Entre dois mundos
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Entre dois mundos

Temos a tarefa histórica de amplificar o discurso antifascista e anti-imperialista nas eleições, indo para as ruas com todas as forças contra a extrema direita

Israel Dutra 24 set 2026, 18:26

Foto: Lula durante discurso na ONU. (Ricardo Stuckert/PR)

A Assembleia Geral da ONU trouxe a polarização vivida nas ruas do mundo. Ecoou a partir de diversos discursos e agendas, sobretudo entre dois personagens: Trump e Lula.

Os discursos foram contrastantes: dois mundos, entre Lula e Trump. Isso é a evidência que a eleição brasileira está atravessada como nunca pela situação internacional.

Entre diversos temas que dominam a situação estão o controle e o padrão de desenvolvimento da IA, o caos climático se destaca a tensão maior no âmbito geopolítico, que leva a mais e mais guerras e genocídios como na Palestina. E a incontornável questão sobre a soberania dos povos. A eleição brasileira é um plebiscito de alcance mundial: ou vence Lula ou Flávio será um agente do “imperador” Trump.

Cerco ao Brasil

O discurso de Trump foi marcado por ataques para todo lado. Além de ameaçar a destruição completa do Irã, reiterou ataques à América Latina, celebrando a prisão de Maduro e a rendição de Delcy Rodríguez, além de desferir sua verborragia contra o DSA dos EUA, México e Cuba.

O cerco ao Brasil apareceu na declaração da iniciativa “Escudo das Américas”, quando catorze países bradaram para inserir o PCC e o CV na lista internacional de organizações terroristas. Um cerco que combina todas as esferas de ação, desde a visita surpresa de Peter Thiel ao Brasil, ocorrida há alguns meses, revelada apenas agora, até os rumores de uma maior intervenção das big techs dentro do país nas próximas semanas. A ação que a Meta fez, bloqueando por horas a conta do humorista Porchat, é um alerta importante de por onde podem vir os golpes digitais.

Analistas sérios, como Jamil Chade, vem alertando a escalada para interferir na disputa eleitoral brasileira, favorecendo a Flávio na reta final, sintonizado com o discurso trumpista de presença e hegemonia na região.

Um escudo democrático

O único e real escudo é derrotar Flávio nas ruas e nas urnas. Nas últimas sete eleições regionais, Trump e seus candidatos alinhados com a extrema direita tiveram vitórias eleitorais. Lula acertou no seu discurso, de abertura da Assembleia da ONU, denunciando a interferência do imperialismo, o genocídio em Gaza, defendeu a OMS e os preceitos da soberania nacional.

Uma vitória de Lula colocaria um freio no ímpeto da extrema direita, já bastante questionada nas ruas onde governa como o caso do Chile de Kast ou a Argentina de Milei. Às vésperas das eleições de “meio período” e em completo retrocesso em sua incursão genocida e aventureira no Oriente Médio, Trump precisa de uma vitória no Brasil para seguir respirando.

A rejeição ao modelo de extrema direita no maior país do continente seria um gesto popular e institucional a favor das liberdades democráticas, da soberania, da paz e harmonia entre os povos e da defesa do meio ambiente. É necessário defender liberdades democráticas, a soberania, a defesa do meio ambiente e os direitos dos trabalhadores e, para isso, Lula precisa ir além e romper com o modelo agroexportador.

Depende da luta

O fenômeno da extrema direita não é invencível ou imparável, ao contrário, expressa a polarização que o mundo vive. Na Alemanha cresceram, na esteira da crise orgânica da democracia liberal, tanto a assombrosa solução de caráter neofascista da AfD quanto o renovado “Partido da Esquerda” (Die Linke, no original) que acaba de eleger para governar Berlim Elif Eralp, jovem liderança feminista e filha de imigrantes turcos.

Sua inspiração direta veio de Zoran Mamdani, prefeito de Nova York, do DSA, que Lula encontrou nessa semana, num gesto combativo e de confraternização política. Eralp e Mamdani se elegeram com um programa contra a especulação imobiliária apostando no novo, na mobilização da classe trabalhadora e na esquerda renovada. É importante registrar também o apoio de Lula à Cuba, denunciando o bloqueio criminoso do imperialismo contra a ilha com o objetivo de ampliar a crise humanitária do país.

E como parte dessa esquerda renovada, voltando à batalha brasileira, o PSOL se destaca como primeira linha da campanha de rua, com adesão e simpatia de amplas camadas de trabalhadores e da juventude. É dessa luta que depende o resultado eleitoral, seguindo o giro para subir o tom da campanha, amparado em medidas importantes, ainda que iniciais, do governo como o reajuste do bolsa família, a proposta de renegociação das dívidas das famílias e a proibição das Bets.

É preciso ampliar a denúncia de que Flávio Bolsonaro mente de forma contumaz em sua campanha. Mentiu sobre suas relações com Vorcaro e políticos criminosos, como o ex-governador do RJ, Cláudio Castro, entre outros do tipo. Da mesma forma, mente ao denunciar de forma cínica as condições de vida do povo ao mesmo tempo que defende uma política de cortes sociais como a de Javier Milei, que hoje que leva a situação argentina a uma catástrofe social.

Subir o tom significa aumentar a rejeição de Flávio que, de mãos dadas com Mendonça e sob a batuta de Trump, instrumentaliza os escândalos do Master para atingir mais ao governo. E subir o tom significa garantir a existência de segundo turno nos maiores colégios eleitorais do país, eleger a bancada combativa do PSOL, superando a cláusula de barreira e engajamento o maior número de ativistas possível na campanha.

O PSOL tem esse papel histórico a menos de dez dias do primeiro turno, amplificar o discurso, e ir para as ruas para consolidar e virar votos, apoiado com todas as forças o processo de derrota da extrema direita.


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