Estudantes ocupam reitoria da USP após reitor fechar negociação
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Estudantes ocupam reitoria da USP após reitor fechar negociação

Movimento denuncia precarização da permanência estudantil, abandono do Crusp e recusa da gestão em negociar reajuste digno de bolsas e auxílios enquanto universidade acumula bilhões em caixa

Foto: DCEUSP/Instagram

A greve estudantil nas universidades estaduais paulistas ganhou um novo capítulo na noite desta quinta-feira (7), quando centenas de estudantes ocuparam o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo, no campus Butantã, após semanas de paralisação e sucessivas denúncias de descaso da administração universitária com as condições de permanência estudantil.

A ocupação foi decidida em assembleia realizada no último dia 6 de maio e ocorreu após o reitor Aluísio Segurado encerrar unilateralmente a mesa de negociação com os estudantes. Desde as primeiras horas da manhã, manifestantes realizavam um “trancaço” na entrada do prédio da reitoria. À tarde, diante da ausência de respostas concretas da gestão, o ato evoluiu para a ocupação do espaço administrativo da universidade.

“Se a reitoria não vai nos receber, não têm motivo para ela funcionar”, afirmou o DCE Livre da USP em vídeo divulgado durante a mobilização.

A paralisação, que já dura mais de três semanas, reúne estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Estadual Paulista, e tem como eixo central a luta por permanência estudantil, ampliação de bolsas, melhorias na moradia universitária e condições dignas de alimentação e transporte.

O estopim da greve foi a aprovação de uma gratificação mensal de R$ 4 mil para docentes, enquanto estudantes denunciam que seguem enfrentando restaurantes universitários precarizados, presença de larvas, pedras e vidros na comida, além do sucateamento histórico do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, o Crusp.

Segundo levantamento do movimento estudantil, a universidade possui cerca de R$ 9 bilhões em caixa, mas apresentou propostas consideradas irrisórias para os auxílios estudantis. A reitoria propôs aumento de apenas R$ 27 para bolsistas integrais e de R$ 5 para estudantes moradores do Crusp.

Durante entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (8), uma militante do Juntos criticou a condução das negociações pela administração da universidade e destacou que a mobilização é fruto direto da negligência institucional.

“Nesse processo de mobilização, a gente realizou duas mesas de negociação com a reitoria apenas – embora a reitoria tente cavar que foram três, os demais espaços não foram legítimos do movimento. Na primeira mesa, houve alguns avanços que a gente considera importantes”, afirmou.

A militante elencou conquistas parciais como o debate sobre cotas trans, vestibular indígena, transporte universitário e a revogação de uma minuta considerada uma tentativa de criminalização do movimento estudantil. Ainda assim, ressaltou que a principal reivindicação segue sem resposta efetiva.

“A principal demanda dos estudantes nesse processo de greve é justamente o aumento do passe pelas condições de precariedade. E é justamente nesse ponto que a reitoria não progrediu nada”, disse.

Segundo a estudante, a própria administração voltou atrás após inicialmente alegar impossibilidade financeira para reajustar os benefícios.

 “Na segunda mesa de negociação apresentou que era possível, sim, um reajuste. O que a reitoria apresentou foi um reajuste de R$ 27 para os estudantes com bolsa parcial e para quem moram na moradia da universidade, um aumento de só R$ 5 no valor do auxílio, que é completamente insuficiente, inclusive, para conseguir se transportar na universidade e na própria cidade”, denunciou.

Ela também classificou a ocupação como uma resposta coletiva à postura da gestão universitária diante das reivindicações estudantis.

“Esse processo de mobilização é, na verdade, uma resposta à negligência da reitoria sobre os estudantes, é uma resposta daqueles que estão cansados de serem ignorados por órgãos que deveriam atender e ouvir os seus estudantes”, concluiu.

Um perigo chamado Crusp

Além da permanência estudantil, os grevistas denunciam a precarização da estrutura universitária e criticam o governo de Tarcísio de Freitas, acusado pelos estudantes de aprofundar políticas de privatização e sucateamento da educação pública paulista.

Na última quarta-feira, estudantes mostraram as condições do Crusp: infiltrações, mofo, vazamentos de gás, cozinhas sem iluminação e estruturas deterioradas. Em outra frente da greve, estudantes da Unesp relacionam a mobilização à morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma atividade noturna sem atendimento médico disponível no campus.

Mesmo após a ocupação, a reitoria ainda não anunciou a reabertura da mesa de negociação. O movimento estudantil, por sua vez, promete intensificar as mobilizações nas próximas semanas, incluindo uma marcha ao Palácio dos Bandeirantes marcada para o próximo dia 20 de maio.


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