Nahuel Moreno, o tempo que caminha com os que lutam
Uma homenagem ao histórico dirigente trotskista argentino
Por Júlio Miragaia
Há 39 anos, morria em Buenos Aires Nahuel Moreno, dirigente trotskista argentino que atravessou boa parte do século XX organizando partidos, formando militantes e polemizando com seu próprio tempo. Sua ausência nunca foi silêncio: ficou nas correntes que ajudou a fundar, nos debates que abriu e nas perguntas que seguem sem resposta fácil.
Nascido Hugo Miguel Bressano Capacete, em 1924, Moreno ingressou muito jovem na militância socialista. Ainda nos anos 1940, aproximou-se do trotskismo e passou a atuar junto ao movimento operário argentino, fazendo da organização política uma tarefa permanente, marcada por estudo rigoroso e intervenção prática.
Ao longo de décadas, foi protagonista de rupturas, exílios e reconstruções. Fundou e dirigiu organizações como o Partido Socialista dos Trabalhadores e participou da construção de correntes internacionais, sempre defendendo a centralidade da classe trabalhadora, a democracia interna e a independência política frente aos regimes e burocracias.
Em um mundo hoje atravessado por guerras, colapsos ambientais e democracias em erosão, as elaborações de Moreno voltam a interpelar o presente. Seu trotskismo, forjado na experiência latino-americana, recusava atalhos fáceis e ensinava que não há teoria revolucionária viva sem enraizamento nas lutas reais, nas contradições concretas e nas massas em movimento.
Passados 39 anos, a linha trotskista de Nahuel Moreno permanece como fio tenso da história. Não o caminho mais curto nem o mais confortável, mas aquele que insiste em ligar programa e vida real, crítica e organização. Uma linha traçada contra o tempo que só existe enquanto caminha com os que lutam.