Estado Espanhol: esquerda da Andaluzia cresce e tira maioria absoluta da direita
Direita tradicional precisará do fascista Vox para governar. A diferença é que uma força à esquerda travou a subida da extrema direita
Foto: Jose Ignacio Garcia, candidato do Adelante Andaluzia, votando neste domingo. (EN/Reprodução)
Via Esquerda.Net
O chefe do governo andaluz Juan Manuel Moreno, do Partido Popular, tinha passado a campanha eleitoral a alertar para o risco de perder a sua maioria absoluta e ter de negociar com o Vox. Após anos a cultivar a imagem de “moderado” face ao líder Feijóo e à governante madrilena que faz sombra ao líder, Isabel Díaz Ayuso, Moreno viu o cenário indesejado concretizar-se na noite de domingo, ao passar de 58 para 53 assentos no parlamento andaluz.
Numa eleição em que a participação subiu de 56,1% para 64.7%, os socialistas – que apresentavam a ex-número dois do governo de Pedro Sánchez, Maria Jesús Montero – perderam dois mandatos e ficaram com 28, enquanto o Vox aumentou apenas um mandato, elegendo 15 deputados com 14% dos votos. Na mesma ficaram os partidos da coligação Por Andaluzia – que juntava Sumar, Esquerda Unida, Podemos e outras forças – com 6,4% dos votos e cinco deputados, a fasquia mínima para formar grupo parlamentar, apesar de apresentar o líder da IU, Antonio Maillo, como candidato.
A grande surpresa aconteceu à esquerda, com o Adelante Andalucia a irromper no cenário político com quase 10% da votação e elegendo oito deputados. Na eleição de 2022, esta formação fundada após a saída do Podemos do grupo Anticapitalistas – da ex-eurodeputada Teresa Rodriguez e do ex-edil de Cádiz José Maria González “Kichi” – tinha somado 4,7% dos votos e eleito apenas dois deputados, perdendo o espaço de intervenção enquanto grupo parlamentar.
Com as principais figuras a afastarem-se da primeira linha por respeito ao compromisso de rotação de protagonistas e eleitos – Teresa Rodriguez esteve ausente dos comícios desta campanha por estar a ser submetida a tratamentos de quimioterapia – coube a Jose Ignacio Garcia encabeçar a lista nesta eleição e celebrar a vitória no domingo, com mais de 400 mil votos e tornando o Adelante Andalucia no terceiro partido nas províncias de Sevilha e Cádis e o segundo nesta cidade.
Na noite eleitoral, Garcia atribuiu a queda da maioria absoluta à força do “andaluzismo” e a uma esquerda que mostra “alegria” e “não é muleta do PSOE”. “As pessoas votaram para se rebelarem contra a injustiça, votaram pela esperança, votaram pela alegria e votaram para transformar a Andaluzia, a fim de a colocar ao serviço da classe trabalhadora andaluza”, afirmou o candidato, celebrando ter conseguido derrotar o Vox em Cádis e Sevilha. “Ainda não conseguimos tirar a direita do governo da Andaluzia, mas hoje foram colocadas as bases para tirar a direita do poder”, prometeu Jose Ignacio Garcia.