Dívida aperta famílias e vira alerta para 2026
Economia

Dívida aperta famílias e vira alerta para 2026

Com renda comprometida e crédito caro, governo Lula prepara pacote para aliviar endividamento e enfrentar distorções do sistema financeiro

Redação da Revista Movimento 28 abr 2026, 10:08

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O avanço do endividamento das famílias brasileiras acendeu um sinal de alerta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve ocupar papel central no debate eleitoral de 2026. Dados recentes do Banco Central do Brasil mostram que 49,9% das famílias tinham dívidas em fevereiro – patamar que retoma o recorde histórico registrado em 2022. Mais do que o volume de débitos, preocupa o peso no orçamento: o comprometimento da renda com o sistema financeiro chegou a 29,7%.

O quadro é ainda mais grave quando se observa o recorte mais amplo. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, muitas delas pressionadas por modalidades de crédito com juros elevados, como o rotativo do cartão. Esse tipo de financiamento, um dos mais caros do mercado, cresceu no primeiro trimestre e segue como um dos principais motores da inadimplência.

Especialistas apontam que o problema é estrutural e combina fatores como renda insuficiente, inflação de itens básicos, precarização do trabalho e um sistema financeiro que historicamente pratica taxas elevadas. Nesse cenário, o crédito consignado – embora mais barato – também exige cautela: sua expansão, que cresceu 52% no setor privado após mudanças recentes, pode aliviar no curto prazo, mas amplia o risco de comprometimento prolongado da renda.

Diante desse quadro, o governo federal prepara um pacote de medidas com duas frentes principais. A primeira prevê maior regulação das taxas de juros no crédito consignado privado. A ideia é punir instituições financeiras que cobrem valores muito acima da média do mercado, hoje em torno de 3,66% ao mês. Na prática, estimativas indicam que o teto efetivo pode chegar próximo de 5,98% ao mês, incluindo encargos.

A segunda frente envolve a ampliação do programa de renegociação de dívidas, o chamado “Desenrola 2”. Segundo o Ministério da Fazenda, comandado por Dario Durigan, a proposta inclui a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para abatimento de dívidas. “Será um saque vinculado ao pagamento da dívida do programa, mas não necessariamente maior do que a dívida”, afirmou o ministro.

O plano deve priorizar famílias com renda de até cinco salários mínimos e prevê descontos expressivos na renegociação, que podem chegar a até 90% do valor devido em alguns casos. A medida também busca enfrentar o peso de dívidas associadas ao cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.

Para viabilizar o uso do FGTS, o governo estuda editar uma Medida Provisória (MP), instrumento que tem força de lei imediata. A expectativa é que o anúncio ocorra no Dia do Trabalhador, em 1º de maio, conectando a iniciativa à agenda de recuperação da renda e proteção social.

Além disso, o pacote inclui ações para conter novos ciclos de endividamento, como restrições ao acesso de pessoas endividadas a plataformas de apostas online. O governo avalia que a expansão desse mercado tem agravado a situação financeira de famílias vulneráveis.

A preocupação do Executivo dialoga com um problema social mais amplo: o endividamento não apenas reduz o consumo e trava a economia, como também impacta diretamente a qualidade de vida, ampliando desigualdades e insegurança financeira. Para analistas, enfrentar essa dinâmica passa não só por renegociação de dívidas, mas também por mudanças estruturais no sistema de crédito e políticas de fortalecimento da renda.

Com milhões de brasileiros pressionados por contas atrasadas e juros elevados, o tema tende a ganhar centralidade no debate público – e eleitoral – nos próximos meses.


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