Esquerda vai às ruas no dia 18 para impulsionar campanha de Lula
Após grandes mobilizações em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, partidos, movimentos sociais e militância preparam novas atividades em todo o país
Foto: Ricardo Stuckert/PR
A militância de esquerda volta às ruas neste sábado (17) e, principalmente, no domingo (18), com uma mobilização nacional em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa Bora Virar, convocada pelo Partido dos Trabalhadores, pretende ocupar praças, bairros e espaços públicos de todo o Brasil com caminhadas, panfletagens, visitas de porta em porta e atividades culturais. A meta é ampliar o diálogo com a população, conquistar novos votos e estimular a participação de quem não compareceu às urnas no primeiro turno.
A mobilização acontece em uma disputa presidencial apertada. Na pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) aparecia com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula – empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na semana anterior, a diferença era de 52% a 48%. O resultado reforça a importância da reta final da campanha, quando a capacidade de mobilização das candidaturas e o convencimento de eleitores ainda podem influenciar o resultado. Datafolha/Folha de S.Paulo
A convocação propõe manter a militância em estado de mobilização permanente até 25 de outubro, data do segundo turno. Além dos atos de rua, o partido chama diretórios, comitês, brigadas e movimentos sociais a intensificar a campanha nas redes. A estratégia é levar a disputa para além das bolhas políticas e conversar diretamente com quem ainda tem dúvidas, está distante da campanha ou deixou de votar na primeira etapa da eleição.
Grandes atos mostram força da mobilização
As manifestações realizadas nos últimos dias deram dimensão à capacidade de mobilização da campanha de Lula. No domingo (11), a Marcha pela Democracia ocupou cerca de sete quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, e contou com a presença do presidente. No dia seguinte, milhares de apoiadores se reuniram na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um ato que também ocupou trechos da avenida Atlântica. Mobilizações semelhantes ocorreram em outras capitais e cidades do interior.
A dimensão política dos atos foi destacada pela jornalista Thais Bilenky, colunista do UOL. Para ela, as manifestações demonstraram que a campanha petista continua mobilizada, mesmo depois de Lula ter terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. A analista também apontou o objetivo prático da mobilização:
“É uma tentativa da campanha de diminuir a abstenção e aumentar a votação em locais onde o Lula foi bem, mas não tanto quanto em 2022. As capitais são muito fundamentais nessa estratégia.”
A abstenção foi um fator importante na primeira etapa da eleição: 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Em uma disputa acirrada, mobilizar parte desse contingente pode fazer diferença, sobretudo se a campanha conseguir alcançar pessoas que se identificam com propostas de defesa dos direitos sociais, dos serviços públicos e da democracia, mas ainda não decidiram participar do segundo turno.
Bora Virar: diálogo nas ruas e nos bairros
A proposta do Bora Virar é combinar grandes manifestações com atividades de contato direto com a população. Caminhadas, panfletagens, visitas domiciliares e ações em praças e bairros são parte da estratégia para apresentar argumentos em favor da reeleição de Lula e disputar votos fora dos espaços tradicionalmente frequentados pela militância.
A aposta é que a campanha não se limite à divulgação de mensagens nas redes sociais ou aos debates entre os candidatos. A conversa presencial pode ajudar a esclarecer dúvidas, rebater informações falsas e aproximar a disputa nacional das preocupações cotidianas da população.
O calendário também prevê atividades organizadas por diferentes segmentos sociais. Em Porto Alegre, por exemplo, o sábado será marcado por um ato de mulheres, enquanto o domingo reunirá manifestações políticas, mobilização de pessoas com 60 anos ou mais e uma atividade cultural pela democracia.
A mobilização ocorre em paralelo a uma semana decisiva para a disputa presidencial, com debates entre os candidatos e a intensificação da propaganda eleitoral. A pesquisa Datafolha mais recente indica uma oscilação favorável a Lula, mas não permite afirmar que os atos tenham sido a causa isolada da mudança. O que a campanha busca agora é ampliar essa movimentação, convertendo disposição política em participação eleitoral.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a convocação é para que a militância mantenha a campanha ativa nas ruas e nas redes. A aposta da esquerda é que a mobilização popular, o diálogo direto e a participação de quem ainda não foi às urnas ajudem a ampliar a votação de Lula em uma eleição que permanece aberta.
Bora Virar! – Onde serão os atos
Rio de Janeiro
Domingo, 11h – Candelária
Belo Horizonte
Domingo, 11h – Praça da Estação
Curitiba
Domingo, 13h – Praça 19 de Dezembro
Porto Alegre
Sábado, 15h – Ato das Mulheres nas Ruas e nas Redes, concentração na Praça do Aeromóvel
Domingo, 11h – Ato para Salvar o Brasil, no Largo Zumbi dos Palmares
Domingo, 11h – Mobilização 60+, na Redenção
Domingo, 15h – Ato Cultural pela Democracia, na Redenção