Josemar: ‘Caos do Rio está ligado à direita e à extrema direita’
ClaudioCastro

Josemar: ‘Caos do Rio está ligado à direita e à extrema direita’

Deputado do PSOL afirma que escândalos envolvendo Operação Sem Refino e Banco Master revelam “lógica de corrupção” associada à direita fluminense e cobra investigação sobre Castro e Flávio Bolsonaro

Tatiana Py Dutra 18 maio 2026, 09:56

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Os recentes escândalos envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o senador Flávio Bolsonaro reacenderam o debate sobre corrupção, captura do Estado e degradação dos serviços públicos no Rio de Janeiro. Para o deputado estadual Professor Josemar (PSOL), os casos escancaram a relação entre a extrema direita e o aprofundamento da crise fluminense.

“Dois escândalos envolvendo a extrema direita. Um com o Claudio Castro, a Operação Sem Refino, onde tem ligações espúrias entre o ex-governador e alguns empresários. Também vimos, durante a semana, Flávio Bolsonaro solicitando R$ 134 milhões para a produção de um filme a Daniel Vorcaro. Dois grandes absurdos que precisam ser investigados”, afirmou o parlamentar.

Josemar foi além e atribuiu diretamente à direita e à extrema direita a responsabilidade pelo colapso social e administrativo do estado.

“Agora fica nítido para vocês, e é importante a gente ter claro, que a responsabilidade do caos do Rio de Janeiro está ligada à direita e à extrema direita. Foram eles que sucatearam os serviços básicos da população. São eles, também, que se recusam a pagar de forma decente os servidores. Por isso é necessário superá-los”, declarou.

Operação Sem Refino amplia cerco sobre Cláudio Castro

Na última sexta-feira (15), Cláudio Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal durante a Operação Sem Refino. A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo um grupo econômico do setor de combustíveis ligado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, controlada pelo empresário Ricardo Magro.

A PF investiga possíveis esquemas de ocultação patrimonial, evasão de divisas, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e determinou medidas cautelares contra investigados. Ricardo Magro teve prisão preventiva decretada.

As apurações estão inseridas no contexto da ADPF 635, ação que discute a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. O caso reforça a percepção histórica de promiscuidade entre setores empresariais, milícias, crime organizado e parcelas do poder político fluminense.

A defesa de Castro afirma que todos os atos de sua gestão obedeceram aos critérios legais e técnicos e sustenta que o governo estadual buscou cobrar dívidas tributárias da Refit. Já a empresa nega irregularidades e afirma que herdou passivos de administrações anteriores.

Embora Cláudio Castro ainda não seja réu nem tenha ordem de prisão decretada, juristas avaliam que a autorização de buscas pelo STF indica que o caso ultrapassou a fase preliminar de apuração. O avanço da investigação dependerá da análise de documentos apreendidos, movimentações financeiras e eventual colaboração de investigados.

O histórico do Rio: governadores presos e escândalos sucessivos

O Rio de Janeiro acumula um histórico dramático de corrupção envolvendo chefes do Executivo estadual. Nos últimos anos, ao menos cinco ex-governadores fluminenses foram presos: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel;

Cabral tornou-se símbolo nacional da corrupção sistêmica ao ser condenado em diversos processos ligados à Operação Lava Jato. Pezão também foi preso sob acusações de integrar esquemas de propina. Witzel sofreu impeachment após denúncias de corrupção na Saúde durante a pandemia de Covid-19.

A sucessão de escândalos consolidou a imagem do Rio como um laboratório da degradação institucional promovida por alianças entre elites econômicas, setores conservadores e estruturas criminosas.

Caso Banco Master atinge Flávio Bolsonaro

Outro episódio citado por Josemar envolve Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou mensagens, documentos e áudios nos quais Flávio aparece cobrando cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Segundo as reportagens, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos ao projeto. Em um dos áudios divulgados, Flávio chama Vorcaro de “irmão” e afirma: “Estou e estarei contigo sempre”.

Vorcaro tornou-se alvo de investigações após o colapso do Banco Master e suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo fundos e operações financeiras. O caso provocou turbulência no mercado financeiro brasileiro e abriu nova crise política no campo bolsonarista.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que o financiamento seria privado, sem contrapartida estatal ou favorecimento político. Ainda assim, o episódio aumentou a pressão por investigações no Congresso e por uma possível CPI envolvendo o Banco Master.

Para Josemar, os episódios revelam um mesmo padrão político e econômico.

“É importante que você que está nos vendo fique nítido de que a situação do Rio de Janeiro é a ponta de um iceberg que está envolvido em todo o Brasil, tem ligação com o Banco Master, tem ligações internacionais e tem uma lógica de corrupção da qual nós não podemos aceitar”, afirmou.

Crise social e desgaste político

As declarações do deputado acontecem em meio ao agravamento da crise social no estado. O Rio segue enfrentando problemas históricos de violência, precarização de serviços públicos, arrocho salarial sobre servidores e crescente influência de milícias em territórios urbanos. Esse cenário se associa com o avanço de governos alinhados ao bolsonarismo e ao ultraliberalismo econômico, acusados de desmontar políticas públicas enquanto mantêm relações próximas com grupos empresariais investigados.

A Operação Sem Refino e o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro aprofundam esse desgaste justamente num momento em que a extrema direita tenta reorganizar seu campo político para as eleições presidenciais de 2026.


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