Fim da Escala 6×1! Contra as manobras do Congresso, pressão das ruas!
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Fim da Escala 6×1! Contra as manobras do Congresso, pressão das ruas!

Acordo para transição na escala 6×1 não deve gerar comodismo diante das pressões patronais. Greve geral é o caminho para garantir a vitória da classe trabalhadora

Danilo Serafim e Márcio Vargas 26 maio 2026, 15:30

Foto: Mobilização pelo fim da jornada de trabalho 6×1. (BdF/Reprodução)

Após audiência com o Presidente Lula, surgiu o sinal verde para a aprovação, na Câmara dos Deputados, de uma transição “rápida” da escala 6×1 para a jornada 5×2 de 40 horas semanais. O avanço foi anunciado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), prevendo a implantação da redução de 2 horas em 60 dias após a publicação, com a redução de outras 2 horas semanais após 12 meses.

Mas o avanço da pauta não é motivo para comodismo, pois os limites da fórmula de conciliação de classes estão evidenciados nos recorrentes casos de atuação do Congresso Nacional para promover retrocessos mais amplos, como o afrouxamento do licenciamento ambiental (Lei nº 15.190) e a transformação dos trabalhadores plataformizados em autônomos (PLP 152/2025).

Enquanto Lula e Motta costuravam um acordo, cujos termos não foram revelados, para a transição da redução da jornada de trabalho, Davi Alcolumbre (União Brasil) estava reunido, na presidência do Senado, com uma representação “puro-sangue” da burguesia nacional, encabeçada pela FIESP. Não seria estranho se o coronel amapaense impusesse uma nova derrota ao governo, como fez recentemente ao barrar a indicação de Jorge Messias ao STF.

Uma transição longa na redução da jornada de trabalho, ou mesmo a descaracterização dos projetos em tramitação, não seria apenas um revés para a reeleição de Lula, mas para o conjunto da classe trabalhadora. Trata-se de um cenário perfeitamente possível, dada a composição majoritária de um Congresso Nacional moldado pelo Orçamento Secreto e pelas bancadas do Boi, da Bíblia, da Bala e das Bets.

O apoio popular, retratado em pesquisas de opinião, legitimou uma orientação genérica de mobilização por parte das direções sindicais e de outros setores organizados, que apostam na capacidade do Governo de conduzir a pauta. Essa postura precisa ser rapidamente revertida por uma diretriz objetiva: a Greve Geral é o caminho para o Fim da Escala 6×1.

Para setores reticentes à adesão de suas bases, é importante lembrar que existe um conjunto de lutas capazes de ser incluído no escopo da mobilização, todas relacionadas ao mundo do trabalho: o julgamento da pejotização (Tema 1389 do STF); a tramitação do PLP 152/2025; a crescente adesão popular à implantação da Tarifa Zero; e a constante ameaça de reforma administrativa.

As “redes” continuam sendo um terreno importante para a disputa; entretanto, apenas a pressão das ruas é capaz de superar as chantagens desse Congresso Inimigo do Povo. É necessário centrar forças na mobilização popular. A despeito da incapacidade das centrais sindicais de funcionarem como instrumento de frente única, é fundamental unificar um dia nacional de mobilização e construir uma Greve Geral pelo Fim da Escala 6×1, emparedando o Congresso Nacional e arrancando uma vitória que vai muito além do terreno eleitoral.


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