A luta de classes hoje: fragmentação e a crise da forma política
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A luta de classes hoje: fragmentação e a crise da forma política

As formas políticas não podem ser projetadas abstratamente à margem da luta, nem improvisadas sem consideração pelas condições que precisam enfrentar

Sushovan Dhar 19 maio 2026, 08:31

Foto: Trabalhadores de entrega por aplicativos. (S&D/Reprodução)

Via LINKS

Tornou-se comum declarar que a luta de classes ficou no passado — dissolvida pela desindustrialização, fragmentada pelos mercados de trabalho precarizados, eclipsada pelos movimentos baseados em identidades e esgotada junto com as instituições que antes lhe davam forma política. A partir dessa perspectiva, a classe parece ter perdido sua centralidade, sobrevivendo, na melhor das hipóteses, como uma categoria residual de análise.

No entanto, esse veredito se baseia em uma confusão fundamental entre a visibilidade da luta de classes e sua necessidade estrutural. Em vez de transcender o antagonismo de classes, o capitalismo deslocou e reestruturou o campo de batalha. O que se enfraqueceu não foi a relação antagônica entre capital e trabalho, mas sim as formas políticas e organizativas por meio das quais esse antagonismo era antes legível, duradouro e eficaz.

A atual crise da política de classe não é, portanto, uma crise de ausência, mas de recomposição sob condições adversas. Para compreender a luta de classes hoje, é preciso partir dessa reorganização, e não da nostalgia por formas perdidas ou do recuo para explicações culturais.

Neoliberalismo e a reorganização das relações de classe

O neoliberalismo, frequentemente caracterizado de forma equivocada como uma retirada do Estado em favor dos mercados, implicou uma profunda reorganização do poder estatal voltada para remodelar as relações de classe. Isso resultou em empregos flexíveis, sistemas de bem-estar social enfraquecidos, regimes migratórios mais rígidos e mercantilização dos serviços públicos.

Longe de se retirar, o Estado passou a estar profundamente envolvido na organização das condições de acumulação e na disciplinarização do trabalho. Essa reorganização alterou a forma da luta de classes, que se dispersou do ponto de produção para um terreno social mais amplo: moradia, dívida, cuidado, saúde, educação, fronteiras e policiamento. Insistir nesse ponto não significa negar a importância contínua das lutas no local de trabalho, mas reconhecer que a exploração e a dominação agora estão organizadas em toda a vida social. A questão não é se a luta de classes existe, mas por que ela tantas vezes fracassa em se acumular como uma força política duradoura.

A informalização é frequentemente tratada como uma condição descritiva: a ausência de contratos, regulamentações ou segurança nos mercados de trabalho aparece tanto como um resquício do subdesenvolvimento no Sul Global quanto como uma erosão contingente de empregos antes estáveis no Norte Global. No entanto, isso não é apenas uma reestruturação do mercado de trabalho; é um modo de dominação de classe.

Em grande parte do Sul Global, o trabalho informal não é marginal nem transitório, mas a forma dominante da existência proletária. Historicamente, os empregos formais jamais funcionaram como uma norma universal capaz de sustentar a reprodução social. O emprego há muito tempo é episódico, distribuído entre diferentes atividades e entrelaçado com estratégias de sobrevivência familiar, pequena produção mercantil, migração e endividamento. A reestruturação neoliberal não introduziu essa condição; ela a consolidou.

Hoje, a informalidade é estruturada por políticas estatais, com regimes de planejamento urbano criminalizando vendedores ambulantes enquanto os toleram seletivamente. Sistemas de assistência social regulam populações sem garantir direitos, e o controle é exercido por meio do policiamento e da regulamentação, e não da legislação trabalhista. Regimes migratórios criam uma vasta força de trabalho necessária, mas mantida em situação de precariedade jurídica. A informalidade representa regulamentação sem proteção, e não ausência de regulamentação.

No Norte Global, a informalidade assume uma forma histórica diferente, mas cumpre função semelhante. Ali, ela aparece como um processo de regressão: cadeias de subcontratação, falsa autonomia, contratos de zero hora, trabalhos em plataformas digitais e expansão de regimes de trabalho migrante e racializado. Frequentemente apresentada como “disrupção tecnológica” ou flexibilidade do mercado de trabalho, a realidade é um desmonte deliberado da norma salarial.

Os compromissos institucionais que antes estabilizavam as relações de emprego — negociação coletiva, direitos sociais e legislação trabalhista — foram esvaziados, enquanto os riscos da reprodução social foram transferidos de volta para os lares e indivíduos. Essa estratégia de fragmentação dificulta a negociação coletiva e transfere os custos sociais para as comunidades, o que, por sua vez, enfraquece o poder coletivo dos trabalhadores.

Apesar de protestos localizados e mobilizações operárias, os trabalhadores carecem de coesão organizativa. A informalização fragmenta não apenas as relações de emprego, mas também o tempo, o espaço e o status jurídico. O trabalho torna-se intermitente, disperso por diferentes locais e frequentemente criminalizado ou semilegal, elevando os custos e riscos de uma organização duradoura. Nessas condições, a ação coletiva é repetidamente forçada a ciclos curtos de mobilização, o que torna a acumulação de forças estruturalmente difícil, e não simplesmente politicamente mal direcionada.

Luta de classes sem norma salarial

Embora a luta de classes sempre tenha se estendido para além do local de trabalho, durante grande parte do século XX a relação salarial funcionou como seu principal eixo organizador. Empregos estáveis, empregadores identificáveis, negociação coletiva e sindicatos legalmente reconhecidos forneciam a base material e institucional sobre a qual o conflito entre trabalho e capital podia ser generalizado.

Hoje, as relações salariais já não podem servir como principal ponto de agregação política. Os trabalhadores enfrentam não um único empregador, mas um conjunto disperso de intermediários, algoritmos, autoridades municipais e órgãos de assistência social. A greve clássica, embora ainda exista, está perdendo sua capacidade de funcionar como uma arma universal.

Essa transformação não despolitiza os trabalhadores; ela desloca os locais da luta. Esse deslocamento multiplica as zonas de conflito sem fornecer uma âncora institucional ou organizativa comum. As lutas emergem simultaneamente em torno da moradia, assistência social, cuidado e emprego, mas não existe um mecanismo capaz de conectar esses espaços em uma resistência unificada. O resultado não é a despolitização, mas a dispersão das energias políticas em frentes desconectadas.

A crescente centralidade das lutas em torno da reprodução social também se reflete na expansão do que foi descrito como uma força de trabalho “conectada” nos setores de cuidado, educação, saúde e serviços. Longe de representar uma esfera isolada da dominação capitalista, essa força de trabalho está cada vez mais submetida aos mesmos imperativos de controle, desqualificação profissional e racionalização que historicamente transformaram o trabalho industrial. Hoje, técnicas gerenciais e sistemas digitais medem, padronizam e reorganizam sistematicamente práticas de cuidado, envolvimento emocional e conexão humana — capacidades há muito tratadas como informais, feminizadas ou naturalizadas.

Essa mudança não eleva a reprodução social acima do conflito de classes; ela o intensifica. À medida que o capital busca extrair valor de um trabalho inseparável da interação humana, as lutas em torno da carga de trabalho, proporção de funcionários, tempo e autonomia profissional tornam-se formas centrais do antagonismo de classes. A politização do cuidado não é uma mudança cultural, mas uma consequência material do aprofundamento da penetração da acumulação capitalista nas condições da reprodução social.

O trabalho de cuidado é exemplar, e não excepcional. Processos semelhantes afetam a educação, a logística, os serviços de plataforma e o trabalho no setor público, à medida que capacidades relacionais e temporais são cada vez mais submetidas à mensuração e ao controle. A expansão desse tipo de trabalho não indica um afastamento do conflito de classes, mas a extensão do capital para domínios anteriormente parcialmente protegidos da valorização direta.

Identidade, diferença e recomposição de classe

A fragmentação da luta de classes contemporânea é frequentemente atribuída ao crescimento das políticas identitárias. Lutas em torno de raça, gênero, casta, migração, sexualidade ou nacionalidade aparecem como centrais, desviando a atenção da exploração e enfraquecendo a unidade de classe. Os defensores das políticas identitárias tratam a classe como apenas uma identidade entre outras, já não capaz de fornecer uma unidade central para a ação política. Essas posições identificam erroneamente o problema ao transformar uma condição estrutural em uma disputa cultural.

É claro que a identidade desempenha um papel crucial na estratificação do trabalho e na administração da desigualdade nas sociedades capitalistas, e não é apenas uma construção ideológica. Ela ajuda a segregar trabalhadores com base em gênero, raça, casta, cidadania e situação legal, produzindo hierarquias que sustentam a acumulação e o controle capitalistas. Trabalhadores migrantes, por exemplo, podem ser deportados; o trabalho das mulheres é frequentemente relegado ao cuidado ou a funções flexíveis; e indivíduos racializados ou afetados por sistemas de casta ocupam, com frequência, os trabalhos mais perigosos e marginalizados. O capitalismo, enquanto totalização de todas as formas de exploração, absorve a identidade como um mecanismo fundamental da dominação de classe, e não apenas como um marcador superficial de diferença.

O problema, portanto, não é a identidade enquanto experiência vivida ou base de resistência, mas enquanto forma política desvinculada de mecanismos de generalização. Quando as lutas permanecem confinadas a reivindicações particularizadas, tornam-se inteligíveis ao poder precisamente porque não ameaçam a organização da acumulação como um todo.

As lutas identitárias são parte integrante das lutas de classe, pois respondem a formas específicas de dominação, como violência de gênero, policiamento racializado, opressão de castas e práticas excludentes de cidadania. Contudo, é útil examinar as formas políticas através das quais essas lutas se manifestam. Sob condições neoliberais, tais lutas tendem a ser individualizadas e mediadas por ONGs e marcos jurídicos, deslocando o foco da oposição coletiva para questões de reconhecimento e inclusão. Apesar do reconhecimento das diferenças, as estruturas subjacentes que perpetuam a desigualdade permanecem amplamente intactas.

Essa forma de mediação representa uma estratégia deliberada de governança que administra o conflito social enquanto preserva a acumulação existente. A “ONGização” persiste não apenas por ingenuidade política, mas porque se alinha à lógica despolitizada e baseada em projetos da governança neoliberal. Operando dentro de estruturas de financiamento e mandatos administrativos, essas formas estabilizam a sobrevivência ao mesmo tempo em que neutralizam o antagonismo, substituindo majoritariamente o confronto pela gestão e o poder coletivo pela representação.

Ao interpretar a dominação estrutural como queixas pessoais ou de grupo, restringe-se o potencial de lutas mais amplas, transformando a identidade em marcador de vulnerabilidade em vez de fundamento para força coletiva. Isso leva a um paradoxo: apesar da proliferação das lutas identitárias e do aumento de sua visibilidade, as dinâmicas de classe permanecem estagnadas. A classe trabalhadora aparece dividida não por causa de novas diferenças, mas pela ausência de organização política.

Devemos reconhecer o papel crítico que os conflitos identitários desempenham na formação de classe, em vez de descartá-los como meras distrações das questões de classe. Sem um processo de recomposição, a diferenciação solidifica hierarquias, transformando a identidade em ferramenta de reorganização do poder de classe, e não em meio de contestá-lo.

A proeminência contemporânea da identidade de “classe média” — celebrada no Sul Global e lamentada no Norte Global — deve ser entendida não como evidência de transcendência das classes, mas como uma formação politicamente induzida que canaliza ansiedade de status e desigualdade para longe do capital e em direção a formas fragmentadas e frequentemente reacionárias de identificação social.

Uma política de classe renovada não pode resolver esse impasse apelando para uma unidade abstrata nem exigindo que lutas particulares se subordinem a uma agenda de classe previamente definida. A unidade de classe não é um fato sociológico; é uma conquista política. Ela deve ser construída através das posições diferenciadas produzidas pelo próprio capitalismo. Isso exige reconhecer as lutas identitárias como diagnósticas — revelando onde exploração, expropriação e coerção estão mais concentradas — ao mesmo tempo em que se insiste que seu horizonte político não pode permanecer limitado ao reconhecimento ou à representação.

A recomposição, nesse sentido, não significa apagar diferenças. Significa organizar-se através das diferenças. As lutas feministas apontam para a desmercantilização do cuidado e a socialização da reprodução. As lutas dos migrantes levantam questões sobre fronteiras, disciplina do trabalho e hierarquias imperiais. Movimentos antirracistas e anticaste expõem os aparelhos coercitivos que administram a população excedente e a força de trabalho informalizada. Quando generalizadas dessa forma, as lutas identitárias aprofundam a política de classe em vez de fragmentá-la.

Acumulação política e forma política

A análise acima aponta para um paradoxo que define a conjuntura atual. O antagonismo de classe é disseminado e frequentemente agudo. A informalização, a expropriação e a governança coercitiva geram ondas recorrentes de luta nos mercados de trabalho, comunidades e territórios. Ainda assim, essas lutas raramente se acumulam em desafios duradouros ao poder capitalista. A mobilização é frequente; a transformação é rara. O problema central enfrentado pela esquerda hoje, portanto, não é a ausência de luta, mas a ausência de formas políticas capazes de acumulá-la.

Acumulação política refere-se à capacidade de preservar as lutas para além de seu momento de irrupção, generalizar demandas entre diferentes setores e sustentar pressão ao longo do tempo. Ela é distinta da mobilização. Sem acumulação, mesmo lutas intensas e repetidas fracassam em alterar a correlação de forças de classe.

Esse problema não pode ser explicado por falta de combatividade, consciência ou compromisso moral. Tampouco pode ser reduzido apenas à repressão. Ele está enraizado em condições estruturais: a fragmentação do trabalho, o deslocamento da luta do local de trabalho para múltiplos espaços de reprodução social e a diferenciação da classe trabalhadora segundo linhas de identidade, legalidade e acesso a recursos. Essas condições geram antagonismo enquanto simultaneamente minam os mecanismos por meio dos quais esse antagonismo pode ser generalizado.

A acumulação política exige mediação. Ela depende de organizações e instituições capazes de conectar lutas entre diferentes setores, traduzir conflitos locais em demandas gerais e sustentar o confronto com o capital e o Estado ao longo do tempo. Nas condições contemporâneas, essas formas mediadoras são frágeis, ausentes ou politicamente desalinhadas. O resultado é uma proliferação de lutas que permanecem episódicas, setoriais ou simbólicas.

Uma resposta a esse impasse foi o eleitoralismo. Diante de movimentos fragmentados e da redução da capacidade organizativa, muitos setores da esquerda passaram a tratar o sucesso eleitoral como um atalho para o poder, substituindo organização por representação e programas políticos por forças sociais reais. Contudo, estratégias eleitorais desvinculadas da organização de classe enfrentam um aparelho estatal hostil e um capital organizado sem possuir capacidade de alterar a correlação de forças. Quando as brechas eleitorais se fecham — como frequentemente ocorre — a fragilidade subjacente da acumulação é brutalmente exposta.

Essa substituição é visível até mesmo nos debates contemporâneos mais sofisticados sobre o “desalinhamento” da classe trabalhadora, particularmente nos Estados Unidos, onde extensos estudos empíricos documentam a queda do apoio eleitoral aos partidos social-democratas entre trabalhadores de diferentes grupos raciais. Embora essas análises rejeitem corretamente explicações culturalistas e enfatizem reivindicações materiais, elas ainda tratam o realinhamento eleitoral como o principal horizonte da política de classe — reduzindo a recomposição a um problema de mensagem, seleção de candidatos ou implementação de políticas públicas.

A intensidade desse debate é, em si mesma, sintomática de um vazio organizativo mais profundo: onde formas duradouras de organização de classe são fracas ou inexistentes, o alinhamento eleitoral torna-se o substituto através do qual a crise da acumulação política é interpretada.

Uma segunda resposta foi o movimentismo, isto é, a valorização da espontaneidade, da horizontalidade e da mobilização contínua. Essa orientação reconhece corretamente os limites da política institucional e a importância das lutas para além do local de trabalho. Mas, sem formas duradouras de coordenação e estratégia, tende a confundir intensidade com poder. As mobilizações irrompem, geram visibilidade e depois se dissipam, sem deixar capacidades organizativas mais fortes do que antes.

Debates recentes dentro do movimento operário refletem esse impasse. Propostas que enfatizam a capacidade de pressão em “pontos de estrangulamento” logísticos nas cadeias de suprimento — portos, armazéns, centros de transporte — reconhecem implicitamente que o poder capitalista já não está concentrado em um único local de trabalho ou relação salarial, mas disperso em redes de circulação e reprodução. Essa mudança direciona corretamente a atenção para as infraestruturas materiais através das quais a acumulação é organizada no capitalismo contemporâneo.

No entanto, a limitação estratégica dessas abordagens não está em seu diagnóstico sobre onde a ruptura pode ocorrer, mas em sua incapacidade de resolver o problema da acumulação política. A capacidade disruptiva, mesmo quando precisamente direcionada, não gera por si só organização duradoura nem poder de classe generalizável. Sem formas mediadoras capazes de conectar rupturas episódicas a uma estratégia coletiva sustentada, a pressão logística corre o risco de reproduzir o mesmo padrão que afeta a mobilização contemporânea de forma mais ampla: intensidade sem acumulação, confronto sem recomposição.

Uma terceira forma de mediação é a ONGização, particularmente predominante em contextos de informalização e retração estatal. As ONGs frequentemente estabilizam a sobrevivência, prestam serviços e articulam reivindicações na linguagem dos direitos e da inclusão. Mas precisamente porque operam dentro de mandatos institucionais estreitos, tendem a despolitizar o conflito. Administram a vulnerabilidade em vez de confrontar a acumulação, traduzindo antagonismos estruturais em problemas técnicos ou casos individuais.

Essas respostas diferem politicamente, mas compartilham uma limitação comum: substituem formas parciais de mediação pelo difícil trabalho da recomposição de classe. Nenhuma resolve o problema da acumulação porque nenhuma reconstrói as capacidades organizativas necessárias para confrontar o capital e o Estado enquanto atores de classe.

A fragilidade da forma política, portanto, não é acidental. Ela reflete a desarticulação histórica do movimento operário, a erosão de partidos enraizados na organização de classe e a ausência de novas formas capazes de atuar nos novos regimes de trabalho. Onde tais formas existem, frequentemente permanecem confinadas a setores ou momentos específicos, sem capacidade de generalização.

Isso não implica que a forma política possa simplesmente ser reinventada à vontade. As formas emergem da luta, mas também moldam sua trajetória. O desafio atual não é replicar instituições herdadas — sindicatos, partidos ou frentes — tal como existiam anteriormente, mas desenvolver formas de organização capazes de conectar produção e reprodução, trabalho formal e informal, cidadãos e não cidadãos, sem reduzir essas diferenças a abstrações.

Crucialmente, o Estado não pode ser tratado como um instrumento neutro à espera de ser capturado. Ele é um espaço central do poder de classe. A acumulação política exige, portanto, estratégias que enfrentem o Estado como terreno de luta, e não apenas como arena de representação. Sem pressão sustentada de forças sociais organizadas, o poder estatal reproduz as relações de classe existentes, independentemente dos resultados eleitorais.

A persistência de lutas fragmentadas ao lado de uma fraca acumulação produziu ampla frustração na esquerda. Essa frustração frequentemente se expressa tanto como cinismo em relação à política quanto como impaciência com a própria organização. A acumulação política hoje exige recomposição através de relações sociais fragmentadas. Ela requer formas de organização capazes de operar em múltiplas escalas, perdurar para além dos momentos de mobilização e articular um antagonismo geral sem apagar as diferenças.

Essa é uma tarefa exigente, e não há atalhos. Mas, sem enfrentar diretamente o problema da forma política, a luta de classes continuará a explodir sem convergir, e a mobilização continuará substituindo o poder.

A recomposição deve ser entendida como um processo histórico, e não simplesmente como um desenho organizativo. Ela se desenvolve de maneira desigual, marcada por conflitos, fracassos e avanços parciais, sendo moldada pelas mudanças nas relações entre produção, reprodução e poder estatal. Qualquer política de classe sustentável surgirá dessas contradições, e não de soluções simplistas.

Não existe um modelo pronto para essa tarefa. As formas políticas não podem ser projetadas abstratamente à margem da luta, nem improvisadas sem consideração pelas condições que precisam enfrentar. O que se pode afirmar é que o problema enfrentado pela esquerda hoje não é a ausência de antagonismo de classe, mas a ausência de forças capazes de organizá-lo em escala e ao longo do tempo.


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