A crise do Master exige respostas à esquerda

A crise do Master exige respostas à esquerda

A crise do Banco master é um grande problema para o andar de cima e também uma oportunidade para a esquerda combativa agitar um programa antibanqueiros

Israel Dutra 3 fev 2026, 14:55

Diante de uma situação internacional polarizada contra Trump, a conjuntura nacional responde à temas candentes, como a escalada da repercussão do escândalo do banco Master, a preparação para a disputa eleitoral e processos importantes de resistência como fazem os indígenas do Baixo Tapajós, que ocupam há quase dez dias a sede da Cargill em Santarém.

O tema mais candente, é sem dúvidas, a crise aberta com a falência do Master e a prisão de Daniel Vorcaro. Os tentáculos do banco por todos os “poderes da República” são impressionantes, com subornos e visitas secretas por parte da cúpula do banco para figurões do judiciário, executivo e legislativo.

A esquerda não pode ficar intimidada em defender a máxima investigação, como já foi encaminhado pelas deputadas Fernanda Melchionna, Samia Bomfim e Heloisa Helena. Para tanto, há que se armar, sacar conclusões e defender uma saída pela esquerda diante desse impasse que ilustra a própria crise (recorrente) da Nova República.

Os donos do poder

Vorcaro, dono do Master, já deixou nítido seu poder. Entre suas “tenebrosas transações”, buscou no governador golpista Ibanez sua salvação, via BRB; no caso da Bahia, fez negócios milionários com o crédito consignado, aproveitando- se da boa relação com o ex-governador Rui Costa; no Rio, colocou as mãos nos rendimentos da previdência dos servidores, um negócio levado adiante por Castro; Toffoli, na berlinda como beneficiário dessas relações, que também envolvem Lewandowski; tudo isso com uma relação privilegiada com deputados e políticos do centrão, o que leva pavor ao congresso no retorno de suas atividades.

A burguesia brasileira quer levar adiante seus planos e se projetar no novo cenário internacional. Vorcaro também é parte disso. Outro exemplo, foi o reaparecimento de Joesley Batista como “operador” da relação entre Venezuela, Brasil e Estados Unidos, diante da maior violação da soberania nacional vivida em nosso continente.

Os donos do poder não descansam. Tramam a luz do dia, como revela cada fio dessa teia que envolve a investigação das fraudes bancárias do Master.

Além da defesa da CPMI para investigar e levar novos fatos à opinião pública, a luta pela destituição de Ibaneis Rocha entrou na ordem do dia. A atuação do Deputado Distrital Fábio Felix foi fundamental: desnudou um dos maiores escândalos de corrupção da história do DF, que paira sobre Ibaneis. O mesmo governador que foi afastado por sua relação com os eventos de 8 de janeiro e voltou ao cargo como se nada tivesse acontecido. O DF condensa uma importante luta contra os donos do poder.

Um problema para os de cima, um programa para os de baixo

Contra a prédica falaciosa da extrema direita e dos seus representantes, como Nikolas Ferreira, devemos dar nomes a quem são os sustentáculos do “sistema”. No Brasil, os bancos, o agronegócio, as mineradoras são as principais fontes (ainda que não as únicas) que alimentam a desigualdade e a injustiça, estruturais no nosso modelo econômico. Portanto, enfrentar os banqueiros é uma tarefa inseparável da luta contra a extrema direita.

O impasse causado pela revelação das fraudes do Master é um grande problema para o andar de cima, para a burguesia rentista, ligada tanto a Faria Lima quanto ao crime organizado.

É também uma oportunidade para a esquerda combativa de agitar um programa antibanqueiros, apontando a necessidade da taxação de grandes fortunas, do confisco e reparação das atividades dos corruptos e do controle da economia pela sociedade, de fato. Além de colocar no centro a crítica à financeirização da economia brasileira, em favor da qual o Banco Central sob Galípolo sustenta a Selic a 15%, fazendo com que, como recém declarou um ex-consultor da ONU, os bilionários brasileiros ganhem 400 mil reais por dia sem fazer nada.

Não se pode confiar na linha do governo Lula para enfrentar essas necessidades. Precisamos construir força social, como nos traz o exemplo da luta dos indígenas em defesa dos seus rios, na ocupação da Cargill em Santarém.

As atividades unitárias, como a que preparamos para a I Conferência Antifascista em Porto Alegre(26 a 29 de março), não podem nos inibir, ao contrário, na defesa dos interesses dos de baixo e a punição aos podres poderes.


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