Lula e Trump: um debate inevitável

Lula e Trump: um debate inevitável

Não há nenhuma possibilidade de vitória real contra a extrema direita sem levantar a bandeira da soberania e parar a mão de Trump

Israel Dutra 24 abr 2026, 18:03

O mundo está dividido. Polarizado. Desde o fim da Segunda Grande Guerra, as determinações internacionais não ganhavam tanto peso na vida dos países. A eleição que o Brasil terá em outubro não escapará dessa polarização. O recente histórico é de choques iniciais com Trump e a extrema direita, que mais de uma vez já ameaçou a soberania nacional. E o fez, por exemplo, na vizinha Venezuela.

A guerra de agressão ao Irã e a ofensiva genocida de Israel- primeiro em Gaza, depois na Cisjordânia e agora no Líbano- marca uma linha divisória no mundo. Figuras mundiais como o Papa condenam a linha de guerra de Trump- que assiste seu próprio ocaso- com sua popularidade em queda e muitas lutas e resistência dentro dos Estados Unidos.

Não há nenhuma possibilidade de vitória real, política e eleitoral, contra a extrema direita brasileira (ou seja, Flávio Bolsonaro), sem levantar a bandeira da soberania e parar a mão de Trump. Lula pode e deve tomar a frente de tal iniciativa. Junto a isso, materializar a derrubada da escala 6×1.

Lula deve enfrentar Trump

Na Espanha, Lula participou da Mobilização Global Progressista, convocada por Sánchez, além de governos como o do México e Colômbia. A marca de seu discurso foi a crítica: tanto aos bombardeios ao Líbano, à guerra de agressão ao Irã, quanto ao próprio “progressismo”, tornado gerente das mazelas neoliberais, tornando-se – nas palavras dele – “o sistema”, razão pela qual a extrema direita capitalizou o descontentamento social antissistema.

Na mesma semana, Trump afrontou a diplomacia brasileira, ao ter determinado o retorno ao Brasil do oficial de ligação da PF na Flórida, Marcelo Ivo de Carvalho, após a operação que resultou na detenção temporária de Alexandre Ramagem (PL-RJ). O governo reagiu corretamente, ao aplicar o critério de reciprocidade e determinou a perda de credenciais de um policial americano que atuava em solo nacional.

De tal modo, no terreno da soberania, é preciso combater o cerco imperialista de Trump contra o Brasil e a exploração das terras raras e minerais críticos. Depois de Flávio Bolsonaro ter dito na CPAC que, se eleito, entregaria tudo aos Estados Unidos, Ronaldo Caiado celebrou um acordo bilionário com a USA Rare Earth em troca da exploração de terras raras no depósito Pina Elma. Em ação exemplar, as deputadas Samia Bomfim e Fernanda Melchionna e o deputado Glauber Braga fizeram uma denúncia à PGR pedindo anulação da venda e responsabilizando Caiado.

Lula deve passar das palavras aos atos. Não é possível seguir no mesmo marco de relações com Trump. Sánchez, para darmos um exemplo, fechou o espaço aéreo para a utilização por parte dos Estados Unidos durante a agressão ao Irã. E junto a outros países europeus rompeu contratos com o Estado de Israel.

É preciso enfrentar Trump e o imperialismo no terreno da defesa da soberania nacional. Lutar contra a ingerência de Trump no processo eleitoral, regular as bigtechs e construir espaços comuns para denunciar o papel do imperialismo. Não se pode hesitar, como durante a crise do tarifaço, onde Lula chegou a afirmar que havia uma “química” com o chefe da extrema direita no mundo.

Para vencer, defender a soberania e conquistar maioria social

Para vencer a batalha política e eleitoral contra a extrema direita, será necessário colocar em movimento um programa de reivindicações imediatas com efeito nas condições de vida do povo, como o fim da escala 6×1, apostando decididamente na mobilização até a vitória; medidas em defesa da soberania nacional contra o acosso imperialista, como o controle na exploração das terras raras e minerais críticos; a taxação dos bilionários para alcançar mais justiça social , a busca por atacar o problema do endividamento das famílias brasileiras.

Ganhar a maioria da população para defender as bandeiras da soberania, aliadas às pautas mais sensíveis é uma das tarefas centrais do PSOL, que marca a unidade eleitoral, mas também sua independência para tensionar e organizar na sociedade o combate ao redor da luta anti-imperialista.

Para tanto, devemos aproveitar a data do primeiro de maio – e as lutas em curso como a greve da USP e das universidades federais – para mostrar que apenas com mobilização é possível vencer.


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