O governo Trump e as Pessoas com Deficiência: políticas de exclusão e segregação
A mobilização e organização das pessoas com deficiência é muito importante para a luta internacionalista
O cenário internacional tem sido pautado por políticas de exclusão e segregação no segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Deportação, perseguição de imigrantes, violência, enfraquecimento de políticas para as mulheres, postagens racistas, desmonte de políticas de assistência social, de acessibilidade e programas que combatem ao preconceito contra Pessoas com Deficiência (PcD).
É de suma importância destacar que assim como outros movimentos sociais, esse movimento tem uma longa história e grande atuação política nos Estados Unidos. Desde o século XIX, podemos encontrar registros de grupos formados por Pessoas com Deficiência e em sofrimento psíquico, assim como seus pais e familiares, os quais lutavam em âmbito nacional e internacional para que estes sujeitos tivessem uma vida digna e independente.
Assim, lutavam pelo reconhecimento de sua humanidade e para que fossem incluídos nas discussões referentes aos seus direitos, tendo em vista que, nos Estados Unidos, a regra era que PcD fossem isolados em instituições. E em regra, eram locais inadequados, sem suporte necessário. Ou seja, eram espaços nos quais as pessoas eram abandonadas e silenciadas, sendo vítimas de maus-tratos, sem garantias de acesso à saúde digna e no qual a deficiência era entendida como um impedimento.
Mas a partir do século XX começaram a surgir grupos organizados para lutar contra esse cenário. A Liga dos Deficientes Físicos foi organizada na década de 1930, lutando por emprego durante a Grande Depressão; em 1940 um grupo de pessoas em sofrimento psíquico se uniu para criar o grupo Não Estamos Sozinhos, em que apoiavam as pessoas na transição do hospital para a comunidade; e em 1950 diversos ativistas da causa criaram a Associação Nacional para Crianças com Deficiência Intelectual, sendo a maioria dos associados pais destas crianças.
Nesse sentido, assim como em outros países, os movimentos de Pessoas com Deficiência, nos quais as próprias PcD começam a se posicionar como os protagonistas de suas próprias demandas, começam a se organizar a partir das décadas de 1960 e 1970, muito inspirados pelos movimentos de direitos civis nos Estados Unidos.
Desta maneira, é fundamental compreendermos que a mobilização e organização desta população é essencial para nós, internacionalistas. E se faz cada vez mais necessária com o avanço da extrema direita, que vem realizando um programa de desmonte dos direitos destas e outras minorias sociais, que vem se acelerando a um ritmo alarmante no segundo mandato de Trump.
O presidente já fez comentários que até mesmo seus próprios familiares publicaram em um livro, afirmando que era necessário deixar as Pessoas com Deficiência morrerem, porque são um peso para as suas famílias.
Uma das primeiras ordens desde que retornou à Casa Branca foi a revogação dos programas de diversidade, equidade e inclusão, uma medida que coloca em risco o acesso essencial para PcD em todo o país. Também implementou a em 2025 a suspensão do financiamento para bolsas federais voltadas a esse grupo, privando também aqueles sujeitos que dependiam de serviços essenciais de assistência social, educação, dentre outros.
Na educação cortou verbas das organizações públicas, ferindo leis do país e impedindo que grupos historicamente desfavorecidos continuem a margem do acesso à educação em ambientes menos restritivos. Entre os impactos estão a dificuldade cada vez maior de garantir intérpretes para as crianças surdas, materiais adaptados para os cegos, garantia dos serviços de apoio as famílias e programas básicos de atendimento.
É importante salientar que os movimentos de Pessoas com Deficiência, as organizações, os professores, os especialistas e as famílias não foram ouvidos pelo Presidente. E este também não faz questão de compreender as demandas apresentadas, que são cruciais para o seu desenvolvimento, independência e participação social para as pessoas afetadas.
Por isso, é necessário que a esquerda internacional compreenda que as Pessoas com Deficiência também vêm sendo perseguidas e afetadas pela necropolítica do governo Trump. Um governo no qual suas vidas e suas lutas têm sido vistas como aquelas que não valem ser vividas no sistema capitalista e imperialista.
Assim, é preciso se colocar ao lado das lutas desses sujeitos, da mesma maneira que fizeram os Panteras Negras, que foram fundamentais na luta de Pessoas com Deficiência no início de seu movimento.