Israel continua a limpeza étnica
Os ataques sistemáticos do exército e de colonos sionistas avança contra os palestinos na Cisjordânia
Foto: Israelenses judeus participam de um evento que marca o quarto aniversário da fundação do assentamento de Ramat Arbel, na Baixa Galiléia, no norte de Israel, em 26 de julho de 2026. (Michael Giladi/Flash90)
Enquanto as eleições israelenses provocaram uma nova escalada racista e genocida, a limpeza étnica continuou em Gaza, no Líbano e, especialmente, na Cisjordânia. Despejos, assentamentos e o projeto E1 aceleraram uma anexação organizada com a cumplicidade das potências ocidentais.
Como era de se esperar, as eleições estão sendo usadas como pretexto para uma onda de declarações racistas e genocidas. Quase toda a sociedade israelense concorda no essencial: a aceitação do genocídio e a rejeição de qualquer Estado palestino. Ben-Gvir supera os demais com um vídeo mostrando campos de concentração onde prisioneiros palestinos passam fome, enquanto Smotrich promete a anexação da Cisjordânia. Eles certamente pertencem à extrema direita israelense, mas Netanyahu e seus “oponentes” estão fazendo campanha às custas dos palestinos, ou melhor, de seus cadáveres.
Líbano, Gaza, Cisjordânia… o horror continua
No Líbano, Israel retomou seus ataques militares, usando como pretexto o envio de dois drones FPV pelo Hezbollah para bombardear maciçamente o sul de Nabatiyeh, já fortemente afetado. Vários ataques israelenses causaram mortes em Gaza, incluindo crianças, em pleno início do novo ano letivo.
A situação é mais tensa na Cisjordânia. Em 2 de setembro, em Masafer Yatta, o exército israelense destruiu as casas de 12 famílias palestinas sem aviso prévio, deixando 70 pessoas, incluindo 28 crianças, desabrigadas. Esta é a 66ª comunidade palestina a ser totalmente deslocada desde outubro de 2023, enquanto o deslocamento parcial deixou milhares de outras pessoas sem teto. Além disso, 32.000 refugiados foram expulsos em janeiro de 2025 dos campos de Jenin, Tulkarm e Nour.
Nos primeiros quatro meses de 2026, ocorreram na Cisjordânia tantos deslocamentos forçados quanto em todo o ano de 2025. A violência também deixou quase mil feridos e 23 mortos. Sob o governo de Netanyahu, os colonos israelenses estabeleceram 248 novos assentamentos na Cisjordânia, 65 deles desde o início do ano. O projeto de colonização é organizado por todos os órgãos da administração israelense: ao mesmo tempo em que finge criticar a violência dos colonos, o Estado planeja sua colonização, seu equipamento e sua proteção.
Colonos na vanguarda do Estado israelense
O Estado israelense conta com esses grupos semi-civis e semi-militares para levar adiante seus projetos, ao mesmo tempo em que mascara seu envolvimento — se é que isso ainda é um objetivo em 2026. O projeto colonial está, de fato, cada vez menos oculto. Personalidades israelenses agora o descrevem como tal, como Efraim Sneh, ex-ministro, que fala de “limpeza étnica” no New York Times.
Mas os colonos sempre abrem caminho para o Estado de Israel: em meados de agosto, o Ministério da Habitação lançou uma licitação para 1.234 unidades habitacionais em assentamentos na chamada área E1. Considerada “vazia”, ela se estende do leste de Jerusalém até a fronteira com a Jordânia, na Área C. Quase 5.000 palestinos vivem ali e estão ameaçados de despejo. O edital expira na véspera das eleições: uma grande manobra para impor o fato consumado. A construção da E1 dividiria a Cisjordânia entre o norte e o sul e fragmentaria ainda mais o mosaico territorial de um hipotético Estado palestino.
A condenação internacional se multiplica sem que haja medidas concretas. Em agosto, sete países ocidentais — Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Canadá e Noruega — classificaram as licitações como “inaceitáveis”, afirmando que elas prejudicariam a solução de dois Estados ao romper a continuidade territorial palestina. Como de costume, limitam-se a descrever o que estão permitindo que aconteça.
O ministro francês da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou, sem ironia, que a França foi o país que mais fez pelos palestinos. A construção de E1 é um projeto colonial de limpeza étnica em um contexto genocida. Vários bancos europeus, especialmente os franceses, são solicitados a financiar esses assentamentos, correndo o risco de se tornarem cúmplices de um crime contra a humanidade. O Estado que afirma fazer o máximo pela Palestina poderia começar por proibi-los.