2026: Nós contra Trump
Estamos apenas no começo de uma luta aguda entre a soberania dos povos e a ofensiva neofascista para reorganizar a vida política no planeta
Trump começou o ano político sequestrando o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e a primeira-dama Cillia Flores, numa flagrante agressão à Venezuela, sua soberania e dignidade. Após bombardear instalações, sua operação resultou na morte de mais de cem pessoas, sendo 32 deles, oficiais cubanos, responsáveis diretos pela segurança de Maduro.
Após recuar em suas justificativas quanto à relação de Maduro com o “Cartel de Soles”, Trump afirmou ao mundo seus verdadeiros interesses: o controle do Petróleo venezuelano, pela via da tutela do novo governo de Delcy Rodriguez.
Foi um gesto sem precedentes, que rompe qualquer padrão de direito internacional, seguindo na mesma toada dos que sustentaram o genocídio em Gaza; agora, os canhões trumpistas se voltam contra Cuba, Colômbia e mesmo contra a histórica aliada dos Estados Unidos, a Europa. Trump quer anexar a Groenlândia a qualquer custo.Protestos se espalharam pelo mundo. No Brasil, apesar de atos ainda minoritários, por conta da época de recessos e férias, já se nota uma importante opinião contrária, em amplas parcelas da sociedade, à ingerência dos Estados Unidos. Trump sofreu um revés no seu próprio Senado, com a maioria votando pela limitação de seus poderes de intervenção militar, ao menos por agora.
As manifestações contra a perseguição aos imigrantes ganham tração no território estadunidense. Trump, inimigo número um da humanidade Trump é ambicioso e parece não conhecer limites. Sua meta é mudar o regime político dos Estados Unidos, travar a competição com a China e impor novos parâmetros civilizatórios, a serviço dos grandes bilionários. É a encarnação do neofascismo e da ofensiva neocolonial do imperialismo.
A ofensiva do imperialismo é uma ação agressiva, rompendo todos os pactos construídos entre nações nos últimos 70 anos, como resposta primitiva à crise de hegemonia que os Estados Unidos atravessam, agudizada pelas crises múltiplas – ambiental, demográfica, militar, política – que se aceleraram depois do crise econômica de 2008.
Sua ofensiva teve como epicentro o apoio à Netanyahu no genocídio que leva Gaza à barbárie, agora quer ter a primazia sobre a soberania dos países, em especial a América Latina, a serviço da extração de recursos – petróleo, terras raras e outros – e controle absoluto das redes sociais. Isso está detalhado no documento de Estratégia que apresentou há alguns meses e que Éric Toussaint disseca muito bem. A contrapartida dessa política, entretanto, é que ele acaba condensando também o ódio e a indignação de milhões ao redor do mundo, personificando o conjunto dessas políticas neocoloniais contra os povos e os trabalhadores do mundo. Ao passo que aumenta a polarização nos países, aumenta a politização contra a ingerência yankee e o repúdio à figura de Trump.
Apenas combinando a luta dos povos do mundo contra Trump e seus aliados e cúmplices, com a entrada da classe trabalhadora e da juventude em luta nos próprios Estados Unidos, poderemos derrotar esse inimigo comum. A resposta do movimento de massas ao brutal assassinato de Renee Gold por parte do ICE indica que estamos num momento de crescimento da resistência no país de Trump e as pesquisas de opinião já apontam a perda de legitimidade deste déspota.
O lugar do Brasil
Como insistimos, estamos apenas no começo de uma luta aguda entre a soberania dos povos e a ofensiva neofascista para reorganizar a vida política no Planeta. Isso inevitavelmente vai levar a choques e produzirá movimentos e politização de amplas camadas populares.
O Brasil tem grandes responsabilidades. Em primeiro lugar, porque sendo o gigante do continente, os olhos de Trump e das bigtechs estão colocados no Brasil, e buscando impor seu programa e seus aliados, num ano eleitoral como 2026. Em segundo lugar, porque o que ocorreu na Venezuela é um recado direto ao Brasil, mesmo que Trump tenha “esfriado” suas ameaças, a partir dos acordos tarifários, precários e parciais. E em terceiro lugar, porque é o Brasil, por seu peso, que deveria tomar a frente e atuar no sentido oposto que faz Milei – como propagandista de Trump e do MAGA – e liderar um bloco de países que questione à política imperialista. Kast, o novo presidente fraudulento de Honduras e as expressões da extrema direita não tem dúvidas de travar essa batalha.
Nesse sentido, duas medidas são prioritárias: avançar no debate e controle das redes sociais, antes que seja tarde, por exemplo, num cenário de bang bang aberto nas eleições que começam em apenas alguns meses.
Utilizar do peso brasileiro e da política diplomática, denunciando o sequestro de Maduro e Cilia, atuando junto aos Brics para travar a ofensiva sobre Venezuela, Lula e uma comitiva irem ao país vizinho, apoiar as iniciativas de Petro, defender Cuba diante do assédio de Trump e Rubio.
Para além da politica estatal, é fundamental mobilizar a sociedade e os movimentos sociais, aproveitando a história de luta anti-imperialista da esquerda brasileira e iniciativas que já estão sendo construídas, como a I Conferência Internacional Antifascista em Porto Alegre.
Construir e fortalecer a Conferência Antifascista
Está marcada e em marcha, a I Conferência Antifascista pela Soberania dos Povos convocada para Porto Alegre, entre 26 e 29 de março.
Após uma serie de reuniões internacionais, cerca de 30 países estão confirmados, com representações plurais de toda esquerda, partidos como PSOL, PT, PcdoB, movimentos sociais como MST, sindicatos como ANDES, Fasubra, Cpers e mais de 60 entidades que integram o comitê local.
Após ofensiva de Trump, a Conferência se ressignifica e se coloca como mais necessária. Junto a protestos, inclusive com a necessidade de uma data comum continental, para denunciar a ingerência sobre a Venezuela, nossa prioridade deve ser construir a Conferência como um ponto de apoio para enfrentar e derrotar a extrema direita em toda linha, mas especialmente derrotar Trump.