Monica denuncia governo Tarcísio por ações com Igreja Universal
Monica_Seixas

Monica denuncia governo Tarcísio por ações com Igreja Universal

Convocação de professores em templo religioso reacende debate sobre laicidade, uso da máquina pública e avanço da influência evangélica na política paulista

Tatiana Py Dutra 1 abr 2026, 10:09

Foto: Reprodução

A denúncia apresentada pela deputada estadual Monica Seixas (PSOL) contra o governo de Tarcísio de Freitas reacendeu um debate central para a democracia brasileira: os limites entre Estado e religião. O caso envolve a convocação de professores da rede estadual para uma reunião realizada dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, em Santos, o que, segundo especialistas, pode configurar violação do princípio constitucional da laicidade.

“Protocolamos uma Notícia de Fato no Ministério Público para investigar a convocação de educadores da rede estadual para uma reunião realizada dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus”, afirmou a parlamentar. Ela também destacou que “o Estado brasileiro é laico e a Constituição é clara: o poder público não pode estabelecer relações de dependência ou aliança com instituições religiosas”.

Estado laico sob pressão

A Constituição de 1988 determina, em seu artigo 19, que o Estado não pode “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”. Para juristas e entidades de direitos civis, a realização de atividades institucionais em espaços religiosos – especialmente quando há convocação de servidores – tensiona diretamente esse princípio.

O caso denunciado por Seixas ganha ainda mais gravidade diante do relato de que houve prática de oração durante o encontro.

“O Estado não pode impor religião nem misturar fé com gestão pública”, afirmou a deputada.

Segundo análises recorrentes de organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Conectas Direitos Humanos, a laicidade não significa oposição à religião, mas sim a garantia de neutralidade estatal, assegurando igualdade entre diferentes crenças – e também o direito de não professar nenhuma.

Parcerias sob suspeita

A denúncia não se limita ao episódio em Santos. A deputada aponta “questionamentos sobre convênios e parcerias com a Igreja Universal em secretarias como Segurança, Administração Penitenciária e Educação”. Esse tipo de relação levanta preocupações sobre favorecimento institucional, uso indevido de recursos públicos e possível captura de políticas públicas por interesses religiosos.

Nos últimos anos, reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e BBC News Brasil têm mostrado a crescente presença de lideranças evangélicas – especialmente ligadas à Universal – em espaços de poder, incluindo programas em presídios, políticas sociais e articulações políticas. Embora muitas dessas iniciativas sejam apresentadas como ações de assistência ou ressocialização, críticos apontam falta de transparência e riscos de proselitismo.

Religião, política e polarização

A aproximação entre governos e setores religiosos, especialmente evangélicos, não é um fenômeno novo no Brasil, mas ganhou intensidade na última década, impulsionada pela ascensão da extrema direita e pela reorganização do campo político conservador.

A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, mantém forte influência política e midiática, historicamente associada a projetos de poder que articulam fé, comunicação e institucionalidade. Esse modelo tem contribuído para aprofundar a polarização política, ao mobilizar identidades religiosas em disputas eleitorais e na formulação de políticas públicas.

Especialistas em ciência política apontam que, quando o Estado passa a operar em sintonia com uma determinada vertente religiosa, há risco de exclusão de grupos minoritários, discriminação indireta e erosão de princípios democráticos. Isso é particularmente sensível em áreas como educação, onde a diversidade de crenças deve ser respeitada.

Educação e liberdade de crença

No caso específico da educação, o problema ganha contornos ainda mais graves. A convocação de professores para atividades em espaços religiosos pode gerar constrangimento, violar a liberdade de consciência dos servidores e comprometer o caráter plural da escola pública.

“A educação pública deve respeitar a diversidade, a liberdade de crença e os direitos dos servidores”, afirmou Monica Seixas. “O Estado não pode impor religião nem misturar fé com gestão pública.”

A Notícia de Fato protocolada junto ao Ministério Público pede a apuração de possíveis irregularidades, incluindo improbidade administrativa e violação do princípio do Estado laico.

Enquanto o caso segue sem resposta oficial do governo paulista, ele se soma a uma série de episódios que indicam o avanço da influência religiosa sobre a máquina pública – um movimento que ameaça não apenas a laicidade do Estado, mas também a própria qualidade da democracia brasileira.


TV Movimento

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Atividade preparatória em São Paulo para a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre

Encontro Nacional do MES-PSOL

Ato de Abertura do Encontro Nacional do MES-PSOL, realizado no último dia 19/09 em São Paulo

Global Sumud Flotilla: Por que tentamos chegar a Gaza

Importante mensagem de três integrantes brasileiros da Global Sumud Flotilla! Mariana Conti é vereadora de Campinas, uma das maiores cidades do Brasil. Gabi Tolotti é presidente do PSOL no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete da deputada estadual Luciana Genro. E Nicolas Calabrese é professor de Educação Física e militante da Rede Emancipa. Estamos unindo esforços no mundo inteiro para abrir um corredor humanitário e furar o cerco a Gaza!
Editorial
Israel Dutra | 01 abr 2026

1ª Conferência Antifascista: uma vitória política

Reunindo milhares de pessoas e delegações de mais de 40 países para debater a luta antifascista e anti-imperialista, posicionando mais uma vez Porto Alegre na vanguarda da luta internacional
1ª Conferência Antifascista: uma vitória política
Publicações
Capa da última edição da Revista Movimento
A ascensão da extrema direita e o freio de emergência
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!
Ler mais

Podcast Em Movimento

Colunistas

Ver todos

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Ver todos

Podcast Em Movimento

Capa da última edição da Revista Movimento
Conheça o novo livro de Roberto Robaina!

Autores