Flávio despenca nas pesquisas após revelações sobre Vorcaro
Pesquisa realizada após a divulgação do áudio de Flávio para o banqueiro indica Lula com de mais de 8% de diferença sobre o candidato da extrema direita no turno 2º turno
Foto: Flávio Bolsonaro. (Ton Molina/Agência Senado)
Conforme já era previsto nos últimos dias, a recente pesquisa AtlasIntel sobre as próximas eleições demonstrou uma grande queda na intenção de voto de Flávio Bolsonaro. Feita após a divulgação de áudios do presidenciável da extrema direita em contato com Daniel Vorcaro, banqueiro corrupto responsável pelo escândalo do Banco Master, a pesquisa indica Lula pontuando 48,9% contra 41,8% de Flávio no 2º turno, uma grande diferença da última pesquisa feita pelo mesmo instituto no final de abril, quando este marcava 47,8% contra 47,5% do atual presidente.
A situação do candidato da extrema direita se complicou ainda mais porque ele mentiu sucessivamente sobre o caso de financiamento do filme Dark Horse tanto no dia da reportagem do Intercept – afirmando que tal contato com Vorcaro não existia horas antes do mesmo de ser revelado – quanto nos dias posteriores, mudando de versão diversas vezes a medida que novas informações eram reveladas. Da mentira feita por “obrigação contratual” com os financiadores do filme até a confissão de que mais contatos com Vorcaro foram feitos, Flávio apostou em desculpas para coesionar a própria base defendendo que era tudo “dinheiro privado” captado por “um filho que só queria fazer um filme sobre seu pai”.
A ideia que circulou na direita foi de que a crise poderia ser decantada com o tempo, mas o vexame exposto em todos os veículos de mídia do país se materializou na última pesquisa e colocou novamente o bolsonarismo em uma defensiva após meses de consolidação se aproveitando de recentes desgastes do governo federal. E a situação tende a piorar com novas descobertas, como a que indica que deputados bolsonaristas de São Paulo destinaram mais de R$ 700 mil em emendas a empresa e entidades ligadas à produtora do filme.
Além disso, a pesquisa também indica outros dados importantes. No 1º turno, onde Lula já se mantinha em primeiro, a diferença entre o senador e o presidente quase dobrou e foi de 7% para 13%, tendo Lula marcando 47% e Flávio 34% das intenções de voto. E a situação do neofascista se complica ainda mais com o dado de que mais de 47% dos eleitores não votariam nele nunca, deixando uma margem pequena de indecisos para disputa.
Outras tentativas risíveis da campanha bolsonarista para mudar a agenda política, como a tentativa de associar a imagem à de Neymar no dia da convocação do jogador, terão dificuldade de prosperar. E a crise chegou a tal tal nível que o PL, partido de Flávio, inclusive acionou o TSE para barrar a pesquisa da AtlasIntel. A situação mudou tanto que o governo agora cogita uma afirmação de força ao tentar indicar novamente Jorge Messias para o STF, numa jogada tanto temerária quanto incorreta politicamente.
Com a extrema direita enfraquecida, ganham também o processo de luta pelo fim da escala 6×1 e diversas outra pautas progressistas importantes, que agora têm mais um argumento contra o cinismo dos neofascistas. O fato é que a situação mudou e colocou mais próxima uma possibilidade de derrota do bolsonarismo em outubro.