UFRGS abre as portas ao debate antifascista e por soberania
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UFRGS abre as portas ao debate antifascista e por soberania

Universidade será anfitriã e co-promotora da 1ª Conferência Internacional Antifascista por Soberania dos Povos, reforçando compromisso com debate público, democracia, ciência e pensamento crítico

Foto: Reprodução

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) será anfitriã e co-promotora da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, marcada para ocorrer entre os dias 26 e 29 de março de 2026. Na última semana, a reitoria da instituição confirmou oficialmente a parceria, que prevê a cessão de espaços do Campus Central para a realização das atividades, incluindo o Salão de Atos, onde acontecerão as conferências dos dias 28 e 29 de março. A iniciativa é apresentada pela universidade como parte de seu compromisso com o fortalecimento da democracia, da ciência e do pensamento crítico.

A articulação teve início em novembro do ano passado, durante reunião entre integrantes do comitê organizador local, a reitora da UFRGS, professora Marcia Barbosa, e a pró-reitora de Extensão, Daniela Pavani. Segundo Raul Carrion, integrante do comitê organizador, o convite para que a universidade se tornasse co-promotora foi recebido com interesse desde o primeiro momento. 

“Na ocasião, a UFRGS foi convidada a integrar-se como co-promotora da Conferência, e foram solicitados o Salão de Atos, além de outros espaços no Campus Central da universidade, para a realização do evento. A reitora e a pró-reitora manifestaram o interesse da universidade em ser parceira neste evento – que tem como centro a defesa da democracia e da soberania dos povos, princípios consagrados na nossa Constituição – e solicitaram um tempo para submeter o convite às instâncias decisórias da UFRGS. 

Para Gabi Tolotti, também integrante do comitê organizador, a parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul significa mais um salto de qualidade do evento, que já conta com quase 100 organizações brasileiras como convocantes e um comitê internacional de organização. Além do papel de co-promotora e anfitriã, a UFRGS inclusive manifestou a disposição da reitora Márcia Barbosa em participar da mesa “Educação, Ciência e Tecnologia para a Soberania dos Povos”.

Ao justificar a cessão de espaços para a conferência, a pró-reitora Daniela Pavani ressaltou o papel histórico e social da universidade pública. Para ela, a UFRGS é, por natureza, um espaço de diversidade, onde convivem diferentes origens, crenças, trajetórias e opiniões, e no qual se formam profissionais e se produz conhecimento científico e tecnológico indispensável ao desenvolvimento do país. Nesse sentido, defendeu que a formação acadêmica e a produção científica não podem ser dissociadas da defesa da vida e da dignidade humana. “A universidade existe para servir à sociedade”, afirmou.

Segundo Pavani, a participação na Conferência se insere em um contexto internacional marcado por crises e pelo avanço da desinformação. 

“Vivemos um período de grandes tensões globais — ambientais, econômicas, sociais e políticas. Em muitos lugares, as respostas a essas crises têm vindo por meio do confronto, da desinformação, do ataque às instituições democráticas e da desvalorização do conhecimento. Nesse cenário, o papel da universidade e da comunidade científica é fundamental no enfrentamento do negacionismo científico e das fake news, que buscam manipular a opinião pública por interesses políticos e econômicos diversos”, acrescentou.

Para Pavani, isso impõe um dever claro à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

“A universidade tem o dever de ser um espaço de reflexão qualificada, de produção e difusão de conhecimento confiável e de diálogo aberto com a sociedade”, afirmou. Ao se tornar co-promotora da Conferência Internacional Antifascista, acrescentou, a instituição “não está apenas cedendo seus espaços físicos. Está assumindo sua responsabilidade pública”, reafirmando o compromisso com “a convivência democrática, a defesa da diversidade, da ciência e da vida com dignidade”.

Também integrante do comitê organizador, Rodrigo Dilélio, destacou a centralidade do debate educacional no enfrentamento ao avanço autoritário e valorizou a decisão da universidade de sediar o encontro. 

“Uma das frentes em que o fascismo se apresenta como ideologia mais ameaçadora é nas salas de aula – seja nas escolas, seja na universidade. E o fato da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ceder o seu espaço para que a gente possa fazer a Conferência Internacional Antifascista é recebida por nós com bastante orgulho e um senso de responsabilidade, também, com qualidade da discussão que precisamos promover”, afirmou, acrescentando que essa constatação motivou a articulação com outras entidades da educação, como CPERS, CNTE, APEOESP, ANDES e ADUFRGS, que passaram a integrar o comitê do evento.

Retomando o posicionamento institucional, Daniela Pavani reforçou que a co-promoção da conferência expressa a função pública e social da universidade. 

“A universidade tem o dever de ser um espaço de reflexão qualificada, de produção e difusão de conhecimento confiável e de diálogo aberto com a sociedade”, reiterou. 

Segundo ela, cabe à instituição “defender o valor das evidências, da pesquisa séria e do debate responsável, sempre com transparência e compromisso público”, contribuindo para “o debate plural e respeitoso sobre temas que impactam diretamente o presente e o futuro da sociedade”. O compromisso, concluiu, é “com a convivência democrática, com a cultura de paz e com a construção de soluções que enfrentem as desigualdades e as crises sem abrir mão dos direitos fundamentais”.

A cada dia que passa, se fortalece a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. Acompanhe a programação e faça sua pré-inscrição no site antifas2026.org.


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