Esquerda tenta conter avanço da extrema-direita no Peru

Esquerda tenta conter avanço da extrema-direita no Peru

No próximo dia 12, nas eleições presidenciais peruanas, a tarefa da esquerda é deter o avanço da extrema-direita

Max Costa 30 mar 2026, 22:14

A menos de duas semanas das eleições presidenciais, partidos de esquerda tentam evitar o avanço do conservadorismo no Peru e impedir o que seria uma tragédia política: um segundo turno composto apenas por forças da extrema-direita. A tarefa não é fácil, diante do descrédito dos eleitores na casta política do país e da pulverização de candidaturas, que dificulta que o povo peruano conheça a fundo as propostas dos presidenciáveis. Ao todo, 35 candidatos postulam o cargo de presidente do Peru – eram 36, mas um morreu em um acidente de carro há duas semanas.

Embora pouco confiáveis e mais centradas nas áreas urbanas, as últimas pesquisas indicam que a disputa presidencial está sendo liderada pela extrema-direita, com a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko Fujimori (Fuerza Popular) à frente, seguida pelo ex-prefeito de Lima, considerado o Bolsonaro peruano, Rafael Lopez Aliaga (Renovación Popular). Além deles, outros candidatos direitistas também se destacam, como o comediante Carlos Álvarez (País para Todos) e o empresário bilionário, ex-governador do Departamento de Libertad, Carlos Acuña (Alianza para El Progreso). A vitória de qualquer um deles representaria o aprofundamento do ajuste fiscal contra o povo, a continuidade do “pacto mafioso” no Congresso Nacional e a ampliação da influência de Donald Trump na América Latina.

No campo progressista, três candidatos alinhados à esquerda se destacam nas pesquisas: o economista e ex-reitor da Universidade Nacional de Engenharia, Alfonso Lopez Chau (Ahora Nación); o deputado nacional e ex-ministro de Comércio Exterior, Roberto Sanchez (Juntos pelo Peru); e o advogado popular e progressista, Ronald Atencio, que lidera a Aliança Venceremos, composta pelos partidos Nuevo Peru, Voces Del Pueblo e outras organizações.

Além dos candidatos à esquerda, correndo por fora, tentando captar esse voto progressista, está o centrista e ex-ministro da Defesa, Jorge Nieto Montensinos (Partido do Bom Governo). Com origem na esquerda, Jorge Nieto está mais à direita atualmente, tendo sido ministro do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, com o qual rompeu, quando este concedeu indulto ao ex-ditador Alberto Fujimori.

Lopez Chau em queda, Sanchez estagnado e Atencio em ascensão

Até então melhor pontuado nas pesquisas entre os candidatos à esquerda, Lopez Chau tem caído nos últimos levantamentos, uma vez que não vemos volume de sua campanha nas ruas e nem apoio orgânicos dos movimentos sociais. Isso confirma a avaliação de setores da esquerda peruana, de que sua candidatura estava sendo inflada por setores midiáticos e parte da burguesia do país, com quem mantém relações. O ex-reitor defende a manutenção da estabilidade econômica e se diz preocupado com o déficit fiscal, apresentando um discurso moderado e sem enfrentar as raízes dos problemas de um país mergulhado na corrupção e com um Congresso acusado de relações com o crime organizado.

Já Roberto Sanchez tem se mantido estável nas pesquisas e conta como principal trunfo de campanha o apoio do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro. Defende uma nova Assembleia Constutuinte e o enfrentamento às máfias e ao crime organizado, bem como a soberania do país com a industrialização e a proibição da exportação de minérios sem processamento, para garantir o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional. Porém, é visto com desconfiança por setores de esquerda, que o acusam de ter um projeto pessoal de poder e autoritarismo no controle partidário. Chegou a ser convidado para compor a Aliança Venceremos, mas recusou, por não concordar com a realização de prévias internas para definir quem seria o candidato presidencial.

Mas entre os candidatos à esquerda quem tem mais crescido na campanha é Ronald Atencio. Até duas semanas, ele sequer aparecia nas pesquisas, mas com forte militância tem feito comícios, caminhadas e reuniões numerosas nas províncias e ocupado estações de metrô e esquinas de Lima com panfletagens e atividades de corpo a corpo. Conta com o apoio do deputado Guillermo Bermejo, perseguido pelo governo peruano e preso político sob acusações de ligações com o grupo Sendero Luminoso. A candidatura de Ronald Atencio é resultado da unidade de diversas organizações de esquerda com distintas tradições, entre elas Nuevo Peru e Voces Del Pueblo, que se juntaram, formaram a Aliança Venceremos e realizaram prévia interna para, democraticamente, definir quem seria o candidato presidencial de esquerda.

Oriundo de Lima Norte e com forte ligação com as províncias, Atencio tem assumido um discurso antisistema e tem como eixo a defesa de uma Assembleia Constituinte Plurinacional e o enfrentamento ao “pacto mafioso” que domina o Congresso Nacional. Ele defende, ainda, a revogação das leis que favorecem o crime organizado e a prisão dos responsáveis pelas mortes nos protestos de rua de 2022 e 2023 contra o golpe de Dina Boluarte. No campo econômico, pretende fazer uma reforma tributária justa, investir na industrialização das matérias primas no próprio país e implantar uma política de crédito para trabalhadores informais, agricultores e pequenos empreendedores. Mais de 70% dos trabalhadores peruanos vivem hoje na informalidade.

As eleições no Peru ocorrem no dia 12 de abril, das 7 às 17 horas. Mais de 18 milhões de eleitores estão aptos a votar e terão que escolher o presidente e vice-presidente da República, senadores nacionais e regionais, deputados nacionais e representantes do país no parlamento andino. Uma votação complexa, em que muitos eleitores demonstram desconhecimento sobre como votar, o que aumenta a possibilidade de votos nulos. No dia da eleição, os peruanos terão que marcar em uma grande cédula de papel os símbolos das candidaturas para os 5 cargos a serem escolhidos, além de escrever o número de seus candidatos na extensa lista, antes de depositar o voto na urna.


TV Movimento

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo

Global Sumud Flotilla: Por que tentamos chegar a Gaza

Importante mensagem de três integrantes brasileiros da Global Sumud Flotilla! Mariana Conti é vereadora de Campinas, uma das maiores cidades do Brasil. Gabi Tolotti é presidente do PSOL no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete da deputada estadual Luciana Genro. E Nicolas Calabrese é professor de Educação Física e militante da Rede Emancipa. Estamos unindo esforços no mundo inteiro para abrir um corredor humanitário e furar o cerco a Gaza!
Editorial
Israel Dutra | 16 mar 2026

O Brasil e a guerra

Os efeitos de uma crise econômica e energética geram impactos para o Brasil
O Brasil e a guerra
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores