Vereadora propõe lavanderias públicas para aliviar trabalho doméstico das mulheres
Projeto de Professora Angela (PSOL) em Curitiba busca enfrentar desigualdades de gênero e a “pobreza de tempo” que atinge sobretudo mulheres das periferias
Foto: Arquivo/CMC
A Câmara Municipal de Curitiba analisa um projeto de lei que propõe a criação da Política de Lavanderias Públicas Coletivas, iniciativa apresentada pela vereadora Professora Angela (PSOL). A proposta pretende reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado e ampliar o acesso de mulheres de baixa renda a serviços públicos de higiene e saneamento.
Segundo a parlamentar, a criação de lavanderias públicas gratuitas pode representar um avanço concreto no enfrentamento das desigualdades de gênero e de classe, ao reconhecer que a divisão desigual das tarefas domésticas ainda pesa majoritariamente sobre as mulheres — especialmente nas periferias.
De acordo com o projeto, a política pública busca incentivar a socialização de tarefas tradicionalmente concentradas dentro dos lares, além de promover autonomia e bem-estar para famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Na justificativa da proposta, a vereadora destaca que muitas casas em regiões periféricas não possuem máquina de lavar automática, o que obriga mulheres a passar horas lavando roupas manualmente. Essa realidade, além de provocar desgaste físico e problemas de saúde, limita o acesso a estudo, trabalho e qualificação profissional.
O projeto também aborda o conceito de “pobreza de tempo”, utilizado na sociologia para descrever a situação em que o excesso de responsabilidades domésticas reduz drasticamente o tempo disponível para outras atividades essenciais da vida social.
Estudos citados no texto indicam que as mulheres dedicam, em média, o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas. Nesse contexto, a implantação de lavanderias coletivas poderia redistribuir parte dessa carga de trabalho, permitindo que o tempo gasto na lavagem manual de roupas seja direcionado para formação, trabalho remunerado ou descanso.
A proposta prevê que as unidades sejam instaladas, preferencialmente, próximas a terminais de transporte público e a equipamentos de assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).
O público prioritário da política seriam mulheres e famílias identificadas pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). A ideia é transformar a lavagem de roupas em um serviço público compartilhado, fortalecendo a autonomia das mulheres e ampliando suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e na educação.
Segundo estimativa apresentada pela autora, cada unidade teria custo inicial de cerca de R$ 120 mil, valor destinado à compra de máquinas industriais e adaptação de espaços públicos. A manutenção mensal seria de aproximadamente R$ 6,5 mil, incluindo despesas com água, energia elétrica e insumos.
O serviço seria gratuito e poderia contar com parcerias com micro e pequenas empresas para fornecimento de materiais e manutenção dos equipamentos.
Caso seja aprovado pelos vereadores da Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito, o projeto prevê que a nova política pública entre em vigor 180 dias após a publicação da lei. Para a vereadora Professora Angela, a proposta representa um passo importante para reconhecer que o cuidado e o trabalho doméstico também devem ser tratados como uma questão de política pública e justiça social.