Fora Trump da Venezuela!
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Fora Trump da Venezuela!

Força e guerra é a política imperialista de Trump

Pedro Fuentes 4 jan 2026, 09:20

O discurso de Trump

Os objetivos do brutal ataque contra a Venezuela — e o sequestro do presidente Maduro — ficaram explícitos no discurso e na coletiva de imprensa que Trump, seus ministros e o alto comando militar realizaram em Washington horas depois de bombardear Caracas. Trump falou com um cinismo descarado, sem eufemismos ou disfarces diplomáticos.

“Fizemos um ataque em grande escala”, declarou. “Mostramos que temos a força militar infinitamente mais poderosa do mundo”. E foi ainda mais longe: “Vamos governar a Venezuela”, “recuperaremos o petróleo que nos roubaram”. Não se trata apenas de uma ameaça: Trump pretende transformar a Venezuela em um protetorado colonial direto, desprezando até mesmo figuras subordinadas e servis como Corina Machado.

Foi uma ostentação deliberada de força, uma mensagem dirigida não apenas à Venezuela, mas ao mundo inteiro: aterrorizar, disciplinar, punir. Quando Trump afirma que “a paz se consegue com a guerra”, ele está enunciando sem rodeios a lógica histórica da dominação imperial e, concretamente, o próprio declínio da hegemonia ianque. A força e a guerra não são um excesso nem um erro: são o próprio núcleo da política do império para recuperar o terreno perdido diante do neoimperialismo chinês na América Latina.

Por isso, a tarefa imediata é unir todas as forças possíveis em escala mundial para rejeitar essa agressão e frear os objetivos neocoloniais de Trump. Na Venezuela, não está em jogo apenas o destino de um país: está se definindo o que espera a América Latina nos próximos anos se essa política conseguir se consolidar.

A única maneira de detê-la é a mobilização popular e a solidariedade internacional, que já começam a se manifestar em vários países. E também o apoio à resistência que inevitavelmente surgirá na Venezuela quando amplos setores do povo compreenderem o que realmente significa a ocupação imperial. A história recente é clara: Iraque, Afeganistão, Somália e tantos outros países mostram que a “ordem” imperial só deixa devastação, dependência e morte.

A Doutrina Monroe na versão Trump

Trump não improvisa. Seus objetivos imperiais já estão claramente formulados por escrito na Doutrina de Segurança Nacional. Lá se afirma sem ambiguidades:
“Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no hemisfério ocidental”.

A Venezuela é o primeiro laboratório dessa política neocolonial renovada. Depois virão outros: Cuba, Colômbia, sem esquecer que ele quer se apropriar da Groenlândia e do Canadá. Não é por acaso que Trump tenha enviado uma gigantesca frota militar e o maior porta-aviões do mundo: não se trata de uma simples demonstração de força, mas da preparação de uma nova fase de intervencionismo aberto.

Com essa política, Trump está dinamitando até mesmo as próprias regras da ordem internacional que o imperialismo norte-americano construiu após a Segunda Guerra Mundial, bem como os princípios básicos de sua legalidade interna. Não é de se surpreender que setores do establishment expressem alarme. O New York Times adverte, com razão, que Trump “corre o risco de justificar os autoritários da China, Rússia e outros países que buscam dominar seus próprios vizinhos”. Na verdade, Trump não faz mais do que dizer sem máscaras para os países latino-americanos periféricos e semiperiféricos de certo desenvolvimento maior, como Brasil e México, essa ameaça está presente.
Sim, é possível deter Trump

É verdade que os Estados Unidos têm uma superioridade militar e tecnológica esmagadora em relação aos países latino-americanos. Também é real o desespero de milhões de venezuelanos exilados e o profundo desgaste e descrédito do regime de Maduro. Mas essas condições não garantem a estabilidade de um domínio imperial. Muito pelo contrário: eles se voltarão contra Trump quando ficar claro o que implica um protetorado colonial para a vida cotidiana do povo venezuelano e as implicações que terá a desapropriação, expropriação e extração de seus recursos que o imperialismo ianque irá impor.

Um regime de ocupação imperial é insustentável em um país latino-americano da envergadura e história da Venezuela. Por isso, mesmo amplos setores da burguesia imperialista e das classes dominantes do continente observam com receio esse rumo, conscientes de que ele só trará mais caos, polarização e confrontos sociais. A isso se soma um fator-chave: a resistência interna dentro dos próprios Estados Unidos, onde cresce a oposição à deriva autoritária e militarista de Trump.

Unidade de ação anti-imperialista

A tarefa histórica inconclusa da unidade latino-americana volta a ser uma necessidade estratégica diante da crise mundial. Partindo da solidariedade ativa com a Venezuela, é preciso pensar na necessidade da defesa comum da soberania, no controle popular dos recursos estratégicos e na coordenação das lutas contra o capital transnacional e o militarismo imperial. O negacionismo de Trump — que tem em Milei, Katz e Bukele aliados incondicionais — não só leva a mais exploração dos trabalhadores, mas também à expropriação dos recursos naturais, à devastação da Amazônia, à contaminação dos rios e a maiores crises climáticas.

Somente uma federação solidária de nações latino-americanas, construída a partir de baixo e a serviço dos trabalhadores e das maiorias populares, pode oferecer uma saída real diante da pilhagem, da dependência, da guerra e da devastação ambiental. Uma integração desse tipo deixará de ser uma utopia abstrata, pois é a condição material para que a América Latina deixe de ser um território de disputa entre impérios e possa decidir soberanamente seu próprio destino, livre do jugo imperial.

A tarefa do momento é clara: colocar no centro a unidade de ação anti-imperialista, capaz de articular os povos, movimentos sociais, organizações sindicais e forças políticas do continente para frear a agressão e defender o futuro da América Latina. Exigir de todos os governos a repudiar a ação de Trump. Para a esquerda anti-imperialista e revolucionária, não se trata apenas de uma resposta imediata à ofensiva de Trump, mas de uma orientação estratégica diante de uma nova etapa de dominação imperial aberta e violenta. A Conferência Antifascista a ser realizada em Porto Alegre de 26 a 29 de março será um espaço importante para a ação e as propostas para o futuro do nosso continente.

Liberdade para Maduro!

Parem a agressão imperialista!

Unidade de ação anti-imperialista!


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