Tarifa mais cara, serviço pior
Sâmia Bomfim denuncia aumento acima da inflação, critica privatização do transporte e chama Tarcísio e Nunes de “inimigos de São Paulo”
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) voltou a denunciar a política de encarecimento do transporte público em São Paulo após o reajuste da tarifa de ônibus anunciado pela prefeitura, comandada por Ricardo Nunes (MDB). Em publicação nas redes sociais na sexta-feira (16), a parlamentar classificou o aumento como injusto, criticou o modelo de concessões privadas e defendeu a implementação da tarifa zero na capital paulista.
“O aumento da tarifa do transporte público é só uma forma dos governos de dividirem a responsabilidade de financiamento do sistema com os usuários, pois além da tarifa, os estados e municípios repassam um valor por passageiro para as empresas. Ou seja, além de embolsar o seu dinheiro, as empresas também recebem um valor dos governos por cada vez que você passa por uma catraca”, afirmou Sâmia.
O reajuste entrou em vigor no último dia 6 de janeiro de 2026, elevando o valor da passagem de R$ 5,00 para R$ 5,30 – um aumento de R$ 0,30, equivalente a 6%. A correção ficou acima da inflação acumulada nos últimos 12 meses, que atingiu 4,5% até novembro, segundo o IPCA, do IBGE. As tarifas dos trens e do Metrô também foram reajustadas pelo governo estadual, passando de R$ 5,20 para R$ 5,40.
Para Sâmia, o aumento recorrente das passagens não se traduz em melhoria do serviço oferecido à população.
“Por que todo ano a tarifa sobe, mas o transporte público segue péssimo?”, questionou a deputada, ao criticar a transferência do custo do sistema para os trabalhadores e trabalhadoras que dependem diariamente de ônibus, trens e metrô.
A parlamentar também apontou que o lucro das concessionárias privadas não depende apenas do valor pago na catraca, mas principalmente dos subsídios públicos repassados pelo poder público. Enquanto isso, segundo ela, empresas públicas estratégicas como o Metrô e a CPTM sofrem com sucateamento, falta de investimentos e precarização da infraestrutura.
Na avaliação da deputada, a gratuidade no transporte seria plenamente viável em São Paulo caso os recursos públicos não fossem “capturados” por intermediários privados. Ela voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 25/23, apresentada pela deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que cria o chamado “SUS dos Transportes”, com financiamento compartilhado entre municípios, estados e União, reconhecendo o transporte como um direito público e universal.
Ao final da publicação, Sâmia foi ainda mais dura ao criticar os responsáveis pela política tarifária no estado e no município. Para ela, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes são “inimigos de São Paulo”.
A prefeitura, por sua vez, afirmou em nota que o reajuste ficou abaixo do IPC-Fipe Transporte, que acumulou alta de 6,5% nos últimos 12 meses. A gestão também alegou que a tarifa permaneceu congelada em R$ 4,40 por cinco anos e que, entre 2020 e 2025, houve apenas um reajuste, de 13,6%, enquanto a inflação no período teria alcançado 40,31%.
Para a deputada do PSOL, no entanto, os números não escondem a realidade sentida diariamente por milhões de paulistanos: transporte caro, lotado, demorado e cada vez mais distante de ser tratado como um direito social fundamental.