2006 não acabou
Sobre o painel na semana de descomemoração do golpe militar de 1964, promovida pelo curso de Jornalismo da UEPG
2006 não acabou
Hoje, 10 de abril, participei de um painel na semana de descomemoração do golpe militar de 1964, promovida pelo curso de Jornalismo da UEPG. O debate tratou dos 20 anos do movimento do transporte em Ponta Grossa.
Há exatos 20 anos, uma série de manifestações sacudiu a cidade. No dia 31 de março de 2006, o então prefeito Pedro Wosgrau Filho, do PSDB, iria assinar o aumento da tarifa de ônibus, que passaria de R$ 1,85 para R$ 2,13. Naquele dia, porém, um vigoroso movimento popular tomou as ruas de Ponta Grossa e paralisou o Terminal Central das 7h30 às 13h.
Foi um movimento tão forte que deixou uma marca profunda na história política da cidade e criou um verdadeiro trauma na Prefeitura. O aumento, que seria assinado naquele 31 de março de 2006, acabou sendo congelado por dois anos. Dois anos.
Em Ponta Grossa, um movimento comparável a esse, em força e dimensão, talvez só o dos caras-pintadas, em 1992, quando houve atos com 5 a 10 mil pessoas. Em 2006, o movimento do transporte reuniu cerca de 3 mil pessoas no ato de 31 de março. Uma semana depois, em frente à Câmara Municipal, aproximadamente mil pessoas voltaram às ruas. Na semana seguinte, já em abril, em frente à Prefeitura, entre 500 e mil pessoas seguiram mobilizadas contra o aumento da tarifa.
Na foto do painel realizado hoje pela manhã, na mesa sobre os 20 anos do movimento do transporte, estavam, da esquerda para a direita: Joel de Oliveira, ex-estudante de História da UEPG e posteriormente membro do DCE – Diretório Central dos Estudantes; Marielle, atualmente jornalista, à época estudante de Geografia da UEPG; o deputado federal Aliel Machado, à época liderança do movimento secundarista; e eu.
Essas são algumas das lideranças que participaram dos vigorosos atos de 2006, ajudando a preparar e organizar as mobilizações, juntamente com dezenas de companheiras e companheiros que também tiveram papel fundamental. As reuniões chegavam a reunir mais de 60 pessoas no Sindicato dos Comerciários. Enfim, foi um amplo e vigoroso movimento.
Passados 20 anos, sigo do mesmo lado. Continuo no mesmo partido, PSOL, com muito orgulho, diferente de muitos que trocaram de legenda mais de dez vezes. Sigo na luta, combatendo e comungando da mesma ideologia que eu professava em 2006.
Com muito orgulho, sou trotskista, sou revolucionário, e minha vida é um tributo à luta e ao movimento.
Deixo aqui meu muito obrigado pelas imagens cedidas pelo professor Gadini e meu muito obrigado pelo espaço cedido pelo professor Marcelo, do curso de Jornalismo da UEPG. São pessoas incríveis, que para mim são fonte de inspiração e de grande respeito.
E, por fim, deixo um convite a todos e todas: mais coerência, menos incoerência. A vida é muito curta para ser vivida de forma incoerente.
Convido também todas e todos a participarem do Comitê Tarifa Zero em Ponta Grossa. Na próxima segunda-feira, dia 13 de abril, mais um aumento da passagem entrará em vigor, atacando e prejudicando os trabalhadores, as trabalhadoras e os estudantes. Apesar de aprovado o passe livre, com quatro passagens a que cada estudante tem direito, infelizmente foi aprovada essa contradição: o passe livre com quatro passagens, porém acompanhado do aumento da tarifa.
Convido a todos e todas a participarem amanhã, sábado, às 10 horas, de uma reunião online do Comitê Tarifa Zero. Luta que segue, vida dedicada ao movimento.
Um forte abraço a todos e todas.