A branquitude como ideologia
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A branquitude como ideologia

aça e branquitude são construções sociais, ideologias que ajudam a legitimar o poder político dominante no seio da sociedade norte-americana

Danilo Serafim 18 ago 2026, 08:00

Foto: Manifestação do Black Lives Matter nos EUA. (Anthony Quintano/Flickr)

O Tea Party e os movimentos de supremacia branca nos Estados Unidos iniciaram uma campanha de questionar a cidadania de Obama em 2009, pois diziam que ele não era um afro-americano, portanto não poderia concorrer à presidência dos EUA.. Nesse período, Donald Trump se tornou uma figura central na política dos EUA. Essas tendências representavam outras tendências, parcialmente esquecidas. Na política de “identidade nacional americana” , uma espécie de inovação revanchista do povo para delimitar a comunidade política e reforçar as formas existentes de hierarquia. A da Supremacia branca sobre os demais cidadãos.

Essa versão de identidade nacional, quase sempre foi articulada com uma concepção racializada da comunidade nacional. Nesse sentido enxerga-se como os depositários da identidade nacional de forma unilateral a branquitude.

Desde sempre o mundo político do chamado país da “democracia”, à democracia branca, ou a democracia do povo branco. Ou a “cidadania branca”, apresenta uma visão da democracia americana como um projeto constante de inclusão cívica branca.

Após a eleição de Trump em 2016, houve um rápido desenvolvimento da literatura sobre o populismo autoritário e do avanço da política de extrema direita. A branquitude tende a ser concebida como uma espécie de cola cívica ou solidariedade que une a comunidade política e nivela as hierarquias sociais. As práticas de racialização sempre exigem formas de fortificação de fronteiras.

A linha ideológica do Make America Great Again (Faça a América Grande Novamente) e da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) , além da difusão de ideias de extrema direita e práticas neofascista é a organização da institucionalização de formas agressivas de controle da imigração, ataque a autonomia das mulheres, policiamento sobre as pessoas, encarceramento e restrições ao direito ao voto. O encarceramento em massa de negros nos Estados Unidos é um fenômeno conectado ao passado escravocrata e também do modelo econômico excludente, ou seja, uma nova segregação. “Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem iguais” (Michelle Alexander).

O racismo fornece um conjunto especial de razões para autorizar a exclusão e a dominação, geralmente apresentadas em uma linguagem moderna e científica – na linguagem da história natural e da filosofia e, posteriormente, da biologia. Ele fornece um conjunto especial de razões para considerar algumas pessoas como naturalmente distintas e inferiores e, portanto, aptas a uma vida de dominação. Por mais estranho e paradoxal que seja, para os brancos o racismo é possível e necessário contanto que a dominação persista na presença de normas de democracia burguesa e branca.

Branquitude é o termo construído da teoria crítica de raça com o objetivo de enunciar as estruturas sociais que produzem e reproduzem a supremacia branca e o privilégio branco, resultado da expansão colonial.

A definição de branquitude não é mesma para os diferentes estudiosos do campo, já que, para alguns, a branquitude é usada como sinônimo de identidade racial branca, enquanto para outros se trata de construção discursiva , uma posição de poder, ou, uma ideologia. Branquitude é uma realidade que foi construída sócio-historicamente como uma ficção de superioridade, e que, portanto, produz e legitima a violência racial contra grupos sociais não brancos. O racismo é uma política de cercamento contra as populações racializadas. O racismo contém a democracia por dentro.

Dos diferentes estudos que mostram esse campo de conhecimento e teve sua gênese no início do século XX, me oriento pela literatura de Du Bois. O livro Black Reconstrution in America (Reconstrução Negra na América, 1935), no qual o sociólogo negro W.E.B. Du Bois apresenta uma dinâmica que entrelaça as categorias de raça, classe e status. Du Bois demonstra que a aceitação do racismo e filiação de categoria racial “branca” pela classe trabalhadora de imigrantes do leste e do sul da Europa, ao chegarem aos EUA, foi uma forma de se apropriar de benefícios da classe dominante e se diferenciar dos ex-escravizados recém libertos. Du Bois caracterizou esse lugar de prestígio da brancura como “salário público e psicológico da brancura”, que resultava em acesso a bens materiais e simbólicos , os quais os negros não podiam compartilhar.

Embora o termo “branquitude” seja contemporâneo, Du Bois foi pioneiro ao trata-la como objeto de estudo. Em Reconstrução Negra, mostra como os trabalhadores brancos pobres nos EUA após a Guerra Civil, abriram mão de alianças de classe com negros para receber o “salário psicológico da branquitude”: status, tratamento preferencial e a certeza de não estar num degrau abaixo. A branquitude, assim, não é apenas a cor da pele, mas um pacto político que organiza hierarquias sociais e fratura solidariedades. O conceito de branquitude construído por Du Bois permanece até hoje como um dos maiores legados do autor para essa área de análise e pesquisa. Estudar o racismo exige estudar também os benefícios materiais e simbólicos de ser branco.

De acordo com Michael Gorup, “o racismo é uma tecnologia para fragmentar o mundo social. É uma tecnologia para traçar uma fronteira entre os povos soberanos e as populações racializadas”. O racismo constitui um conjunto de práticas sociais que são autorizadas por uma ideologia racial. Essa ideologia pode assumir diferentes formas , dependendo do contexto histórico. Na virada do século XX, ela esteve enraizada na pseudociência racial biologista. Mais tarde, no pós-guerra, ela se enraizou em discursos sobre os pobres ou a subclasse culturalmente patológicos. Discursos racializados na política americana que acabaram estruturando e legitimando certas práticas políticas. A expressão usada por Du Bois “despotismo democrático” no texto intitulado “As Raízes Africanas da Guerra”, foi adotada por alguns leitores de Du Bois . A utilização da expressão “despotismo democrático” para se referir a aliança instável entre as normas democráticas de legitimação e as práticas despóticas dominação, exclusão e desapropriação.

A política de linchamentos em massa no Sul segregacionista dos Estados Unidos são exemplos que se pode observar. Algumas explicações para o aumento da frequência dos linchamentos, é a de que os rituais dos linchamentos em massa repudiam a visão de uma sociedade multirracial e de uma democracia abolicionista para usar o termo de Du Bois, inaugurada durante o período da Reconstrução.

Os linchamentos em massa são os atos fundadores da ordem Jim Crow. Eles servem para repudiar a visão de uma identidade multirracial que impulsionou a emancipação durante a Era da Reconstrução. Trata-se de um conjunto concreto de práticas que podemos apontar como entronizadoras e ritualísticas de um demos branco, num momento de profunda controvérsia pública sobre os limites da comunidade política.

Du Bois afirmava, que o problema do século XX é o problema da linha da cor. E esse problema persiste no século XXI. A esse conceito é importante introduzir outro conceito. A Dupla Consciência e o “Véu”. A do negro americano como ver a si mesmo “através dos olhos dos outros”. A Dupla Consciência como ter a sensação de medir a própria alma pela régua de um mundo que o despreza. O negro vive uma cisão interna: ser americano e ser negro, duas identidades em conflito dentro de um corpo só. Essa condição mediada pelo “véu” – uma metáfora para a barreira racial que impede os brancos de enxergarem os negros como sujeitos plenos, e que impede os negros de verem fora da distorção imposta pelo racismo. O véu é, ao mesmo tempo, invisibilidade e exposição: o negro é hipersensível como problema e invisível como pessoa.

Como relata Michelle Alexander, em “A Nova Segregação Racismo e Encarceramento em Massa” , a segregação racial do século XXI é o encarceramento em massa: “ Jarvious Cotton não pode votar. Como ocorreu com seu pai, seu avô, seu bisavô e seu tataravô, o direito de participar de nossa democracia eleitoral lhe tem sido negado. A árvore genealógica da família Cotton, nos conta a história de várias gerações de homens negros que nasceram nos Estados Unidos, mas que são impedidos de exercer o direito mais básico que a democracia promete a qualquer um – a liberdade de votar naqueles que farão as regras e as leis que governam as suas vidas. O tataravô de Cotton não podia votar por causa da condição de escravo. Seu bisavô foi espancado até a morte pela Ku Klux Klan por tentar votar. Seu avô foi impedido de votar por intimidação da mesma KKK. Seu pai foi proibido de votar por impossibilidade de pagar o censo e pela imposição de testes de alfabetização. Hoje, Jarvious Cotton não pode votar porque, como muitos homens negros nos Estados Unidos, foi rotulado como delinquente e está atualmente em liberdade condicional”.

Em fevereiro de 2012, na Flórida, cidade de Sanford, o jovem Trayvon Martin de 17 anos saiu da casa da namorada do seu pai, em um condomínio fechado, para comprar doces e nunca mais retornou. Foi assassinado por um vigilante branco e hispânico com uma pistola de 9 milímetros Em 13 de julho de 2013, depois de um júri de dezesseis horas de duração, George Zimmerman foi absolvido das acusações de assassinato em segundo grau e homicídio culposo. A juíza do que absolveu Zimmerman não aceitou nem sequer a menção da questão racial nos autos. Seis anos depois, em 25 de maio de 2020, morria George Floyd, um homem negro de 46 anos, assassinado por Derek Chauvin. O roteiro é o mesmo. A polícia foi acionada depois de Floyd ter tentado comprar cigarros com uma nota falsa de 20 dólares. Em depoimento, o atendente que aceitou a nota era falsa. Fora da loja, quando George foi abordado pelos policiais , pessoas ao redor puderam gravar o momento em que Chauvin pressionava seu joelho no pescoço de Floyd, impedindo que ele respirasse. Nas gravações, ouvem-se suas súplicas “I can’t breathe” (“não consigo respirar”). Foram oito minutos de agonia até George morrer!

Conforme Alexander, “ a cada geração novas táticas têm sido usadas para se atingir os mesmos objetivos – objetivos estes, também partilhados dos pais fundadores”. Para Thomas Jefferson era preferível que os africanos escravizados permaneçam escravizados a que se tornem livres e, assim, colocarem em risco toda a comunidade política. O racismo funciona na política consagrando, legitimando e racionalizando relações de dominação. A inevitabilidade da escravidão, pois torna-se impossível aboli-la sem um programa de colonização sistemática, ou seja, a expulsão sistemática de pessoas anteriormente escravizadas.

Jefferson foi um dos principais defensores da colonização, um programa político que ganhou fôlego mesmo após sua morte, com a Sociedade Americana de Colonização, da qual James Monroe, entre outros, fez parte. A Sociedade Americana de Colonização esteve envolvida na fundação do Estado da Libéria e inúmeras elites políticas, incluindo Abraham Lincoln, endossaram a colonização como um programa para abolir a escravidão , mantendo a homogeneidade racial branca nos Estados Unidos. Mas Jefferson foi uma das primeiras, senão a primeira, figura importante a promover essa ideia de forma sistemática, motivada por seu profundo compromisso com a supremacia branca e o racismo contra os negros.

Negar a cidadania dos afro-americanos foi considerado foi considerado essencial à formação da União Americana desde o princípio. Centenas de anos depois, os Estados Unidos continuam não sendo uma democracia igualitária. Os argumentos e raciocínios que têm sido propostos para sustentar a discriminação e a exclusão raciais em suas varias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado é o mesmo, afirma Alexander. Hoje, de acordo com Alexander, uma extraordinária parcela de homens negros dos Estados Unidos é proibida por lei de votar, do mesmo modo que foram ao longo da maior parte da história estadunidense. Também estão sujeitos a formas legalizadas de discriminação no que tange a mercado de trabalho, habitação, educação, benefícios públicos, e a servir como jurados, assim como seus pais, avôs e bisavôs estavam.

As primeiras leis estaduais que privaram homens negros do direito ao voto no Sul dos EUA só foram aprovadas em meados ou no final da década de 1880. A maioria dos estados do Sul não possuía uma lei destinada a privar os homens negros do direito ao voto até o inicio do século XX. O caso Plessy versus Ferguson, que levou a Suprema Corte a confirmar a constitucionalidade das leis de segregação racial (separado mais iguais) de Jim Crow, só foi decidido em 1896. Durante anos após essa decisão, não era incomum que estabelecimentos públicos fossem racialmente integrados no século XX. A segregação residencial por raça foi consistentemente e substancialmente menor nas cidades do Sul em comparação com as cidades do Norte até meados do século XX.

A escravidão foi abolida pela Décima Terceira Emenda em 1865; a supervisão federal da política do sul, por meio da Reconstrução radical, terminou formalmente com o Compromisso de 1877 e a eleição de Rutherdof B. Hayes para a presidência.

As leis de segregação racial (Jim Crow) não foram um consequência imediata da abolição da escravatura, nem mesmo da Reconstrução. Quando as leis de segregação racial finalmente mostraram sua face nefasta , isso ocorreu mais de uma geração após a abolição da escravatura – na maioria dos estados do Sul, décadas após o fim da Reconstrução- e consistiam em um conjunto heterogêneo de leis estaduais.

Quando uma forma de supremacia branca termina (a escravidão), uma nova forma automaticamente toma o seu lugar (as leis de segregação racial como as de Jim Crow). O Novo Jim Crow, um regime de supremacia branca termina e uma versão “nova” toma o seu lugar. A supremacia branca é tratada como se fosse “natural”. Não havia e simplesmente não há alternativas: a sociedade americana sempre retornará e se adaptará à acomodação da supremacia branca, mesmo depois de ela ser contestada com sucesso em algumas frentes de lutas como a dos Direitos Civis na década de 1960.

É o novo Jim Crow. Permanecem os vestígios da segregação do Jim Crow isso está caracterizado no desigual e discriminatório sistema educacional, os problemas que afligiam as comunidades pobres de não brancos, inclusive aqueles associados ao crime e às taxas de encarceramento crescentes, eram decorrentes da pobreza e da falta de acesso a educação de qualidade – legado contínuo da escravidão e do Jim Crow. De novo, vale a pena retomar o conceito de Linha de Cor, em As Almas do Povo Negro, onde Du Bois afirma: a raça não era apenas um marcador biológico, mas uma estrutura global que dividia o acesso a direitos, trabalho, educação e humanidade. A “linha de cor” operava dentro dos EUA, separando negros e brancos, mas também internacionalmente, na relação entre metrópoles europeias e povos colonizados da África, Ásia e América Latina. Entender a contemporaneidade exige, portanto, entender como o capitalismo e o colonialismo se organizaram racialmente.

A branquitude atua como um bem jurídico, que confere ao seu detentor um conjunto de direitos. O proprietário da “branquitude”, pessoas classificadas como brancas, seriam detentoras de uma série de direitos negados aos não brancos. Assim, a” linha da cor” agiria como critério para uma série de discriminações direcionadas a negros e indígenas e como privilégios para os brancos.

No Brasil, diferente do que se imagina, o tema branquitude não é um tópico recente. O fenômeno e seu enunciado carregam, ao longo do tempo, diferentes abordagens e entendimentos entre os intelectuais brasileiros.

Sem mencionar “branquitude” como Du Bois cunhou o conceito, o sociólogo Alberto Guerreiro Ramos, se tornou a primeira referência a descrever o lugar de privilégio do branco na sociedade brasileira. Para Ramos, duas características são centrais ao que ele nomeou como “Patologia Social do Branco Brasileiro” (1957). A tese central de Ramos é o fato de que devido ao racismo e a um ideal de beleza e estética branca, a população brasileira produziu significados positivos à brancura. Em contrapartida, significados negativos estéticos e culturais atribuído aos negros. Dessa maneira, para o autor, a “patologia” do branco brasileiro consiste em que, apesar de a grande maioria destes ter ascendência miscigenadas cultural e biologicamente com os negros, este é um fator negado por eles – a patologia então seria o fato de que o branco brasileiro considera vergonhosa a sua ancestralidade negra.

Florestan Fernandes, em seus estudos acerca das relações raciais no Brasil, discorre sobre a marginalização do negro na ordem social brasileira. Para Fernandes, a branquitude é a própria ordem racial imposta pelos brancos no Brasil, o autor também denominou como “mundo dos brancos”. Para ele a sociedade brasileira foi constituída desde sua gênese por uma relação racial assimétrica, desigual e violenta, que buscou constantemente arrebatar o negro de sua humanidade. A formação social brasileira assentada na escravidão racializou a distribuição de renda, o prestígio social e o poder nas mãos dos brancos – que, ao mesmo tempo, se estruturavam como raça dominante, apesar das divisões impostas pelas classes no interior da sociedade. A integração social do negro sempre foi repelida por uma ordem social hegemonizada essencialmente por brancos, ou melhor, por “seguimentos privilegiados da raça dominante”. De acordo com Fernandes, a um processo de branqueamento psicossocial, moral e fenotípico imposto pela ordem social. Esse processo de transmutação cultural, operado pelo branqueamento, Florestan chamou de “imperialismo da branquitude”.

No racismo estrutural brasileiro, a branquitude expressa as relações de poder, como um lugar de vantagem e de privilégio herdados e estruturados social e historicamente pelo brancos, o que permitiu que esses operassem como grupo racial dominante em detrimento de outros grupos étnicos-raciais.

Concluindo, a bramquitude é uma categoria racial particular que se apresenta “falsamente” como universal, assim ela é muitas vezes não marcada e, portanto, se apresenta fantasiosamente como se fosse uma identidade racial nacional “neutra” e normativa. A branquitude se construiu historicamente a partir da falsa ideia de superioridade racial branca. A branquitude é uma posição de vantagem que produz privilégios materiais e simbólicos nas sociedades estruturadas pelo racismo. A branquitude é uma categoria relacional e seus significados variam conforme a localidade e seus processos históricos.

A ideia de raça, foi de fato, uma criação deliberada da classe exploradora procurando manter e defender seus privilégios contra aquela que era rentavelmente vista como uma casta inferior. Nas guerras culturais existem três pontos fundamentais que são alvo dos ataques supremacistas brancos o gênero/sexualidade, religião e raça. Esses

Isabel Wilkerson interpela:

O que significa racista numa época em que mesmo os extremistas não se reconhecem como tal? Qual é o teste decisivo para o racismo? Quem é racista numa sociedade em que alguém pode se recusar de alugar um imóvel a pessoas de cor, prender imigrantes pardos em massa ou exibir uma bandeira dos Confederados, mas não ser “declarado” como racista amenos que confesse ou seja flagrado usando sinais e termos depreciativos?

A palavra ‘casta’, que se tornou sinônimo de Índia, não se originou na Índia. Ela vem do português ‘casta’, termo renascentista para ‘raça’ ou ‘linhagem’. Os portugueses, que estiveram entre os primeiros mercadores europeus no Sul da Ásia, aplicaram o termo ao povo indiano depois de observar as divisões hinduístas. Assim, uma palavra que atualmente atribuímos à Índia, nasceu na verdade, das interpretações que os europeus deram ao que viam, brotou da cultura ocidental que criou os Estados Unidos.

O escritor e crítico cultural Gore Vidal dizia que “ há um só partido nos Estados Unidos: o Partido da Propriedade, e ele tem duas alas direitistas – republicana e a democrata. Esse sistema de castas raciais prevalece e se intensificou com o segundo mandato de Trump. Não sem reação.

Há um movimento crescente nos Estados Unidos. O movimento “No Kings”, é o lema de uma série de protestos em massa nos Estados Unidos que começou em 14 de junho de 2025, vem sistematicamente contestando o despotismo de Trump e o retrocesso democrático e o comportamento de seu governo, como o desrespeito a ordens sociais e direitos civis, as políticas agressivas de deportação e a atuação do ICE (Serviços de Imigração), o uso da Guarda Nacional e dos Fuzileiros Navais para conter protestos, com em Los Angeles.

De acordo com a Pesquisa Reuters/Ipsos, realizada entre 28 de julho e 3 de agosto com 4.505 adultos americanos Trump encontra-se no seu pior o momento de aprovação geral com 35%. O custo de vida, a alta da gasolina frente a guerra contra o Irã, a política violenta de deportação pelo ICE , tem levado a um progressivo desgaste de Trump.

A desastrosa política externa como a guerra contra o Irã, a interferência na soberania dos países latino-americanos, como as eleições presidenciais no Brasil. O apoio a figuras latino-americanas que são sistematicamente apresentadas por Trump como modelo de ”resistência ao socialismo” e restauração da ordem autoritária como é o caso de Milei na Argentina e da família Bolsonaro.

O “No Kings”, deixou de ser um dia único e virou uma marca de mobilização nacional. As duas primeiras manifestações nacionais atraíram milhões. Em 2026 a terceira roda de manifestações teve mais de 3.200 eventos planejados em todos 50 estados de acordo com a mídia profissional. Fora dos EUA, grupos de solidariedade usaram o nome ‘No Tyrants’ (“Sem tiranos”). O lema é: Rejeitamos o autoritarismo. Rejeitamos o medo. Rejeitamos os tiranos.

No entanto, esses fatos não alteram a condição da “democracia racial” dos EUA, e muito menos deixar de ser uma sociedade racializada. Pois raça e branquitude são construções sociais. São ideologias , são essas ideias que ajudam a legitimar o poder político dominante no seio da sociedade norte-americana.


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