudança central para garantir acesso rápido ao cuidado em saúde mental, frequentemente inviabilizado por custos elevados e pela demora judicial.

A versão aprovada é resultado de um substitutivo apresentado pela deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), relatora da matéria. O texto original previa o pagamento apenas após o trânsito em julgado da condenação, o que, na avaliação da parlamentar, criaria entraves jurídicos e atrasaria a reparação. Ao antecipar a responsabilização do agressor, a proposta evita conflitos entre as esferas penal e cível e fortalece o caráter reparatório da lei.

“O projeto reforça a dimensão reparatória e o direito ao cuidado pós-violência ao prever o ressarcimento integral das despesas médicas e psicológicas”, afirmou Sâmia Bomfim.

A aprovação ocorre em um contexto de grave escalada da violência de gênero no país. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.170 feminicídios, o que equivale a uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia. Em 2024, foram 1.492 casos. Na cidade de São Paulo, entre janeiro e outubro de 2025, foram contabilizados 53 feminicídios, o maior número desde o início da série histórica, em 2015.

Para movimentos feministas e organizações de defesa dos direitos das mulheres, a proposta enfrenta uma realidade estrutural: após a agressão, muitas vítimas são obrigadas a arcar sozinhas com tratamentos psicológicos prolongados, essenciais para a recuperação e para romper ciclos de violência. Ao transferir esse custo para o agressor, o projeto reafirma que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma responsabilidade social e do Estado.

A iniciativa também reforça o papel do Legislativo na atualização da Lei Maria da Penha diante das demandas concretas das mulheres brasileiras. Com o avanço do projeto na Câmara, a expectativa é que a CCJ analise a matéria no início de fevereiro, após o recesso parlamentar, abrindo caminho para que a proposta siga adiante e se consolide como mais um instrumento de proteção, reparação e justiça para as vítimas de violência doméstica.


TV Movimento

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo

Global Sumud Flotilla: Por que tentamos chegar a Gaza

Importante mensagem de três integrantes brasileiros da Global Sumud Flotilla! Mariana Conti é vereadora de Campinas, uma das maiores cidades do Brasil. Gabi Tolotti é presidente do PSOL no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete da deputada estadual Luciana Genro. E Nicolas Calabrese é professor de Educação Física e militante da Rede Emancipa. Estamos unindo esforços no mundo inteiro para abrir um corredor humanitário e furar o cerco a Gaza!
Editorial
Secretariado Nacional do MES | 17 fev 2026

Federação com o PT, o papel do ministro Guilherme Boulos e o futuro estratégico do PSOL 

Entre a unidade contra a extrema direita e o risco de subordinação estratégica ao PT, o PSOL enfrenta um debate decisivo sobre seu futuro e o lugar ocupado por Guilherme Boulos
Federação com o PT, o papel do ministro Guilherme Boulos e o futuro estratégico do PSOL 
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores