Títeres do Império
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Títeres do Império

Como a família Bolsonaro encarna a nova face da ingerência da CIA no Brasil

Tiago Lira 5 nov 2026, 10:45

Foto: Flávio, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca com Donald Trump. (X/Reprodução)

Todo mundo sabe que a CIA (Central Intelligence Agency) e a comunidade de inteligência dos Estados Unidos têm um histórico documentado de recrutar, financiar e utilizar políticos sejam candidatos ou eleitos – ministros de estados, juízes e promotores! Esses ativos de inteligências (assets) são informantes, colaboradores e agentes de influência, diferente de um espião profissional (que é um funcionário oficial da agência disfarçado ou treinado para se infiltrar), um asset costuma ser uma pessoa que já está inserida em uma posição estratégica no seu próprio país- como um político, um militar, um jornalista ou um empresário. Isso não é teoria de conspiração, temos farta documentação oficial da CIA desclassificada e relatórios do Congresso americano (como o Comitê Church) que revelam casos emblemáticos de líderes e políticos estrangeiros que atuavam a serviço da CIA e outras agências como MOSSAD e M16/SIS UK.

Um asset é recrutado por interesse ou coação: ele colabora de forma voluntária por alinhamento ideológico, antipatia pelo governo local ou ganância financeira, ou quando é coagido/ chantageado, além de subornos comuns também se tem a promessa de proteção política e diplomática!

O uso de ativos de inteligência é um fator de proteção dos seus próprios agentes e de fragmentação da informação e da contra informação.

A história recente mostra como Manuel Noriega foi um dos ativos mais famosos da CIA, os documentos demonstram que ele começou a ser pago como informante ainda nos anos de 1960 e manteve uma relação formal e lucrativa com a agência estadunidense. Noriega repassava informações sobre os governos de Cuba e Nicarágua e ainda permitia o uso do Panamá para operações veladas dos EUA.

Ainda, podemos citar Adolfo López Mateos, Gustavo Díaz Ordaz e Luis Echeverría, todos ex-presidentes do México e informantes e colaboradores diretos da CIA. Eles mantinham um canal de comunicação direta com a CIA e forneciam informações sobre os movimentos de esquerda no país e sobre embaixadas estrangeiras como Cuba e da União Soviética. Quem não se lembra de José Ferrer, ex-presidente da Costa Rica, que em entrevista nos anos 1970 ao Los Angeles Times admitiu abertamente que manteve parcerias táticas e institucionais com a CIA para financiar publicações e conter o comunismo na região.
Podemos falar do Rei Hussein da Jordânia, que fornecia relatórios de inteligência sobre o mundo árabe, governos locais e sobre a luta palestina em troca de suporte financeiro e “segurança”. Ou também podemos falar sobre Mobutu Sese Seko presidente do Zaire (atual República Democrática do Congo) e os seus serviços como assets, sendo ele a principal ponta de lança da CIA no continente africano em troca de apoio e proteção ao regime.

Rememorando nossa própria história podemos apontar, com certeza, Carlos Lacerda como um agente de influência e colaborador estratégico da CIA como foi revelado nos documentos desclassificados pelos EUA via FOIA (Freedom of Information Act). Um caso muito emblemático do imbricamento dessas relações é do General Humberto de Alencar Castelo Branco, que repassava análises do cenário político diretamente ao adido militar e agente da CIA, General Vernon Walters.

A CPI do IBAD/IPES e documentos desclassificados nos EUA demonstraram que milhões de dólares oriundos da CIA e de empresas americanas foram canalizados para financiar campanhas eleitorais de centenas de candidatos a deputado e a governadores anti-Goulart nas eleições de 1962.

A operação Brother Sam e os programas de treinamento de contra inteligência/ segurança tinha muitos assets, contatos de ligação e colaboradores, começando pelo General Golpista Mourão Filho, que usava o ex-governador de Minas, Magalhães Pinto, para manter vínculos estreitos e trocas de informação com a inteligência estadunidense. Memorandos de 1974 de diretores da CIA, desclassificados em 1998, detalham reuniões onde a cúpula do governo militar, incluindo Geisel e Figueiredo, atuavam como fontes de inteligência e contatos de ligação, fornecendo relatórios confidenciais do governo brasileiro em troca de apoio político, bélico e financeiro dos EUA.

Colocado esses elementos históricos, que o leitor pode checar com facilidade, é necessário dizer que a classificação de um líder político como asset não exige um contrato formal de espião, mas sim o alinhamento ideológico, a troca estratégica de dados e a prestação de apoio logístico/político velado.

Aqui chegamos em um ponto fulcral e atual da nossa análise. Todos os fatos corroboram para o fato que Flávio Bolsonaro é um asset da CIA! O tempo nos dirá! Como nos revelou o Jornalista Jamil Chade no ICL, os EUA e o Mossad realizaram a exfiltração do candidato derrotado à presidência do Brasil não por um ato de generosidade, mas para proteger um ativo estratégico de interesse do imperialismo estadunidense na região, cujas propostas de campanha incluíam a entrega de terras raras e o alinhamento total da política externa nacional ao EUA e a Israel.

A exfiltração de Flávio é o último ato de uma cooperação que já se arrasta no tempo. No governo do seu pai, o genocida Jair Bolsonaro, o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, fez como primeira viagem oficial uma visita à sede da CIA, visita esta que sequer constava da agenda oficial O encontro veio a público após apurações da imprensa, e o próprio ministro evitou dar maiores detalhes sobre o teor das conversas, limitando-se a notas genéricas de que foram debatidos temas como cooperação internacional, combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Vale ressaltar que o próprio Moro agradeceu ao FBI pela “equipe destacada para ficar à disposição da operação Lava Jato”!

A história política do Brasil e da periferia do capitalismo é marcada por uma sombra persistente: a intervenção imperialista e a atuação de agentes de influência comprometidos com interesses estrangeiros. Desde as articulações da Guerra Fria e o suporte a golpes de Estado — como o que depôs a democracia em 1964, contando com figuras nativas da subalternidade burguesa como Carlos Lacerda e a tutela de generais como Castelo Branco —, a soberania nacional tem sido sistematicamente violentada por potências hegemônicas, sobretudo os Estados Unidos e seus aparelhos de inteligência. Se, no século XX, a ingerência se manifestava por meio de golpes militares diretos, financiamento ostensivo a fundações conservadoras e desestabilização econômica, no século XXI ela mutacionou para as formas sofisticadas da guerra híbrida, do neocolonialismo digital e da manipulação algorítmica.

Essa continuidade histórica revela que a burguesia dependente e setores ultraliberais internos nunca hesitaram em subordinar os interesses estratégicos do país a centros de poder estrangeiros em troca de hegemonia política e contenção das classes trabalhadoras. O que mudou não foi o objetivo — a captura do Estado e a submissão dos recursos nacionais —, mas os métodos, que agora operam no terreno opaco das plataformas de tecnologia, da desinformação em massa e do fluxo transnacional de capitais para fins eleitorais.

Dessa forma, o debate sobre a atuação de agentes externos e fluxos de recursos no cenário político brasileiro transcende o campo discursivo e ganhou desdobramentos jurídicos formais. No âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1178, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a Polícia Federal abra inquérito para apurar suspeitas de interferência estrangeira e financiamento externo no processo eleitoral. Essa medida judicial coloca sob rigoroso escrutínio estatal a proteção da soberania nacional, a integridade das plataformas digitais e a apuração de eventuais articulações internacionais voltadas a influenciar as instituições brasileiras.”

Os integrantes da família Bolsonaro tem atuado como verdadeiros lacaios dos estadunidenses e dos sionistas, todos os indícios – e não são poucos – apontam para seus crimes de lesa pátria e demonstram que estão a serviço dos interesses de um governo estrangeiro.


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