Em defesa de Cuba contra o cerco e a fome neocoloniais impostos por Trump
Cuba

Em defesa de Cuba contra o cerco e a fome neocoloniais impostos por Trump

O bloqueio energético e alimentar imposto por Washington aprofunda uma crise humanitária e ameaça a soberania de toda a América Latina

Foto: Enrique Atiénzar Rivero

A tentativa do neofascista da Casa Branca é colocar a ilha caribenha e seu governo de joelhos, estrangulando-os economicamente de uma vez por todas, matando seu povo com escuridão e escassez. Mas não se trata “apenas” de uma guerra contra Cuba e sua tradição revolucionária. É a continuação da guerra contra a soberania de todos os países latino-americanos e dos povos latinos dentro dos Estados Unidos. Em particular, Lula, Petro, Orsi e os governos da social-democracia devem se opor enfaticamente a esse crime em todos os fóruns e organismos internacionais.

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Após a “tomada” de fato da Venezuela pelos Estados Unidos, com o sequestro de Maduro e Flores em 3 de janeiro, o principal objetivo dos estrategistas da extrema direita em torno de Trump é a ilha caribenha, que tem sido palco de resistências contra dois impérios desde o século XIX. Cuba foi o território da única revolução anticapitalista vitoriosa da América, entre 1959 e 1961, liderada pelo 26 de Julho (o movimento de Fidel Castro) e pelo povo trabalhador dos canaviais e das fábricas. 

De Washington e de uma Caracas transformada – à força de armas e sanções – em uma espécie de capital de um vice-reinado em pleno século XXI, os falcões ianques declararam guerra a Cuba, um país pequeno, isolado pela natureza e pela geopolítica, cujo desenvolvimento foi limitado por décadas de bloqueio norte-americano e dependência energética e alimentar do exterior. 

O primeiro passo do ataque em curso foi o corte do fornecimento de petróleo venezuelano, que desde o primeiro governo de Hugo Chávez (1998) garantia o funcionamento da economia da ilha. A ordem cumprida rapidamente por Delcy Rodríguez. Cuba precisa de 100 mil barris diários de petróleo e produz 40 mil. O momento atual do ataque é de intensa pressão para que o último fornecedor de petróleo a Cuba, o México, pare de enviar petroleiros, o que Claudia Sheinbaum soberanamente tem resistido a fazer.

Ao mesmo tempo, em um festival de provocações midiáticas típico de um showman genocida, Trump liga para o líder cubano Díaz-Canel para “negociar” nada menos que o fim da soberania do país. Trump diz que Cuba se renderá, graças ao fato de estar matando de fome os cubanos e cubanas, assim como fez, apoiando Israel e seus bombardeios, com os habitantes de Gaza. (Por enquanto, não há proporção entre um e outro, mas o método desumano é o mesmo). Tudo indica que o governo ianque espera com isso uma de duas coisas: a capitulação de Havana ou uma rebelião popular interna.

Díaz-Canel, em uma coletiva de imprensa internacional em 6 de fevereiro, descreveu o sofrimento de sua população e denunciou que isso está ocorrendo como uma tentativa de genocídio. Infelizmente, embora tenham emitido notas protocolares críticas a Washington, China e Rússia, consideradas por muitos como “potências alternativas” ao imperialismo estadunidense, até agora não contribuíram nem mesmo com um galão de gasolina para evitar o pior em Cuba. O corte do fornecimento de petróleo a Cuba por parte de Delcy Rodríguez também deveria fazer refletir aqueles que continuam com o “mantra” de que o governo venezuelano ainda tem algo a ver com a “revolução”, quando na verdade se tornou administrador do protetorado. Quanto a Lula e ao PT, é lamentável que não ordenem à riquíssima Petrobras que rompa o bloqueio energético a Cuba, como exige acertadamente a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Revanchismo fascista 

Por que um David enfraquecido como a pequena e corajosa Cuba é alvo de tanto ódio por parte do Golias neofascista? Afinal, ao contrário da Venezuela, onde o objetivo imediato era garantir o petróleo — a ponto de o imperialismo descartar sua amiga de longa data María Corina Machado e manter um madurismo sem Maduro no poder —, no caso cubano a explicação é puramente geopolítica neofascista, com uma overdose de revanchismo ideológico e de classe. Trump e seu secretário de Estado, descendente de gusanos, contrarrevolucionários cubanos, Marco Rubio, precisam derrotar o país que ousou, no passado, adotar um caminho anticapitalista a 150 km de Miami. Uma nação que foi símbolo e inspiração para gerações de lutadores pela soberania nacional e, nas primeiras décadas após 1961, pela transformação social.

Cuba foi o único país latino-americano em que a burguesia foi expropriada, mais concretamente com a proclamação por parte de Fidel do caráter socialista da revolução, em 1961. Vale lembrar que nos primeiros anos da revolução sandinista na Nicarágua, em alguns momentos dos governos de Hugo Chávez (em particular após a derrota do golpe pró-Estados Unidos de 2002) e no primeiro governo de Rafael Correa no Equador, os capitalistas locais e internacionais foram afastados do poder, constituindo-se governos momentaneamente sem burguesia. Em outra etapa do imperialismo, aqueles governos sul-americanos também foram alvo do ódio imperial – em particular a Nicarágua, que enfrentou os contras financiados por Washington. Mas a radicalidade da revolução cubana nunca foi imitada por completo.

A situação atual de Cuba deve ser enfrentada como uma crise humanitária sem precedentes e uma ameaça de uma nova operação militar do imperialismo de Trump contra outra nação latino-americana soberana. Esses dois elementos são mais do que suficientes para uma campanha nacional e internacional forte e unificada em defesa de Cuba. Em um momento em que o governo dos Estados Unidos se confronta internamente com uma oposição cada vez maior, grandes mobilizações contra o ICE e um sentimento de massas de solidariedade com os imigrantes, em particular com os latinos, é necessário impedir que Trump vença novamente, como na Venezuela. 

Independentemente do balanço sobre a revolução cubana, o que está em jogo é a soberania e a independência de um país latino-americano historicamente oprimido. É urgentemente necessário pressionar para que o petróleo volte a ser fornecido a Cuba e que alimentos e medicamentos possam ser enviados para a ilha. 

Todos aqueles que apoiam a ideia da soberania, o princípio da não ingerência e o direito dos povos de decidir seu destino devem ser chamados a se pronunciar, tomar posição e se mobilizar contra o cerco! 

Trump e Rubio, tirem as mãos de Cuba!

Pelo fim imediato do bloqueio energético e alimentar contra a ilha! Lula, Petro, Orsi, mobilizem-se com força. Não bastam notas de repúdio. Trabalhem por uma frente de governos contrários ao bloqueio e ao cerco a Cuba.

Por uma campanha humanitária global de solidariedade com o povo cubano.

Todo apoio às flotilhas que se estão organizando para levar alimentos e solidariedade ao povo de Cuba!


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