Cada voto importa
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Cada voto importa

As eleições do próximo domingo serão essenciais tanto para derrotar a extrema direita como para apontar uma alternativa política anticapitalista no país

Israel Dutra 2 out 2026, 13:52

Foto: Lula participa de ato de campanha em Florianópolis. (Ricardo Stuckert/Reprodução)

Chegou a hora da verdade. Dentro de algumas horas, é preciso votar em Lula e nos candidatos do PSOL. Cada esforço faz a diferença. Cada argumento é válido. Cada militante conta.

As duas tarefas do domingo – e de todo um período histórico – dizem respeito a derrotar a extrema direita e apontar uma alternativa política anticapitalista no país. Durante os últimos meses, semanalmente, nosso editorial enfocou os principais eixos da conjuntura nacional e indicou orientações para o conjunto da aguerrida militância do MES e do PSOL. O desfecho dessa batalha política se encontra nas urnas e nas ruas.

Para derrotar a extrema direita, o voto a ser conquistado para Lula envolve os indecisos e os que ainda estão em dúvida sobre ir às urnas. Esse mutirão precisa ser feito, no corpo a corpo, entre os mais jovens e os mais idosos. A última pesquisa Datafolha aponta a vantagem de 5 pontos de Lula sobre Flávio, uma pequena oscilação positiva que reflete o apoio à medida que pôs fim às Bets e a defensiva da campanha do filho de Bolsonaro acerca do debate sobre Nossa Senhora (o temor em parte dos eleitores católicos de um governo autocrático e fundamentalista, o que não é descartado no caso de vitória do representante do clã miliciano).

O resultado está em aberto. A não ida de Lula ao debate da Globo elevou ainda mais a polarização dentro das diferentes esferas públicas. Acreditamos que apenas subindo o tom na polarização e aumentando a rejeição de Flávio – hoje, segundo as pesquisas, empatado nesse quesito com Lula – podemos ter vitórias no primeiro e no segundo turno. Algumas campanhas estaduais ficaram aquém da tarefa de polarizar e chegar ao segundo turno, fruto de uma orientação errada, como a moderação excessiva de Haddad.

Isso não quer dizer que tenhamos que jogar a toalha: ao contrário, conscientes das dificuldades, devemos redobrar o chamado ao voto nos candidatos ao governo e ao Senado apoiados pelo PSOL nos 27 estados da federação. E dialogar com o conjunto da classe trabalhadora, apoiando-se nas medidas progressivas de Lula – aumento do Bolsa Família, proibição das Bets, tratamento contra a obesidade disponível no SUS, renegociação de dívidas – mas colocando que isso deve ser aprofundado, a começar pela redução da jornada de trabalho, além do aumento do salário mínimo, da taxação dos bilionários e das big techs, a defesa de passe-livre nas cidades e um plano de emergência climática.

Os Estados Unidos jogam todo seu peso para inclinar a balança para o lado do miliciano. Trump pressiona, difunde fake news e ameaça fechar consulados e embaixadas. É escandalosa a atuação da empresa Rockbridge a favor de Bolsonaro e contra o STF, denunciada inclusive por outros candidatos da própria direita. A extrema direita e sua “internacional” atuam para surrupiar a soberania dos povos. Por isso é fundamental parar a mão de Trump, Milei, Bolsonaro e Netanyahu, evitando um retrocesso no Brasil. O cenário internacional é polarizado, como visto na recente eleição alemã, onde a extrema direita cresceu e a esquerda radical venceu o governo de Berlim. Ou nas ruas, com as mobilizações pela habitação que sacodem a Espanha e a rebelião dos colegiais na França. Esse é o mundo em disputa. E o Brasil é central.

A segunda, e não menos importante tarefa, é convencer a votar nos candidatos do PSOL a deputados e senadores. O PSOL precisa superar a cláusula de barreira, um dos tantos mecanismos antidemocráticos do atual regime da Nova República. Após a eleição, será necessário passar a limpo o debate sobre uma reforma política e judiciária radical. E o PSOL, na federação com a Rede, joga para ampliar suas bancadas no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas. Cada voto importa. Precisamos superar os 2,5% em nível nacional, com o escore mínimo de 1,5% em 9 estados.

Hoje, nossa federação aparece na disputa das vagas do Senado em estados centrais, como São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. O Partido deve ampliar sua bancada de deputados federais nos estados como RS, RJ, MG, e SP, com grandes chances no DF, onde lidera as pesquisas. Há uma disputa duríssima, mas com chances reais, em Pernambuco e no Ceará; no Pará, nossa votação deve assegurar a superação da clausula de barreira local, restando para cinco estados a responsabilidade de alcançar o número mínimo necessário, com o agravante de que há uma disputa judicial em Sergipe, onde o Partido está sendo injustamente penalizado por questões burocráticas. A expectativa é de superar a clausula em SC, ES, AM e PB, como projeções mais prováveis. Esse voto representa não só uma sigla, mas a demanda de futuro, com um programa mais à esquerda e independente do que as atuais expressões majoritárias, refletidas nas insuficiências e limites do projeto lulista.

Cada voto importa. Agora e depois. A batalha das urnas é central, relevante, mas é apenas uma parte da luta – que se decidirá nas ruas- entre o projeto da extrema direita mundial e a necessidade de um futuro ecossocialista para seguir existindo esperança para a classe trabalhadora e a humanidade.


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Editorial
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